2006-12-23

Boas festas...

Onde vos der mais prazer é o que eu vos desejo meus pérfidos leitores.

2006-11-05

Adiamentos crónicos

Projecto na minha cabeça. Elaboro como tudo deve correr na perfeição. Inicio o projecto. Leva mais tempo do que deveria a colocá-lo de pé. Isso entra em conflito com outros projectos já elaborados ou a decorrer. Estabeleço prioridades. Este ou aquele têm prioridade sobre os outros. Os outros ficam arrumados à espera da vez. Entretanto surgem mais projectos novos. Para além da dificuldade própria da gestão de cada projecto, há a dificuldade de conciliar os meus projectos com os projectos de outros. Normalmente a dificuldade só surge quando os projectos dos outros têm prioridade sobre os meus. Dificuldade de implementação dos meus, os quais são adiados para nos concentrarmos na implementação dos projectos dos outros. É frustrante quando não tomo os dos outros como meus e estes têm prioridade sobre os meus. Vejo os meus projectos serem preteridos. Ninguém gosta de ver o que é seu preterido em relação ao que não o é. Os meus vão-se acumulando, aumentando a frustração. E a frustração não ajuda ao desenvolvimento e conclusão. Vou vendo os meus projectos, e os dos outros, a acumularem-se e o tempo a diminuir. Vou adiando à espera de mais tempo. E esse tempo traz mais projectos...

2006-09-20

A frustração do furacão

Estava tudo preparado. Tudo à espera da catástrofe. Nem todos a esperavam, desconfiando de tanta informação. Finalmente a natureza colocar-nos-ia no mapa do mundo. Não temos propriamente tradição. Talvez daí tamanha excitação. Uma tempestade ou um ciclone já não nos basta. Ambicionamos ter catástrofes como os maiores. As equipas de comunicação foram para o campo, no meio do mar. Acabaram por pouco mostrar. Desilusão?
Felizmente, tanto a frustração como o furacão, passaram-nos ao lado...

2006-09-11

O meu Deus não é o teu Deus

Numa data de triste memória, muitos falam sobre Deus. Cada um à sua maneira o invoca ou o renega, de acordo com a sua imagem. A sua imagem que não é a Dele.
Deus é grande, mas não é do tamanho que imaginamos ser. Seria estranho que um ser tão supremo fosse tão facilmente inteligível por seres tão mesquinhos como os da nossa espécie.
Muitos falam em nome Dele. Uns a favor, outros contra. Mas Deus não é futebol, nem política.
Uns usam esta triste data, e outras, para louvarem o seu Senhor. Outros usam-na para demonstrarem a Sua inexistência. Será que Ele se sujeita a tais louvores ou demonstrações?
Somos tão livres que podemos ter opiniões tão divergentes. Tão livres que cometemos atrocidades em seu nome, como se fossemos o Seu braço. Tão livres que vemos na nossa liberdade a prova da Sua inexistência. Desejamos um Deus que nos apoie, principalmente quando nos sentimos comovidos por situações que nos transcendem. Desejamos um Deus que seja mais que um pai. Que seja o mestre das marionetas. Mas Deus não é um papel higiénico que limpa a borrada que nós fazemos. Não se encaixa na nossa visão do mundo, quer tenhamos ou não guardado lugar para Ele.
E muito menos dará a importância que qualquer um de nós imagina que Ele dê a um texto como este. Acho que Ele não está para aturar merdas destas...

2006-08-10

A Flor é bela

Assim parece ser. O sucesso não afectou a cabecinha. A cabecinha era assim antes do sucesso. Cheia de boas intenções. O que só por si não garante grande coisa.
As palavras parecem espontâneas, tal como os sentimentos. Tudo com um toque bastante ingénuo. Uma entrevista dela fez-me lembrar a explicação do Emanuel sobre as letras das suas músicas. Obviamente a maldade está em quem vê/ouve/lê. Os espíritos inocentes não têm malícia...
A malta entusiasma-se com coisa pouca. A procura desesperada de algo simples e belo pode levar ao encontro do disparate. O que vale ao crente é que Deus zela para que tudo corra bem. Pois Ele é verdadeiramente justo. Os maus serão castigados e os bons recompensados.
Alegrem-se chinesinhas e mulatinhos deste mundo: a Flor que é bela, espera conseguir adoptar um par de vós. Se for suficientemente rica, não fosse ter de abdicar de algumas coisas... Será que também quer adoptar outros animaizinhos? Se tudo correr bem haverão instituições para idosos e crianças. Pelo menos não serão para velhotes e putos...
Alegrem-se todos os outros pois está nos planos desta Flor vir a participar em novas telenovelas e programas infantis. Parece que há pouco disso na televisão portuguesa...

