2006-08-10

A Flor é bela

Assim parece ser. O sucesso não afectou a cabecinha. A cabecinha era assim antes do sucesso. Cheia de boas intenções. O que só por si não garante grande coisa.
As palavras parecem espontâneas, tal como os sentimentos. Tudo com um toque bastante ingénuo. Uma entrevista dela fez-me lembrar a explicação do Emanuel sobre as letras das suas músicas. Obviamente a maldade está em quem vê/ouve/lê. Os espíritos inocentes não têm malícia...
A malta entusiasma-se com coisa pouca. A procura desesperada de algo simples e belo pode levar ao encontro do disparate. O que vale ao crente é que Deus zela para que tudo corra bem. Pois Ele é verdadeiramente justo. Os maus serão castigados e os bons recompensados.
Alegrem-se chinesinhas e mulatinhos deste mundo: a Flor que é bela, espera conseguir adoptar um par de vós. Se for suficientemente rica, não fosse ter de abdicar de algumas coisas... Será que também quer adoptar outros animaizinhos? Se tudo correr bem haverão instituições para idosos e crianças. Pelo menos não serão para velhotes e putos...
Alegrem-se todos os outros pois está nos planos desta Flor vir a participar em novas telenovelas e programas infantis. Parece que há pouco disso na televisão portuguesa...

2006-07-15

Balanço final

Queria ter começado a escrever logo após o frango do Ricardo, mas acabei por começar a escrever também logo após o auto-golo de Petit. Não é completamente despropositado este haraquiri à portuguesa, dada a presença de árbitros japoneses... Não é apenas sobre estes maus momentos que escrevo. Temos a mania de passar de estados de euforia a estados de depressão suicida. De tentar fazer os outros passarem de bestiais a bestas. Tudo isto como grande facilidade.
Até parece que alguns se desligaram totalmente e deixaram a bandeira pendurada. Será a conquista de um terceiro lugar tão desmotivadora?!
Fiquei tão desmotivado que coloquei este texto completamente fora de tempo...

2006-07-02

Desejo domingueiro

Como estava ocupado, não me apercebi imediatamente do efeito que estava a causar nas minhas vizinhas. Quando me comecei a aperceber, fiquei espantado com o desejo estampado no rosto de cada uma delas. Mais tarde, percebi o motivo de tamanho desejo.
Estava à janela entretido. Mexia-me, mas não para provocar desejo. Mexia-me porque precisava. Só assim poderia terminar o serviço a que me tinha proposto. Enquanto abrandava para dar descanso ao braço, comecei a sentir-me observado. Observei também. Uma vizinha observava-me de um dos prédios vizinhos. Sorria, não conseguindo esconder o desejo. Talvez nem tentasse escondê-lo. Talvez desejasse que eu me apercebesse da necessidade e me oferecesse para a satisfazer. Lá em baixo, duas amigas conversavam. Uma delas olhava de vez em quando para mim, não parando de conversar. Tentei disfarçar, mas também olhei para ela. E a troca de olhares repetiu-se várias vezes...
Confesso que não consegui descortinar mais observadoras, mas elas iam aparecendo e desaparecendo das janelas e das varandas.
Alguns homens também me observaram por breves instantes. Diria que me olhavam com algum desprezo. Felizmente nenhuma das observadoras pareceu estar acompanhado pelo marido. Não quero problemas com a vizinhança.
Vou partilhar convosco a razão, que penso ter encontrado, para tanto desejo: elas queriam que eu lhes lavasse as janelas, tal como eu lavei as minhas...

Não sou homem de uma mulher só

Se depender apenas de mim, não serei homem de uma mulher só. Sempre que puder, acompanhá-la-ei. Sempre que puder, lembrar-lhe-ei que, ainda que momentaneamente ela esteja só, eu estarei sempre com ela.
Assim gostaria de ser, mas nem sempre o sou. Ou porque a deixo esquecer, ou porque me esqueço. Não dela. Mas de lhe lembrar do que sou e quero ser.
E quando deixar de a acompanhar ou ela deixar de me deixar acompanhá-la, procurarei outra que esteja só. E deixe de estar com a minha ajuda.
O natural não é ter uma mulher só: é ter uma mulher feliz. A felicidade não se alimenta da solidão...

2006-06-26

No Algarve também se trabalha

Apesar de me ter acontecido há já algum tempo, tema é ainda mais pertinente em tempo de Verão. Curiosamente, naquele dia, o Algarve parecia ser a região do país com o tempo pior. Leia-se com céu menos limpo e temperaturas mais amenas.
Ninguém leva a sério que alguém lhes diga que está no Algarve a trabalhar. Parece que ninguém trabalha no Algarve. No entanto, todos acabam por ser servidos, bem ou mal, quando para lá vão gozar uns dias de descanso. Se é que isso é possível nalgum lugar do litoral algarvio...
As respostas que se vão obtendo vão do “há ricos empregos”, ao “goza bem o sol”, passando pelo “boa praia”...
Confesso que até compreendo a dificuldade que há em perceber que há quem trabalhe no Algarve. Juntando as temperaturas elevadas e a proximidade da praia, há quantidade de gente que para lá vai para não fazer nada, de trabalho, é uma mistura brutal. E isto vai de encontro à minha teoria que a produtividade é inversamente proporcional à temperatura ambiente. Isto desde que tenhamos uma população com alguma dimensão. Em casos limite como nos desertos, com populações reduzidas, a produtividade até poderá ser elevada...
Pode ser desmoralizante trabalhar no mesmo local onde quase todos os outros se divertem...

