Provoca-me urticária sempre que oiço ou leio que determinada medida é simbólica porque permite poupar pouco dinheiro. Obviamente essas mentes iluminadas falam sobre o dinheiro alheio (ou julgado alheio). Porque se fosse directamente do próprio, teriam menos objecções. E gostariam que tal medida poupasse ainda mais alguns cêntimos.
Nunca ouvi falar de alguém que tivesse amealhado fortuna desperdiçando uns cêntimos aqui e mais uns cêntimos acolá (ou centavos). Mas já ouvi falar de quem, tendo a fortuna vindo parar-lhe ao colo, a tenha esbanjado por não olhar às despesas. Gente que não poupou no desperdício, poupando pensamentos sobre como, cêntimo a cêntimo, a fortuna lhe escapava. Nem sequer por entre os dedos, dado que nada tentavam agarrar.
Talvez falte a certa gente a perspectiva que o acumular de riqueza é o somatório de muitos cêntimos (a Matemática nesta terra é muitas vezes desprezada).
É claro que não basta ser sovina para se ficar rico. Será necessário mas não suficiente, que os cêntimos acumulados se multipliquem de forma quase bíblica. Mas qualquer indivíduo ou corporação que tenha enriquecido, sabe que é preciso estancar a fuga dos cêntimos para situações de desperdício ou para os bolsos dos adversários.
Tal como uma torneira que pinga parece não desperdiçar muito, acumulando metros cúbicos ao longo do tempo, os nossos governantes acharam sempre que poupar cêntimos (ou centavos) seria desprestigiantes. E nunca se aperceberam das piscinas que poderiam ter enchido (excluindo as deles e dos amigos). Poderia assim o povo banhar-se ao invés de permitir que alguns aspirantes a Tio Patinhas tivessem enchido as suas caixas-forte...
2011-07-26
2011-06-27
Mudanças
Aparentemente o SEF precisou de mudar de instalações. Uma situação obviamente inadiável.
Depois de devidamente ponderadas todas as soluções (ninguém muda de casa sem pensar seriamente nas vantagens e desvantagens da mudança), optou-se por vender por 6 milhões de euros o edifício onde o SEF morava e alugar nova casa.
Poderá parecer estranha a situação de vender uma casa para alugar outra na mesma localidade. Certamente houve razões fortes para isso.
A solução passou por alugar uma casa mais pequena por 1 milhão de euros por ano.
Talvez até uma criança formada no atual ensino básico saiba calcular ao fim de quantos anos se fica a gastar mais que tendo ficado no edifício original.
Como se não bastasse, foi necessário recorrer a obras de adaptação do novo edifício alugado. Mais 2 milhões para as adaptações,
mais outro milhão para arranjos na zona envolvente. A conta foi subindo. Depois de tantas obras e tantas mudanças, chegou-se à conclusão que não havia espaço para a informática. A solução é diabolicamente estúpida. Alugaram-se dois pisos no edifício original do SEF pela módica quantia de 1 milhão de euros por ano (mais o milhão do edifício novo, a conta passou para dois milhões por ano).
Valerá a pena perguntar a uma criança se a solução acabou em prejuízo para o prestígio e para os cofres do Estado?
Parece que continuam a aparecer alguns privilegiados que fazem bons negócios ao mesmo tempo que o Estado faz negócios ruinosos. Curiosamente são os mesmos negócios.
Também parece que ninguém será responsabilizado pela situação. Ninguém irá parar à cadeia e, caso seja despedido, provavelmente ainda levará alguma indemnização e irá trabalhar para os tais que fazem tão bons negócios com o Estado.
Se podíamos mudar? Poder podíamos, mas não seria a mesma coisa...
Depois de devidamente ponderadas todas as soluções (ninguém muda de casa sem pensar seriamente nas vantagens e desvantagens da mudança), optou-se por vender por 6 milhões de euros o edifício onde o SEF morava e alugar nova casa.
Poderá parecer estranha a situação de vender uma casa para alugar outra na mesma localidade. Certamente houve razões fortes para isso.
A solução passou por alugar uma casa mais pequena por 1 milhão de euros por ano.