2006-07-15

Balanço final

Queria ter começado a escrever logo após o frango do Ricardo, mas acabei por começar a escrever também logo após o auto-golo de Petit. Não é completamente despropositado este haraquiri à portuguesa, dada a presença de árbitros japoneses... Não é apenas sobre estes maus momentos que escrevo. Temos a mania de passar de estados de euforia a estados de depressão suicida. De tentar fazer os outros passarem de bestiais a bestas. Tudo isto como grande facilidade.
Até parece que alguns se desligaram totalmente e deixaram a bandeira pendurada. Será a conquista de um terceiro lugar tão desmotivadora?!
Fiquei tão desmotivado que coloquei este texto completamente fora de tempo...

2006-07-02

Desejo domingueiro

Como estava ocupado, não me apercebi imediatamente do efeito que estava a causar nas minhas vizinhas. Quando me comecei a aperceber, fiquei espantado com o desejo estampado no rosto de cada uma delas. Mais tarde, percebi o motivo de tamanho desejo.
Estava à janela entretido. Mexia-me, mas não para provocar desejo. Mexia-me porque precisava. Só assim poderia terminar o serviço a que me tinha proposto. Enquanto abrandava para dar descanso ao braço, comecei a sentir-me observado. Observei também. Uma vizinha observava-me de um dos prédios vizinhos. Sorria, não conseguindo esconder o desejo. Talvez nem tentasse escondê-lo. Talvez desejasse que eu me apercebesse da necessidade e me oferecesse para a satisfazer. Lá em baixo, duas amigas conversavam. Uma delas olhava de vez em quando para mim, não parando de conversar. Tentei disfarçar, mas também olhei para ela. E a troca de olhares repetiu-se várias vezes...
Confesso que não consegui descortinar mais observadoras, mas elas iam aparecendo e desaparecendo das janelas e das varandas.
Alguns homens também me observaram por breves instantes. Diria que me olhavam com algum desprezo. Felizmente nenhuma das observadoras pareceu estar acompanhado pelo marido. Não quero problemas com a vizinhança.
Vou partilhar convosco a razão, que penso ter encontrado, para tanto desejo: elas queriam que eu lhes lavasse as janelas, tal como eu lavei as minhas...

Não sou homem de uma mulher só

Se depender apenas de mim, não serei homem de uma mulher só. Sempre que puder, acompanhá-la-ei. Sempre que puder, lembrar-lhe-ei que, ainda que momentaneamente ela esteja só, eu estarei sempre com ela.
Assim gostaria de ser, mas nem sempre o sou. Ou porque a deixo esquecer, ou porque me esqueço. Não dela. Mas de lhe lembrar do que sou e quero ser.
E quando deixar de a acompanhar ou ela deixar de me deixar acompanhá-la, procurarei outra que esteja só. E deixe de estar com a minha ajuda.
O natural não é ter uma mulher só: é ter uma mulher feliz. A felicidade não se alimenta da solidão...

2006-06-26

No Algarve também se trabalha

Apesar de me ter acontecido há já algum tempo, tema é ainda mais pertinente em tempo de Verão. Curiosamente, naquele dia, o Algarve parecia ser a região do país com o tempo pior. Leia-se com céu menos limpo e temperaturas mais amenas.
Ninguém leva a sério que alguém lhes diga que está no Algarve a trabalhar. Parece que ninguém trabalha no Algarve. No entanto, todos acabam por ser servidos, bem ou mal, quando para lá vão gozar uns dias de descanso. Se é que isso é possível nalgum lugar do litoral algarvio...
As respostas que se vão obtendo vão do “há ricos empregos”, ao “goza bem o sol”, passando pelo “boa praia”...
Confesso que até compreendo a dificuldade que há em perceber que há quem trabalhe no Algarve. Juntando as temperaturas elevadas e a proximidade da praia, há quantidade de gente que para lá vai para não fazer nada, de trabalho, é uma mistura brutal. E isto vai de encontro à minha teoria que a produtividade é inversamente proporcional à temperatura ambiente. Isto desde que tenhamos uma população com alguma dimensão. Em casos limite como nos desertos, com populações reduzidas, a produtividade até poderá ser elevada...
Pode ser desmoralizante trabalhar no mesmo local onde quase todos os outros se divertem...

