2006-02-20

Pérfido

do Lat. perfidu

adj., que falta à fé jurada, à palavra;
traidor;
desleal;
aleivoso;
que revela traição.

DLPO

Blog in

Já passou um bocado a moda, mas ainda se está in se se tem blog. Quem não tem, está out.
Não haverá falta de leitores para tanto blog? Quase que diria que há mais escritores que leitores.
Talvez por efeito de colagem, se sinta um certo prestígio. Se eu tenho um blog e, por exemplo, o Pacheco Pereira também. Logo temos quase a mesma importância. Logo, eu, que sou um ser anónimo, passo a ter pretensões a ser alguém importante.
Às vezes mais que ser reconhecido, prefere-se ser conhecido. Qualquer publicidade é boa. Como vivemos num meio pequeno, o que talvez explique a pequenez de muita gente, toda a gente se conhece. Este meio lembra-me aqueles documentários sobre o comportamento dos símios: a malta gosta é de catar e de ser catado. É que, citando, uma jurista muito especial, "ninguém dá nada a ninguém"...

Alguém levará a mal?

Eu levo!
Nem quando era pequeno, ou talvez especialmente por ser pequeno, gostava do Carnaval. Talvez por me faltar a necessidade de me portar como um grande maluco ou de, simplesmente, me mascarar.
Aliás, associo a máscara à mentira e desprezo ambas. Sou capaz de desprezar um bocadinho menos as máscaras se souber o que está por detrás...
No entanto, até aceito que a malta precise de descomprimir. Desde que não me comprimam sem eu querer...
A culpa das necessidades carnavalescas deve casar com a opressão da rotina. Quem tem por rotina, não entrar em rotinas, não precisa do Carnaval.
Eu prefiro ir soltando a pressão, evitando assim o risco de explosão. E dou clara preferência ao alívio discreto. Que quase ninguém dá por isso. Sorrateiramente, deixo a pressão em excesso sair. Só quem estiver perto poderá assistir de local privilegiado a tal sopro...
Felizmente o Carnaval está um bocadinho mais civilizado, apesar de abrasileirado.

Por outro lado, até aprecio algumas das manifestações carnavalescas. Desde que a uma distância segura...

2006-02-12

Não me insultem

- Não és capaz de chamar filho da puta ao teu vizinho!
- Por que raio de razão haveria eu de o insultar dessa forma?
- Era só para lhe mostrar que poderias insultá-lo se quisesses.
- E porquê?
- Era giro vê-lo irritado. Mostravas a todos que não tinhas medo dele, apesar do seu comportamento primitivo.
- Ainda assim não vejo motivos para tal.
- É uma questão de liberdade de expressão!

Eu exprimo-me bem. Os outros são muito primitivos...

Dias e anos

Não compreendo a preocupação de algumas pessoas com a celebração do aniversário. Parece que envelhecem um ano num dia. Nesse dia, ficam mais velhas e demonstram o seu medo.
Não é de um dia para o outro que envelhecemos. É todos os dias que envelhecemos um pouco.
Alguém dizia-me: "Estou a aproximar-me dos trinta!"
Então e os que se estão a afastar dos trinta? Ou dos quarenta?
A idade passa sem que tenhamos grande mérito nisso. Quer façamos muito, quer nada façamos, o relógio não pára.
O que conta é o que fazemos. O que dizemos, voa com o vento. As intenções ficam registadas em blocos de gelo.
O que deixamos por fazer, pode moer-nos uma vida inteira.
A vida é complicada e não se simplifica com o passar dos anos. Apenas aprendemos a lidar com as situações.
Não há nada como aproveitar o momento, nem que seja no dia de anos. Daí a uns anos, estaremos menos moídos pelo que ficou por dizer/fazer.

2006-02-05

Um cão não tem razão

É bom ter um cão.
Um cão grande e feroz.
A mão alimenta o cão, para que ele se torne ainda maior e mais feroz.
Dá jeito ter um cão, que ponha em respeito os cães dos vizinhos.
Quanto mais assustador for o seu ladrar, mais respeito impõe.
Grave deve ser o ladrar.
Se isso não bastar, tem que estar disposto a morder.
A mão que alimenta o cão, acaricia-o e incentiva-o.
Um cão vencedor é um cão peão.
Se alguém parece ameaçar o dono, o cão enfurece-se e prepara-se para a luta.
O cão não pensa como o dono. Segue o seu instinto e a sua educação.

Um dia o cão morde a mão que o alimenta.
Nesse dia é o dono que se enfurece e deixa de alimentar o cão.

"Cabrão do cão, não me mordas mais a mão!"

Abandonado o cão vagueia atrás do dono à espera da reconciliação.
Esta acontecerá quando o dono voltar a precisar mais do cão que da mão...

2006-01-30

Aparafusar

Nem sei como vivi até hoje sem uma aparafusadora eléctrica. É quase caso para se escrever: havia vida pré-aparafusadora eléctrica e agora há vida...

Agora é aparafusar e desaparafusar a toda a hora, sem parar e quase sem esforço. Haja buracos onde aparafusar, e lá vou eu de aparafusadora em punho.

Antes desta aparafusadora, tinha que aparafusar à força de mão e braço. E quando era preciso aparafusar com mais força ou mais vezes, a mão e o braço ressentiam-se. Até os buracos pareciam apostados em dificultar-me a vida...

Agora não custa nada. É só recarregar a bateria e a aparafusadora está pronta para outra.

E agora perguntam vós, os dois, que ledes isto: a sua aparafusadora tem fio?

A isso respondo eu com um sorriso matreiro: a minha só tem fio no carregador!

Tinha que terminar isto com uma frase que tivesse mais piada em português que em inglês...

2006-01-29

O sistema

O sistema está por toda a parte.
Vamos a uma repartição pública e não podemos conhecer o nosso histórico. A culpa é do sistema! Toca a pegar nos fabulosos backups em papel...
Vamos actualizar as nossas dádivas de sangue mas os serviços de saúde não têm maneira de ler o cartão de dador. A culpa é do sistema!
Toca a pedir um papel que comprove a dádiva...
O nosso clube joga mal mas é prejudicado pela arbitragem. O dirigente afirma que a culpa é do sistema!
Toca a desculpar o mau desempenho da equipa...
Somos solicitados várias vezes a mostrar aos serviços da Segurança Social que descontámos naquele ano, mas noutra região...
Toca a levar o papelinho religiosamente guardado que demonstra os descontos. Parece que os dados não aparecem no sistema...
Queremos que o blog tenha bastantes visitas. Como isso não acontece, adivinhem de quem é a culpa...