Talvez até uma criança formada no atual ensino básico saiba calcular ao fim de quantos anos se fica a gastar mais que tendo ficado no edifício original.
Como se não bastasse, foi necessário recorrer a obras de adaptação do novo edifício alugado. Mais 2 milhões para as adaptações,
mais outro milhão para arranjos na zona envolvente. A conta foi subindo. Depois de tantas obras e tantas mudanças, chegou-se à conclusão que não havia espaço para a informática. A solução é diabolicamente estúpida. Alugaram-se dois pisos no edifício original do SEF pela módica quantia de 1 milhão de euros por ano (mais o milhão do edifício novo, a conta passou para dois milhões por ano).
Valerá a pena perguntar a uma criança se a solução acabou em prejuízo para o prestígio e para os cofres do Estado?
Parece que continuam a aparecer alguns privilegiados que fazem bons negócios ao mesmo tempo que o Estado faz negócios ruinosos. Curiosamente são os mesmos negócios.
Também parece que ninguém será responsabilizado pela situação. Ninguém irá parar à cadeia e, caso seja despedido, provavelmente ainda levará alguma indemnização e irá trabalhar para os tais que fazem tão bons negócios com o Estado.
Se podíamos mudar? Poder podíamos, mas não seria a mesma coisa...
2011-06-07
Pepinos, nabos e outros vegetais
Compreendendo que alguns pepinos, nabos e outros vegetais tenham entrado em paranoia, principalmente se estiverem nas proximidades geográficas. Custa-me a compreender que tantos tenham sido levados ao pânico, estando tão longe e tão afastados da realidade.
Ao ver a rama dos outros a arder, é natural que ponham as suas de molho.
No entanto, atendendo às notícias que circulam céleres, não parece haver causa para alarme, atendendo ao reduzido número de óbitos e até de diarreias explosivas. Sem qualquer desconsideração pelos desafortunados que acertaram em todos os números desta lotaria.
Não vejo tanta preocupação com a redução do consumo de gordura, açúcar, sal, cafeína, tabaco, perante a pandemias da obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, acidentes vasculares, doenças pulmonares, etc.
Parece que umas dezenas de casos por centenas de milhões de habitantes é motivo de grande preocupação, contrariando a falta de preocupação generalizada por outras pandemias mais palpáveis. É motivo para o gordo dedo alemão apontar para os mirrados pepinos e tomates latinos. Provavelmente ainda apontará para alguns hábitos de higiene menos cuidados de alguns turcos (os tais dos banhos).
Parece que os pepinos, os nabos e os outros vegetais não fazem o paralelo entre as notícias dos jornais e as conferências dos responsáveis pela saúde há pouco tempo atrás...
Ao ver a rama dos outros a arder, é natural que ponham as suas de molho.
No entanto, atendendo às notícias que circulam céleres, não parece haver causa para alarme, atendendo ao reduzido número de óbitos e até de diarreias explosivas. Sem qualquer desconsideração pelos desafortunados que acertaram em todos os números desta lotaria.
Não vejo tanta preocupação com a redução do consumo de gordura, açúcar, sal, cafeína, tabaco, perante a pandemias da obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, acidentes vasculares, doenças pulmonares, etc.
Parece que umas dezenas de casos por centenas de milhões de habitantes é motivo de grande preocupação, contrariando a falta de preocupação generalizada por outras pandemias mais palpáveis. É motivo para o gordo dedo alemão apontar para os mirrados pepinos e tomates latinos. Provavelmente ainda apontará para alguns hábitos de higiene menos cuidados de alguns turcos (os tais dos banhos).
Parece que os pepinos, os nabos e os outros vegetais não fazem o paralelo entre as notícias dos jornais e as conferências dos responsáveis pela saúde há pouco tempo atrás...
2011-05-31
Tacada anal
Num assunto tão sério e pertinente, nem as miúdas conseguem ficar sérias.
One more time...
2011-05-26
Provocação por vocação
Apesar de muitas vezes nos contentarmos com as coisas mais fáceis, costumamos admirar as que dão luta. As que, a cada acção, reagem. Ainda que a imprevisibilidade não seja garantida, a reacção garante a satisfação.