Sardinhada

Já ouvi dizer que as mulheres querem-se como as sardinhas: pequeninas. Ou eu ouvi mal, esvaziando completamente este artigo, ou vou refutar essa afirmação. Obviamente, isto depende do gosto de cada um... Mas o meu é melhor que o dos outros. Basta que seja meu...
Eu gosto das sardinhas grandes. Nem é tanto o tamanho que interessa. Desde que sejam gordinhas. As gordinhas são as mais suculentas. Logo, normalmente, as mais gostosas. Desde que não estejam todas moídas...
Passando estas características para as mulheres, concluo que, se forem como as sardinhas, as melhores sejam as maiores. Pelo menos é dessas que eu gosto mais. No entanto, tal não significa que goste mais das mais gordas. Se bem que prefira um bocadinho de carne a mais, que carne a menos...

2006-06-15

A última cereja

Se se desconfia que o sabor de alguma cereja não é bom, não se deixa ficar para última. Se não está em condições de ser comida, é-lhe logo retirada essa possibilidade. Havendo boas possibilidades de ser comestível, acabará por ser comida. Mas não ficará guardada para última. Isso poderia provocar que um sabor menos bom perdurasse na língua. A última deverá ser a melhor. Tem que ser a melhor. É isso que esperamos dela.
Caso o não seja, teremos que procurar algo que faça esquecer aquele sabor...

2006-05-30

Complexo invejoso

Há uma tendência natural na espécie humana para ter inveja do sucesso de outrem. Poucos invejam o caminho a percorrer até ao sucesso. Normalmente por desconhecimento. Mas, ainda que o conhecimento chegasse aos invejosos, ainda menos invejariam o caminho. Quando vemos uma imagem de sucesso, não imaginamos o esforço que lhe deu origem. Não imaginamos os sacrifícios e a disciplina exigida. O invejoso prefere sonhar com o sucesso, sem ter o pesadelo do preço a pagar.
É natural: o invejoso só inveja aquilo que vê. Não pode invejar o que desconhece. Se conhecesse o percurso e estivesse disposto a pagar o preço, também poderia ser mais um exemplo de sucesso.
Alguém inveja os que tentaram e fracassaram? Esses pagaram o preço, sem chegarem a almejar o prémio. Os fracassados que fingem tentar, não merecem o sucesso que lhes escapa. E se ele até escapa dos esforçados...
Também desejo o sucesso. Mas não desejo o preço...

2006-05-21

A nossa selecção



Aqui vai a minha previsão para a nossa selecção. Aviso desde já as pessoas mais sensíveis que a previsão não é boa. E fundamento-a com a história.
Para começar, a nossa história de idas a campeonatos internacionais, apesar do entusiasmo que ultimamente nos assalta, não é longa nem boa.
Curiosamente, ou talvez não, é nos europeus que mais nos temos destacado. No único mundial onde nos destacámos pela positiva, ainda não tínhamos ido a um europeu. O que confirma a minha teoria...
A minha teoria diz que, uma boa prestação num europeu é contrariada dois anos depois num mundial.
O mundial de 66 não teve nenhum europeu precedente onde nos tivéssemos destacado. Daí o bom resultado.
A história diz que até nos portamos bem frente a selecções europeias, excepto em finais ou em fracções destas. O pior é que, nos mundiais, não apanhamos muitas dessas selecções. Tivéssemos nós um grupo recheado de selecções europeias e teríamos passado mais vezes à segunda fase do campeonato mundial.
Deixo ao leitor a magnífica tarefa de confirmar, ou desmentir, esta teoria com base em dados históricos.
Agora já se percebe a origem do meu pessimismo. Neste grupo, deste mundial, Portugal é a única selecção europeia do seu grupo...
A bandeira, made in China, já está na janela. Gostei do pormenor dela vir amarrotada e não poder ser passada a ferro. Também gostei de ver o pormenor das nossas armas. Os chineses aprendem rapidamente e gostam de satisfazer os seus clientes.
Agora só me falta a camisola de 66, de cor bastante mais viva, do meu tamanho, para sofrer condignamente mais uma humilhação mundial...