Sardinhada

Já ouvi dizer que as mulheres querem-se como as sardinhas: pequeninas. Ou eu ouvi mal, esvaziando completamente este artigo, ou vou refutar essa afirmação. Obviamente, isto depende do gosto de cada um... Mas o meu é melhor que o dos outros. Basta que seja meu...
Eu gosto das sardinhas grandes. Nem é tanto o tamanho que interessa. Desde que sejam gordinhas. As gordinhas são as mais suculentas. Logo, normalmente, as mais gostosas. Desde que não estejam todas moídas...
Passando estas características para as mulheres, concluo que, se forem como as sardinhas, as melhores sejam as maiores. Pelo menos é dessas que eu gosto mais. No entanto, tal não significa que goste mais das mais gordas. Se bem que prefira um bocadinho de carne a mais, que carne a menos...

2006-06-15

A última cereja

Se se desconfia que o sabor de alguma cereja não é bom, não se deixa ficar para última. Se não está em condições de ser comida, é-lhe logo retirada essa possibilidade. Havendo boas possibilidades de ser comestível, acabará por ser comida. Mas não ficará guardada para última. Isso poderia provocar que um sabor menos bom perdurasse na língua. A última deverá ser a melhor. Tem que ser a melhor. É isso que esperamos dela.
Caso o não seja, teremos que procurar algo que faça esquecer aquele sabor...

2006-05-30

Complexo invejoso

Há uma tendência natural na espécie humana para ter inveja do sucesso de outrem. Poucos invejam o caminho a percorrer até ao sucesso. Normalmente por desconhecimento. Mas, ainda que o conhecimento chegasse aos invejosos, ainda menos invejariam o caminho. Quando vemos uma imagem de sucesso, não imaginamos o esforço que lhe deu origem. Não imaginamos os sacrifícios e a disciplina exigida. O invejoso prefere sonhar com o sucesso, sem ter o pesadelo do preço a pagar.
É natural: o invejoso só inveja aquilo que vê. Não pode invejar o que desconhece. Se conhecesse o percurso e estivesse disposto a pagar o preço, também poderia ser mais um exemplo de sucesso.
Alguém inveja os que tentaram e fracassaram? Esses pagaram o preço, sem chegarem a almejar o prémio. Os fracassados que fingem tentar, não merecem o sucesso que lhes escapa. E se ele até escapa dos esforçados...
Também desejo o sucesso. Mas não desejo o preço...

2006-05-21

A nossa selecção



Aqui vai a minha previsão para a nossa selecção. Aviso desde já as pessoas mais sensíveis que a previsão não é boa. E fundamento-a com a história.
Para começar, a nossa história de idas a campeonatos internacionais, apesar do entusiasmo que ultimamente nos assalta, não é longa nem boa.
Curiosamente, ou talvez não, é nos europeus que mais nos temos destacado. No único mundial onde nos destacámos pela positiva, ainda não tínhamos ido a um europeu. O que confirma a minha teoria...
A minha teoria diz que, uma boa prestação num europeu é contrariada dois anos depois num mundial.
O mundial de 66 não teve nenhum europeu precedente onde nos tivéssemos destacado. Daí o bom resultado.
A história diz que até nos portamos bem frente a selecções europeias, excepto em finais ou em fracções destas. O pior é que, nos mundiais, não apanhamos muitas dessas selecções. Tivéssemos nós um grupo recheado de selecções europeias e teríamos passado mais vezes à segunda fase do campeonato mundial.
Deixo ao leitor a magnífica tarefa de confirmar, ou desmentir, esta teoria com base em dados históricos.
Agora já se percebe a origem do meu pessimismo. Neste grupo, deste mundial, Portugal é a única selecção europeia do seu grupo...
A bandeira, made in China, já está na janela. Gostei do pormenor dela vir amarrotada e não poder ser passada a ferro. Também gostei de ver o pormenor das nossas armas. Os chineses aprendem rapidamente e gostam de satisfazer os seus clientes.
Agora só me falta a camisola de 66, de cor bastante mais viva, do meu tamanho, para sofrer condignamente mais uma humilhação mundial...

2006-05-20

Football fashion

Agora que as atenções estão viradas para mais uma competição futebolística, presta-se ainda mais atenção às jogadas fora de campo. Como se passa pouco e durante pouco tempo dentro do campo, a malta entretém-se com as novelas dos bastidores.
Ainda sou capaz de mandar a minha previsão sobre o percurso da selecção, neste campeonato que se adivinha. Para já, gostaria de desviar a atenção para o vírus da moda que atacou os jogadores. Aqueles óculos, estilo olhos de mosca, só poderiam provocar penteados daqueles. Quando eles se reúnem para os estágios, olham uns para os outros, e o resultado só poderia provocar cabelos arrepiados...