Quanto maior a reacção, mais gozo nos trará a acção. Desde os impulsos patológicos, até ao sentimento de dever cumprido, muitas cores tem esta paleta resultante do antagonismo. A confrontação é inerente à condição humana. Seja de forma subtil, ou até mesmo, violenta, é uma pulsão à qual não podemos resistir. Provavelmente com raízes no pecado original, acompanhou a evolução da vida. E está presente mesmo nas mais simples formas de vida.
O Homem tem refinado, muitas vezes com requintes de malvadez, esta necessidade de tentar vergar o outro à sua vontade. E quando mais o outro resiste, maior é o prazer de o ver vergado. Se vergar não bastar, vergasta-se.
Mesmo apenas com as palavras a tentação de tentar vencer uma argumentação é esmagadora.
Correndo o risco de abusar do adjectivo, perfidamente, gosto de provocar. Não apenas com o objectivo de vergar os outros, obrigando-os a partilhar a mesma visão, mas tentando dar-lhes a conhecer outro ponto de vista. E cada vez que conseguir alargar os horizontes, mesmo sem o meu conhecimento, terei cumprido o meu objectivo.
Apesar de detestar a advocacia, sentir-me-ei sempre confortável com a beca de advogado do diabo. Ou não fosse ele a dominar e o principal responsável por este estado de ansiedade, esta pressa de vergar, de fugir à verdade...
Quanto maior a reacção, mais gozo nos trará a acção. Desde os impulsos patológicos, até ao sentimento de dever cumprido, muitas cores tem esta paleta resultante do antagonismo. A confrontação é inerente à condição humana. Seja de forma subtil, ou até mesmo, violenta, é uma pulsão à qual não podemos resistir. Provavelmente com raízes no pecado original, acompanhou a evolução da vida. E está presente mesmo nas mais simples formas de vida.
O Homem tem refinado, muitas vezes com requintes de malvadez, esta necessidade de tentar vergar o outro à sua vontade. E quando mais o outro resiste, maior é o prazer de o ver vergado. Se vergar não bastar, vergasta-se.
Mesmo apenas com as palavras a tentação de tentar vencer uma argumentação é esmagadora.
Correndo o risco de abusar do adjectivo, perfidamente, gosto de provocar. Não apenas com o objectivo de vergar os outros, obrigando-os a partilhar a mesma visão, mas tentando dar-lhes a conhecer outro ponto de vista. E cada vez que conseguir alargar os horizontes, mesmo sem o meu conhecimento, terei cumprido o meu objectivo.
Apesar de detestar a advocacia, sentir-me-ei sempre confortável com a beca de advogado do diabo. Ou não fosse ele a dominar e o principal responsável por este estado de ansiedade, esta pressa de vergar, de fugir à verdade...
2011-05-19
O desmame
Que não haja qualquer dúvida. Largar a teta custa muito. Sabe bem melhor beber o leite, que nem exige mastigar, que comer coisas sólidas e secas. Isto para nem sequer chegar a lamber o pacote...
Regressando à vaca fria, que é como ela fica depois de ficar sem leite, o chupista continua a chupar. Continua a chupar sem qualquer preocupação com a teta seca. Sem sequer reparar que de tanto chupar, está a maltratar a teta que tão bem o alimentou.
O medo apodera-se do mamão. Ele teme aquilo que parece ser o início de ter que se tornar independente. O desconhecido retira-o da sua zona de conforto. O conforto é ficar agarrado à mama, chupando na teta.
Não adivinha que tudo aquilo que conquistar sozinho, terá mais valor, mesmo que se trate de uma pequena conquista. Qualquer passo sem apoio toma dimensão de conquista espacial. O maior problema de quem está agarrado à mama é não ganhar a noção do que está para além. A falta de visão da realidade.