2006-05-20

Football fashion

Agora que as atenções estão viradas para mais uma competição futebolística, presta-se ainda mais atenção às jogadas fora de campo. Como se passa pouco e durante pouco tempo dentro do campo, a malta entretém-se com as novelas dos bastidores.
Ainda sou capaz de mandar a minha previsão sobre o percurso da selecção, neste campeonato que se adivinha. Para já, gostaria de desviar a atenção para o vírus da moda que atacou os jogadores. Aqueles óculos, estilo olhos de mosca, só poderiam provocar penteados daqueles. Quando eles se reúnem para os estágios, olham uns para os outros, e o resultado só poderia provocar cabelos arrepiados...

O trabalho liberta

Arbeit macht Frei – já em Dachau sabiam disso...
Presumo que esta frase não se aplique a trabalhadores por conta de outrem. Esses trabalham por necessidade e só ficam livres depois de ficarem incapazes, ou quase, de trabalharem. O que, nesta sociedade, onde o que importa é produzir e consumir, é quase o mesmo que ficar incapaz.
Curiosamente, também os que trabalham por conta própria estão ainda mais longe de serem livres. Não vivem do seu negócio. Vivem para o seu negócio.
Havendo uma obrigação, como é isso libertador? Havendo uma necessidade, onde está a liberdade?

Felizmente, há trabalhos que nos libertam dos trabalhos opressores...

2006-05-13

Sobrevivência

Sobrevivo diariamente, apenas para poder viver os dias, em que vivo verdadeiramente.

2006-05-11

Enxaquecas

Como toda a gente, gosto muito mais de quecas que de enxaquecas. No entanto, como ninguém consegue escolher aquilo que lhe passa pela cabeça...

2006-05-07

No sofá


(Recomendo para audição não apenas uma música, mas um álbum inteiro: “Bloody Kisses”Type O Negative)

Seria bom que mais dores de cabeça fossem curadas com sexo que sexo evitado com dores de cabeça. Curiosamente, o sexo costuma andar mais na cabeça que noutras partes do corpo.
Deitado no sofá, meditava.

E a cabeça fugia para o sexo... Uma situação perfeitamente normal, dado que é ela a primeira a partir em direcção ao sexo. Com sorte, o resto do corpo segui-la-á... Ainda com mais sorte, outro corpo a ele se juntará...

Aproveito para avisar os mais distraídos, ou ingénuos, que não é assim tão despropositada uma mensagem destas num dia destes.
Como julgam vós que a odisseia da vossa mãe, se tornar vossa mãe, começou?

2006-05-01

Sedução

Poderá alguém perguntar: quem seduz primeiro?
Poderá alguém afirmar?
Quem avança para a tentativa de sedução, já foi seduzido(a). O(A) sedutor(a) e o(a) seduzido(a) trocam de posições com muita facilidade. É natural que alguém detenha uma posição mais forte e a use a seu favor. Mas isso também joga a favor do(a) outro(a). E esse jogo pode ser apaixonante.
Tanto que há quem diga que apenas o jogo da sedução interessa. Depois da conquista, nada mais interessa. Eu não iria por aí. Também não iria tão longe. Fico aqui...

Dia do trabalhador

No dia do trabalhador, comemorei... Trabalhando!

2006-04-25

Incompreensão

Parece-me incompreensível que as pessoas pensem que algo é estúpido, sem compreenderem-no. Se tudo aquilo que as pessoas não sabem fosse estúpido, haveria tantas coisas estúpidas...

Acho uma estupidez que se qualifique de estúpido o que não se compreende.
Não compreendo isto...

2006-04-23

Desejo

- Olha! Vi uma estrela cadente.
- E pediste um desejo?
- Não. Limito-me a contemplar. A apreciar o momento.
- Eu também não pediria mais um desejo. Desejos já eu tenho muitos...

2006-04-21

O hóspede

Os gatos cheiram mal e largam pêlo...

Eu também, mas tomo banho sozinho e limpo o que sujo. E não cago nem mijo num caixote...