O trabalho liberta

Arbeit macht Frei – já em Dachau sabiam disso...
Presumo que esta frase não se aplique a trabalhadores por conta de outrem. Esses trabalham por necessidade e só ficam livres depois de ficarem incapazes, ou quase, de trabalharem. O que, nesta sociedade, onde o que importa é produzir e consumir, é quase o mesmo que ficar incapaz.
Curiosamente, também os que trabalham por conta própria estão ainda mais longe de serem livres. Não vivem do seu negócio. Vivem para o seu negócio.
Havendo uma obrigação, como é isso libertador? Havendo uma necessidade, onde está a liberdade?

Felizmente, há trabalhos que nos libertam dos trabalhos opressores...

2006-05-13

Sobrevivência

Sobrevivo diariamente, apenas para poder viver os dias, em que vivo verdadeiramente.

2006-05-11

Enxaquecas

Como toda a gente, gosto muito mais de quecas que de enxaquecas. No entanto, como ninguém consegue escolher aquilo que lhe passa pela cabeça...

2006-05-07

No sofá


(Recomendo para audição não apenas uma música, mas um álbum inteiro: “Bloody Kisses”Type O Negative)

Seria bom que mais dores de cabeça fossem curadas com sexo que sexo evitado com dores de cabeça. Curiosamente, o sexo costuma andar mais na cabeça que noutras partes do corpo.
Deitado no sofá, meditava.

E a cabeça fugia para o sexo... Uma situação perfeitamente normal, dado que é ela a primeira a partir em direcção ao sexo. Com sorte, o resto do corpo segui-la-á... Ainda com mais sorte, outro corpo a ele se juntará...

Aproveito para avisar os mais distraídos, ou ingénuos, que não é assim tão despropositada uma mensagem destas num dia destes.
Como julgam vós que a odisseia da vossa mãe, se tornar vossa mãe, começou?

2006-05-01

Sedução

Poderá alguém perguntar: quem seduz primeiro?
Poderá alguém afirmar?
Quem avança para a tentativa de sedução, já foi seduzido(a). O(A) sedutor(a) e o(a) seduzido(a) trocam de posições com muita facilidade. É natural que alguém detenha uma posição mais forte e a use a seu favor. Mas isso também joga a favor do(a) outro(a). E esse jogo pode ser apaixonante.
Tanto que há quem diga que apenas o jogo da sedução interessa. Depois da conquista, nada mais interessa. Eu não iria por aí. Também não iria tão longe. Fico aqui...

Dia do trabalhador

No dia do trabalhador, comemorei... Trabalhando!

2006-04-25

Incompreensão

Parece-me incompreensível que as pessoas pensem que algo é estúpido, sem compreenderem-no. Se tudo aquilo que as pessoas não sabem fosse estúpido, haveria tantas coisas estúpidas...

Acho uma estupidez que se qualifique de estúpido o que não se compreende.
Não compreendo isto...

2006-04-23

Desejo

- Olha! Vi uma estrela cadente.
- E pediste um desejo?
- Não. Limito-me a contemplar. A apreciar o momento.
- Eu também não pediria mais um desejo. Desejos já eu tenho muitos...

2006-04-21

O hóspede

Os gatos cheiram mal e largam pêlo...

Eu também, mas tomo banho sozinho e limpo o que sujo. E não cago nem mijo num caixote...

2006-04-20

DVDs rebeldes

Apesar de ultimamente não ter andado muito interessado em colocar mensagens, venho partilhar convosco a irritação que sinto quando sou obrigado a ver aquilo que o DVD quer que eu veja. Apesar de ser um objecto, logo, sem vontade própria, impõe a sua vontade. Ou melhor: a vontade de quem o criou. E parece não haver leitor que resista...
Queremos ver um filme, em suporte original e torna-se quase insuportável o que temos que esperar até vermos o desejado filme. Ele são avisos, ele são trailers, ele são, basicamente, a impossibilidade de aceder imediatamente ao menu do DVD. Às vezes alguns quase gozam connosco, ao permitirem a visualização rapidamente. Mas continuam sem nos permitir saltar a tal visualização.
Se eu não fosse obrigado, talvez visse melhor o que o DVD propõe antes do dito filme. Não somos obrigados a ver aqueles extras que lá colocam e não interessam a ninguém. No entanto, a curiosidade leva-nos a espreitá-los a todos. Nem que seja apenas para sabermos o que têm para mostrar. O interesse pode terminar aí ou, caso o extra tenha algum interesse, o que raramente acontece, poderá levar o espectador mais interessado a ver. E essa liberdade dá algum gozo.

Quem vê as edições ripadas, normalmente não tem destes problemas. Será que os editores querem incentivar as edições não oficiais? Eu gostava de os poder incentivar a não massacrar os espectadores com coisas pefeitamente desinteressantes...

Felizmente o botão eject não costuma falhar...