O desmamado resiste à mudança. Procura loucamente regressar à familiar mama. Mesmo que a realidade da teta seca seja inegável, ele persiste em tentar manter o status quo contra tudo e contra todos. E se alguém lhe disser que poderá continuar a mamar como sempre fez, terá ganhado um cego seguidor. E ai de quem lhe disser que chegou a altura de largar a teta e desenrascar-se sozinho...
Regressando à vaca fria, que é como ela fica depois de ficar sem leite, o chupista continua a chupar. Continua a chupar sem qualquer preocupação com a teta seca. Sem sequer reparar que de tanto chupar, está a maltratar a teta que tão bem o alimentou.
O medo apodera-se do mamão. Ele teme aquilo que parece ser o início de ter que se tornar independente. O desconhecido retira-o da sua zona de conforto. O conforto é ficar agarrado à mama, chupando na teta.
Não adivinha que tudo aquilo que conquistar sozinho, terá mais valor, mesmo que se trate de uma pequena conquista. Qualquer passo sem apoio toma dimensão de conquista espacial. O maior problema de quem está agarrado à mama é não ganhar a noção do que está para além. A falta de visão da realidade.
O desmamado resiste à mudança. Procura loucamente regressar à familiar mama. Mesmo que a realidade da teta seca seja inegável, ele persiste em tentar manter o status quo contra tudo e contra todos. E se alguém lhe disser que poderá continuar a mamar como sempre fez, terá ganhado um cego seguidor. E ai de quem lhe disser que chegou a altura de largar a teta e desenrascar-se sozinho...
2011-04-15
O descanso da crise
Tanta crise, tantas intervenções externas e internas.
Tantos maus augúrios, tantos sacrifícios prometidos.
Numa época em que muitos dizem que o trabalho nos libertará e salvará deste infortúnio em que caímos, muitos ficam saturados e assoberbados. A época é de grande gravidade. O momento deve ser de poupança e contenção.
Vamos de férias que os miúdos já lá estão...
Tantos maus augúrios, tantos sacrifícios prometidos.
Numa época em que muitos dizem que o trabalho nos libertará e salvará deste infortúnio em que caímos, muitos ficam saturados e assoberbados. A época é de grande gravidade. O momento deve ser de poupança e contenção.
Vamos de férias que os miúdos já lá estão...
2011-04-06
Rectângulo pedinchão
Finalmente o rectangulozinho cá veio pedir ajuda. E veio prevenido? Trouxe alguma coisa para levar a ajuda? Trouxe algum saco? Não?!
Então lá terá que levá-la no pacote!
Então lá terá que levá-la no pacote!
2011-04-05
Fisga Pobres Padrão & Humores
A agência de anotações Fisga Pobres Padrão & Humores, alterou a nota da República dos Bananas para B A BÁ, que é como quem diz, não se gasta mais dinheiro do que aquele que se tem ou se prevê, num intervalo razoável de tempo, vir a ter.
Em resposta, os habitantes desta República dos Bananas alteraram o seu comportamento. Passaram a pagar os seus compromissos a tempo. Quem tinha um dinheiro de parte efectuou amortizações extraordinárias.
O recurso à Justiça foi reduzido, permitindo libertar recursos para actividades mais rentáveis.
Muitos advogados, legisladores e outros bichos do papel foram dispensados e tiveram que se dedicar a outras actividades mais produtivas.
Os Bananas passaram a utilizar mais os transportes públicos tanto por razões ambientais como por terem percebido que os chamados combustíveis fósseis, serão cada vez mais escassos face ao aumento da procura mundial, e o seu preço continuará naturalmente a subir.
Todos passaram a chegar a horas aos seus compromissos e a serem de tal modo sintéticos que a duração destes compromissos reduziu-se drasticamente, permitindo ganhar tempo. E todos sabemos que tempo é dinheiro...
O governo demitiu-se, permitindo que esta República possa demonstrar que o seu lema, "Não nos governamos nem nos deixamos governar", está ultrapassado e a precisar de ser substituído...
Em resposta, os habitantes desta República dos Bananas alteraram o seu comportamento. Passaram a pagar os seus compromissos a tempo. Quem tinha um dinheiro de parte efectuou amortizações extraordinárias.
O recurso à Justiça foi reduzido, permitindo libertar recursos para actividades mais rentáveis.