2006-04-20

DVDs rebeldes

Apesar de ultimamente não ter andado muito interessado em colocar mensagens, venho partilhar convosco a irritação que sinto quando sou obrigado a ver aquilo que o DVD quer que eu veja. Apesar de ser um objecto, logo, sem vontade própria, impõe a sua vontade. Ou melhor: a vontade de quem o criou. E parece não haver leitor que resista...
Queremos ver um filme, em suporte original e torna-se quase insuportável o que temos que esperar até vermos o desejado filme. Ele são avisos, ele são trailers, ele são, basicamente, a impossibilidade de aceder imediatamente ao menu do DVD. Às vezes alguns quase gozam connosco, ao permitirem a visualização rapidamente. Mas continuam sem nos permitir saltar a tal visualização.
Se eu não fosse obrigado, talvez visse melhor o que o DVD propõe antes do dito filme. Não somos obrigados a ver aqueles extras que lá colocam e não interessam a ninguém. No entanto, a curiosidade leva-nos a espreitá-los a todos. Nem que seja apenas para sabermos o que têm para mostrar. O interesse pode terminar aí ou, caso o extra tenha algum interesse, o que raramente acontece, poderá levar o espectador mais interessado a ver. E essa liberdade dá algum gozo.

Quem vê as edições ripadas, normalmente não tem destes problemas. Será que os editores querem incentivar as edições não oficiais? Eu gostava de os poder incentivar a não massacrar os espectadores com coisas pefeitamente desinteressantes...

Felizmente o botão eject não costuma falhar...

2006-04-13

Assinar o livro

Vim aqui, a uma hora destas, assinar o livro. Nunca se sabe quando parte de mim partirá e deixará de haver quorum para escrever aqui...
Felizmente as minhas partes têm negociado entre si e parece que não deixará de haver escrita durante muitos dias seguidos.

Seria bom que outros corpos fizessem o mesmo antes de se separarem...

2006-04-11

É só rir

Sempre que se tenta dominar o riso, é meio caminho andado para o riso ganhar.

Com uma gargalhada esmagadora...

2006-04-05

Havia dores

E ainda haverão mais e maiores à medida que o preço do petróleo for subindo. Por isso estranho esta vontade de planear aeroportos para daqui a décadas. Não faltará muito para, depois destas benesses das companhias de baixo custo passarem à história, os vôos ficarem reservados para as aves raras. Raras, mas endinheiradas.

Será que já há projectos para aviões a pedais?...

Andam bêbados?

Talvez embuído do espírito de primeiro de Abril, houve um secretário qualquer que, em jeito de chantagem, avisou os vitivinicultores que, ou ajudam a acabar com o mau comportamento dos seus e dos outros clientes de bebidas alcoólicas, ou a taxa baixa.

Resta saber o porquê da taxa baixar (o que já foi desmentido por um ministro). Ou há demasiada gente envolvida em acidentes com taxas abaixo dos 0,5, ou não se compreende. É que os que são apanhados com, ou acima dos, 0,5 já têm direito a menção honrosa.

E que tal taxas diferenciadas à la Union Européenne?

E que tal taxas para outras situações que não a condução?...

2006-04-01

Diálogo à portuguesa

- O que acha da condução dos portugueses?
- Acho que os portugueses conduzem muito mal.
- Mal, como?
- Há muita falta de civismo, demasiados excessos e manobras perigosas.
- Mas, como é português, também...
- Eu?! Eu sou português, mas conduzo bem!

2006-03-25

Mesa sutra

Há vários dias que ansiava por hoje. Estava tudo preparado para a receber convenientemente. Da primeira vez que ela tinha entrado cá em casa, praticamente não lhe liguei nenhuma. Claro que a achei muito bonita, mas tratei-a como se já cá cantasse. Ignorei-a durante algumas semanas. No fundo, prometia a mim mesmo que um dia lhe tratava da saúde...
Pois esse dia foi hoje. Deixei-a sossegada na sala e fui tratar de uns assuntos. Aproveitei e cortei o cabelo. Na realidade foi o barbeiro que o cortou...
Depois do almoço, comecei a aproximar-me. Devagar, mas com segurança. Consegui disfarçar a minha ansiedade, ainda que isso pouco lhe importasse.
Após as primeiras carícias, fui buscar o óleo. Ela haveria de ficar bem untada e brilhante. E ficou mesmo...
Ainda me parecia mais bonita. Talvez pelo jogo de luz entre as janelas da sala e a sua superfície reluzente.
Mal me consegui conter quando a tentei abrir. Apesar de escorregadia e da sua resistência, consegui. Depois disso, estive ao lado dela e por debaixo. Ainda pensei em subir para cima dela, mas não era uma posição necessária e muito menos que a favorecesse.
Já sentia alguns músculos doridos, mas não podia perder o vigor.
Para concluir, digamos que foi limpinho. Para ser franco, o tampo de vidro ainda tem algumas marcas. Provavelmente do óleo de cedro, ou não a tivesse lambuzado toda...
Se for preciso, amanhã dou-lhe outro tratamento. Espero que as cadeiras não tenham ficado com inveja...

2006-03-23

Discriminação racial

Não sei o que isso seja. Nem sequer me dou com indivíduos de outras raças...

Andar confrangedor

Não escrevo sobre um andar novo, nem sobre um velho. Não escrevo sobre apartamentos, nem moradias. Escrevo sobre uma situação confrangedora a qual, mais cedo ou mais tarde, acontece a qualquer um.
Vai uma pessoa descansada pela rua, quando, sem mais nem menos, encontra-se lado a lado com outra. Ao princípio parece natural. Quem anda pela rua, arrisca-se a encontrar outras pessoas. O problema surge quando se apercebem que vão na mesma direcção, sentido e à mesma velocidade. Nesse momento começa a preocupação. Aquela pessoa estranha, que não conhecemos de lado nenhum, caminha a nosso lado. E isso está reservado às pessoas que conhecemos.
E lado a lado vão caminhando.
Espreitam pelo canto do olho.
Poderá ser alguém conhecido.
Mas não é esse o caso. Entretanto, começam a tentar variar a velocidade, para que uma delas se destaque. O pior é se ambas abrandam ou aceleram o mesmo... A partir daí é preciso mudar de direcção. Nem que seja para ver uma montra.
Depois da parelha desfeita, ambas regressam ao conforto do conhecido...

2006-03-22

Blogger Problem

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Status code: 1-500-11

Please visit the Blogger status page or the Blogger Knowledge Base for further assistance.

Assim é mais fácil descansar a vista...

2006-03-19

Ide-vos encher de moscas

Parece que isso das feromonas e atracção sexual e etecétera e tal, até nem funciona mal. Funciona de tal maneira bem, que insecticidas há que atraem milhares de moscas para lhes demonstrar que foram atraídas para a morte. Num último banquete elas comem até morrer. A eficácia deste insecticida é tal que, para potenciar a mortandade, ele não só mata as moscas que se encontravam no recinto onde foi aplicado, como atrai moscas dos arredores. Assim mata mais que o comum dos insecticidas.
Isto até seria interessante do ponto de vista de quem quisesse exterminar as moscas, não fosse o facto de funcionar como ponto de encontro de moscas para acasalamento. O que é ligeiramente contrário ao propósito de um insecticida. É que nem todas as moscas chegam ao tal banquete. Algumas chegam às redondezas e encontram outras moscas com as quais podem distrair-se. Outras chegam tão atrasadas que já nada resta para comer.

Com insecticidas assim, não admira que haja localidades inteiras às moscas...

2006-03-09

Descansar a vista

Depois de um dia a trabalhar agarrado a um computador, que melhor maneira de descansar a vista que escrever agarrado a outro computador?!...

Bom, talvez ver televisão...

Ler um livro...

Ver um filme...

2006-03-05

Pinturas


Como é bom pintar...

Show de modelos

O Salão Internacional do Automóvel de Genebra já passou dos 100 anos e continua em boa forma. Ver imagens dessa exposição relembrou-me do quanto eu gosto dessas exposições. Relembrou-me porque não é fácil assistir regularmente a salões do automóvel a sério, quanto mais desta grandeza...

O que eu mais gosto nestas exibições é do grande nível e variedade de modelos em mostra. Ou à mostra...
Desde traseiras atraentes, a faróis imponentes, tudo é apresentado de forma a realçar os modelos. Abrindo portas, sentando ou até mesmo deitando, tudo é calculado para causar impacto. E de que maneira causa...

Talvez seja melhor assim. Se eu pudesse frequentar tais exposições, acabaria por andar a salivar e, quiçá, até a babar só de olhar para aquelas máquinas que gostaria de possuir. Nem que fosse apenas por uns instantes. Nem me passaria pela cabeça possuir várias, dado o elevado preço de manutenção. Nem sequer me passaria pela cabeça o preço da aquisição.
Bastar-me-ía poder sentir o prazer. Que bem que ficariam nas minhas memórias umas voltinhas com tais modelos...