Muitos advogados, legisladores e outros bichos do papel foram dispensados e tiveram que se dedicar a outras actividades mais produtivas.
Os Bananas passaram a utilizar mais os transportes públicos tanto por razões ambientais como por terem percebido que os chamados combustíveis fósseis, serão cada vez mais escassos face ao aumento da procura mundial, e o seu preço continuará naturalmente a subir.
Todos passaram a chegar a horas aos seus compromissos e a serem de tal modo sintéticos que a duração destes compromissos reduziu-se drasticamente, permitindo ganhar tempo. E todos sabemos que tempo é dinheiro...
O governo demitiu-se, permitindo que esta República possa demonstrar que o seu lema, "Não nos governamos nem nos deixamos governar", está ultrapassado e a precisar de ser substituído...
2011-03-20
Emplastros do nosso descontentamento
Cada vez mais me convenço que os Homens da luta estão para as manifestações como o Emplastro está para uma entrevista na rua (na zona do grande Porto).
Parece que, qual abelhas atraídas pela doçura de um néctar, também estes homens são atraídos pelo aroma do descontentamento. Caricaturas anacrónicas, popularizadas ao fim de algum tempo de destilação no alambique que é a SIC Radical. Saltaram para o estrelato recentemente, colando-se ao descontentamento legítimo, ajudaram a inebriar os descontentes. Ao mesmo tempo servem de distracção de qualidade duvidosa que a malta mais nova aprendeu a apreciar. Tal como um qualquer Zé Cabra numa qualquer semana académica suscitasse animação e alegria, estes Homens da luta terão os seus meses de glória. Depois serão remetidos para um recanto escondido da nossa memória colectiva.
O descontentamento poderá ser bom se provocar uma onda de regeneração do nosso país. Enquanto for semelhante a uma birra de um qualquer miúdo mimado perante algo que contraria a sua vontade, não chega.
Fiquei com os ouvidos cheios de tantos jovens qualificados que se encontram à mercê de exploradores, porque não foram capazes de resolver o problema da criação do seu próprio posto de trabalho. Não souberam capitalizar o seu lado artístico num qualquer programa de apanhados mal amanhados e ressurgirem como ícones do protesto social.
Talvez porque as gerações imediatamente anteriores, fartas de trabalhar por vidas melhores, resolveram oferecer a esta tudo numa bandeja de prata, ocultando que só o trabalho é fonte de progresso. E quanto mais organizado e focalizado for, mais produtivo se tornará e mais postos de trabalho e riqueza gerará.
Mas não há dúvida que também temos que destruir e reconstruir este monstro estatal que nos suga de todas as maneiras e feitios...
Parece que, qual abelhas atraídas pela doçura de um néctar, também estes homens são atraídos pelo aroma do descontentamento. Caricaturas anacrónicas, popularizadas ao fim de algum tempo de destilação no alambique que é a SIC Radical. Saltaram para o estrelato recentemente, colando-se ao descontentamento legítimo, ajudaram a inebriar os descontentes. Ao mesmo tempo servem de distracção de qualidade duvidosa que a malta mais nova aprendeu a apreciar. Tal como um qualquer Zé Cabra numa qualquer semana académica suscitasse animação e alegria, estes Homens da luta terão os seus meses de glória. Depois serão remetidos para um recanto escondido da nossa memória colectiva.
O descontentamento poderá ser bom se provocar uma onda de regeneração do nosso país. Enquanto for semelhante a uma birra de um qualquer miúdo mimado perante algo que contraria a sua vontade, não chega.
Fiquei com os ouvidos cheios de tantos jovens qualificados que se encontram à mercê de exploradores, porque não foram capazes de resolver o problema da criação do seu próprio posto de trabalho. Não souberam capitalizar o seu lado artístico num qualquer programa de apanhados mal amanhados e ressurgirem como ícones do protesto social.
Talvez porque as gerações imediatamente anteriores, fartas de trabalhar por vidas melhores, resolveram oferecer a esta tudo numa bandeja de prata, ocultando que só o trabalho é fonte de progresso. E quanto mais organizado e focalizado for, mais produtivo se tornará e mais postos de trabalho e riqueza gerará.