E também gosto muito dos automóveis em exposição...

2006-02-27

Eu Q?

Your IQ score is:
You scored 129 on Tickle's IQ test. This means that based on your answers, your IQ score is between 119 and 129. Most people's IQs are between 70 and 130.

E quanto mais testes destes eu faço, mais inteligente fico...

2006-02-24

A contagem dos patos

Todos os dias mais um pato bravo cai. Lá pegam nele, com todas as cautelas, e levam-no para ser analisado. Todos os dias há mais um boato ou facto sobre a tal gripe. O consumo de carne de aves vai caindo, à medida que o medo vai subindo.
No outro dia, quase estupidamente, à primeira audição, alguém dizia que não percebia porque tinham tanto medo das aves e nenhum do tabaco. Aqueles pacotinhos onde vem anunciado um sem número de eventuais maleitas físicas. Eventuais, mas quase certas. Mais cedo ou mais tarde, elas aparecem.
Há uns anos tivémos medo das vacas. Agora temos medo dos patos.
As pessoas tornam-se cuidadosas à medida da facilidade dos cuidados.
Já toda a gente se vacinou contra a hepatite-B? Será assim tão caro e difícil ficar imunizado?
E toda a gente tem cuidados em relação ao sexo? Ou quando chega a tesão, a cabeça aquece de tal forma, que não há protecção?
Que dizer da condução de toda a gente? Acaso será difícil de perceber o que pode acontecer quando se conduz estouvadamente?
A caca do cãozinho que fica na rua ou no relvado não é um caso de saúde pública? Ou as pessoas voam como os patos sem tocar nos restos desses dejectos?

A doença é inevitável e chegará ao Homem, mais cedo ou mais tarde.
Não tenho assim tanto medo dos patos bravos que voam. Tenho mais medo dos outros...

2006-02-20

Pérfido

do Lat. perfidu

adj., que falta à fé jurada, à palavra;
traidor;
desleal;
aleivoso;
que revela traição.

DLPO

Blog in

Já passou um bocado a moda, mas ainda se está in se se tem blog. Quem não tem, está out.
Não haverá falta de leitores para tanto blog? Quase que diria que há mais escritores que leitores.
Talvez por efeito de colagem, se sinta um certo prestígio. Se eu tenho um blog e, por exemplo, o Pacheco Pereira também. Logo temos quase a mesma importância. Logo, eu, que sou um ser anónimo, passo a ter pretensões a ser alguém importante.
Às vezes mais que ser reconhecido, prefere-se ser conhecido. Qualquer publicidade é boa. Como vivemos num meio pequeno, o que talvez explique a pequenez de muita gente, toda a gente se conhece. Este meio lembra-me aqueles documentários sobre o comportamento dos símios: a malta gosta é de catar e de ser catado. É que, citando, uma jurista muito especial, "ninguém dá nada a ninguém"...

Alguém levará a mal?

Eu levo!
Nem quando era pequeno, ou talvez especialmente por ser pequeno, gostava do Carnaval. Talvez por me faltar a necessidade de me portar como um grande maluco ou de, simplesmente, me mascarar.
Aliás, associo a máscara à mentira e desprezo ambas. Sou capaz de desprezar um bocadinho menos as máscaras se souber o que está por detrás...
No entanto, até aceito que a malta precise de descomprimir. Desde que não me comprimam sem eu querer...
A culpa das necessidades carnavalescas deve casar com a opressão da rotina. Quem tem por rotina, não entrar em rotinas, não precisa do Carnaval.
Eu prefiro ir soltando a pressão, evitando assim o risco de explosão. E dou clara preferência ao alívio discreto. Que quase ninguém dá por isso. Sorrateiramente, deixo a pressão em excesso sair. Só quem estiver perto poderá assistir de local privilegiado a tal sopro...
Felizmente o Carnaval está um bocadinho mais civilizado, apesar de abrasileirado.

Por outro lado, até aprecio algumas das manifestações carnavalescas. Desde que a uma distância segura...