Mas não há dúvida que também temos que destruir e reconstruir este monstro estatal que nos suga de todas as maneiras e feitios...
2011-03-08
Com a miséria dos outros podemos nós bem
Vivemos bem porque pertencemos a uma minoria da população mundial. Uma minoria bem sucedida que nem imagina como a maioria (sobre)vive.
Numa época em que a pressão sobre os recursos mundiais ainda é, para nós, suportável, choramingamos quando nos falta dinheiro para comprarmos mais umas coisas. Muitas das quais perfeitamente dispensáveis, tal como o são as coisas supérfluas.
Uma crise aqui, uma guerra ali, um furacão acolá, um terramoto além. São as desculpas para um facto indesmentível: os recursos mundiais não chegam para todos. Não chegam para todos viverem como nós.
E nem sequer é necessário que entre na equação as chamadas alterações climáticas.
Basta ver o desenvolvimento rápido que se vai sucedendo nalguns países do globo. As populações exigem e pagam para viver como a nossa minoria. E esse desejo, que não podemos, independentemente da nossa vontade, cercear, aumentará ainda mais a pressão sobre os recursos. E se a nossa minoria é tão pouco eficiente sobre os mais diversos aspectos, como vamos obrigar a maioria a não cometer os mesmos erros? Impedir que se tornem tão esbanjadores como nós?
A maioria não vai aceitar por muito mais tempo que uma minoria viva bem, enquanto ela vive na miséria...
Numa época em que a pressão sobre os recursos mundiais ainda é, para nós, suportável, choramingamos quando nos falta dinheiro para comprarmos mais umas coisas. Muitas das quais perfeitamente dispensáveis, tal como o são as coisas supérfluas.
Uma crise aqui, uma guerra ali, um furacão acolá, um terramoto além. São as desculpas para um facto indesmentível: os recursos mundiais não chegam para todos. Não chegam para todos viverem como nós.
E nem sequer é necessário que entre na equação as chamadas alterações climáticas.
Basta ver o desenvolvimento rápido que se vai sucedendo nalguns países do globo. As populações exigem e pagam para viver como a nossa minoria. E esse desejo, que não podemos, independentemente da nossa vontade, cercear, aumentará ainda mais a pressão sobre os recursos. E se a nossa minoria é tão pouco eficiente sobre os mais diversos aspectos, como vamos obrigar a maioria a não cometer os mesmos erros? Impedir que se tornem tão esbanjadores como nós?
A maioria não vai aceitar por muito mais tempo que uma minoria viva bem, enquanto ela vive na miséria...
2011-02-13
Podridão mumificada
O cheiro da podridão alerta. Desperta a atenção e aguça a repulsa.
Independentemente do sentimento de que algo não está bem, a ausência não acalma nem conforta. Para se realizar uma autópsia é necessário um cadáver e para se fugir da podridão é necessário que haja odor.
Se em vez de apodrecer, ainda que lentamente, mumificar, os sinais de alerta serão menos óbvios. Sente-se que algo não está bem, mas, sem um faro apurado, falta um mau cheiro pujante que salte ao nariz. Que obrigue a dar um murro na mesa. Que inequivocamente assinale o fim. Que marque o início do luto. Que obrigue à realização do funeral. Para que a vida possa continuar. Para que a análise se faça e a reflexão produza frutos.
O que esteve mal, não deve repetir.
A vida é demasiado importante para que os mesmos erros sejam cometidos com outras pessoas. Não importa se se trata de nove anos ou de nove meses...
Independentemente do sentimento de que algo não está bem, a ausência não acalma nem conforta. Para se realizar uma autópsia é necessário um cadáver e para se fugir da podridão é necessário que haja odor.
Se em vez de apodrecer, ainda que lentamente, mumificar, os sinais de alerta serão menos óbvios. Sente-se que algo não está bem, mas, sem um faro apurado, falta um mau cheiro pujante que salte ao nariz. Que obrigue a dar um murro na mesa. Que inequivocamente assinale o fim. Que marque o início do luto. Que obrigue à realização do funeral. Para que a vida possa continuar. Para que a análise se faça e a reflexão produza frutos.