2006-02-12

Não me insultem

- Não és capaz de chamar filho da puta ao teu vizinho!
- Por que raio de razão haveria eu de o insultar dessa forma?
- Era só para lhe mostrar que poderias insultá-lo se quisesses.
- E porquê?
- Era giro vê-lo irritado. Mostravas a todos que não tinhas medo dele, apesar do seu comportamento primitivo.
- Ainda assim não vejo motivos para tal.
- É uma questão de liberdade de expressão!

Eu exprimo-me bem. Os outros são muito primitivos...

Dias e anos

Não compreendo a preocupação de algumas pessoas com a celebração do aniversário. Parece que envelhecem um ano num dia. Nesse dia, ficam mais velhas e demonstram o seu medo.
Não é de um dia para o outro que envelhecemos. É todos os dias que envelhecemos um pouco.
Alguém dizia-me: "Estou a aproximar-me dos trinta!"
Então e os que se estão a afastar dos trinta? Ou dos quarenta?
A idade passa sem que tenhamos grande mérito nisso. Quer façamos muito, quer nada façamos, o relógio não pára.
O que conta é o que fazemos. O que dizemos, voa com o vento. As intenções ficam registadas em blocos de gelo.
O que deixamos por fazer, pode moer-nos uma vida inteira.
A vida é complicada e não se simplifica com o passar dos anos. Apenas aprendemos a lidar com as situações.
Não há nada como aproveitar o momento, nem que seja no dia de anos. Daí a uns anos, estaremos menos moídos pelo que ficou por dizer/fazer.

2006-02-05

Um cão não tem razão

É bom ter um cão.
Um cão grande e feroz.
A mão alimenta o cão, para que ele se torne ainda maior e mais feroz.
Dá jeito ter um cão, que ponha em respeito os cães dos vizinhos.
Quanto mais assustador for o seu ladrar, mais respeito impõe.
Grave deve ser o ladrar.
Se isso não bastar, tem que estar disposto a morder.
A mão que alimenta o cão, acaricia-o e incentiva-o.
Um cão vencedor é um cão peão.
Se alguém parece ameaçar o dono, o cão enfurece-se e prepara-se para a luta.
O cão não pensa como o dono. Segue o seu instinto e a sua educação.

Um dia o cão morde a mão que o alimenta.
Nesse dia é o dono que se enfurece e deixa de alimentar o cão.

"Cabrão do cão, não me mordas mais a mão!"

Abandonado o cão vagueia atrás do dono à espera da reconciliação.
Esta acontecerá quando o dono voltar a precisar mais do cão que da mão...

2006-01-30

Aparafusar

Nem sei como vivi até hoje sem uma aparafusadora eléctrica. É quase caso para se escrever: havia vida pré-aparafusadora eléctrica e agora há vida...

Agora é aparafusar e desaparafusar a toda a hora, sem parar e quase sem esforço. Haja buracos onde aparafusar, e lá vou eu de aparafusadora em punho.

Antes desta aparafusadora, tinha que aparafusar à força de mão e braço. E quando era preciso aparafusar com mais força ou mais vezes, a mão e o braço ressentiam-se. Até os buracos pareciam apostados em dificultar-me a vida...

Agora não custa nada. É só recarregar a bateria e a aparafusadora está pronta para outra.

E agora perguntam vós, os dois, que ledes isto: a sua aparafusadora tem fio?

A isso respondo eu com um sorriso matreiro: a minha só tem fio no carregador!

Tinha que terminar isto com uma frase que tivesse mais piada em português que em inglês...

2006-01-29

O sistema

O sistema está por toda a parte.
Vamos a uma repartição pública e não podemos conhecer o nosso histórico. A culpa é do sistema! Toca a pegar nos fabulosos backups em papel...
Vamos actualizar as nossas dádivas de sangue mas os serviços de saúde não têm maneira de ler o cartão de dador. A culpa é do sistema!
Toca a pedir um papel que comprove a dádiva...
O nosso clube joga mal mas é prejudicado pela arbitragem. O dirigente afirma que a culpa é do sistema!
Toca a desculpar o mau desempenho da equipa...
Somos solicitados várias vezes a mostrar aos serviços da Segurança Social que descontámos naquele ano, mas noutra região...
Toca a levar o papelinho religiosamente guardado que demonstra os descontos. Parece que os dados não aparecem no sistema...
Queremos que o blog tenha bastantes visitas. Como isso não acontece, adivinhem de quem é a culpa...