O que esteve mal, não deve repetir.
A vida é demasiado importante para que os mesmos erros sejam cometidos com outras pessoas. Não importa se se trata de nove anos ou de nove meses...
2011-01-23
A responsabilidade das responsabilidades
Sou tão responsável que tento não assumir responsabilidades. Com cada nova responsabilidade, vem um peso que tende a arrastar a vida para o fundo.
As responsabilidades pesam nos ombros, carregam os sobrolhos, entristecem as expressões.
Obviamente a recusa de todas as responsabilidades é uma irresponsabilidade. Elas aparecem, mesmo sem serem por nós chamadas. E não lhes podemos virar as costas, por mais que nos sintamos tentados. Outros, e nós próprios, dependemos da forma como elas são tratadas.
Devem ser colocadas por ordem de prioridade e mais não devem entrar após a lotação estar completa.
Só assim responsavelmente se poderá viver feliz, no meio das responsabilidades.
As responsabilidades pesam nos ombros, carregam os sobrolhos, entristecem as expressões.
Obviamente a recusa de todas as responsabilidades é uma irresponsabilidade. Elas aparecem, mesmo sem serem por nós chamadas. E não lhes podemos virar as costas, por mais que nos sintamos tentados. Outros, e nós próprios, dependemos da forma como elas são tratadas.
Devem ser colocadas por ordem de prioridade e mais não devem entrar após a lotação estar completa.
Só assim responsavelmente se poderá viver feliz, no meio das responsabilidades.
2011-01-07
Donzelas muito puras
Desconfio sempre das donzelas que se dizem tão puras, tão puras, tão puras, que mais nenhuma atinge o mesmo grau de pureza.
Não é natural, nem digno que alguém sinta necessidade de se adjectivar com tanta veemência.
E reparem como basta um pequeno deslize do dedo para que se passe de muito pura, para outra coisa menos digna...
Não é natural, nem digno que alguém sinta necessidade de se adjectivar com tanta veemência.
E reparem como basta um pequeno deslize do dedo para que se passe de muito pura, para outra coisa menos digna...
2010-12-08
Coleccionadores recolectores exibicionistas
Os meios de comunicação estão cada vez mais ao nosso dispor e não é por isso que são melhor utilizados. A comunicação entre as pessoas tornou-se ubíqua, não se tornando melhor e mais fácil.
Com as chamadas redes sociais juntou-se a fome com a vontade de comer. Juntou-se quem quer ver, com quem quer ser visto. Anonimamente ou explicitamente, vê-se, analisa-se, avalia-se, mostra-se. Ser bem visto é mais importante que ver.
Vê-se o amigo do amigo do amigo. Aparentemente, nosso amigo é. Mesmo que cara a cara não houvesse diálogo ou um simples cumprimento, naquele tipo de rede, todos são peixe. E o cabaz vai enchendo de caras, caretas e caraças.
Opina-se sobre tudo e sobre nada. Jogam-se jogos onde mais que a destreza, a assiduidade é compensada. E tipicamente assinala-se que gostamos disto ou daquilo. Mesmo que seja um marco de má memória, ou gostamos ou não nos pronunciamos.
Coleccionam-se perfis. Recolhem-se comentários vazios. Exibem-se facetas das nossas vidas.
Com as chamadas redes sociais juntou-se a fome com a vontade de comer. Juntou-se quem quer ver, com quem quer ser visto. Anonimamente ou explicitamente, vê-se, analisa-se, avalia-se, mostra-se. Ser bem visto é mais importante que ver.
Vê-se o amigo do amigo do amigo. Aparentemente, nosso amigo é. Mesmo que cara a cara não houvesse diálogo ou um simples cumprimento, naquele tipo de rede, todos são peixe. E o cabaz vai enchendo de caras, caretas e caraças.
Opina-se sobre tudo e sobre nada. Jogam-se jogos onde mais que a destreza, a assiduidade é compensada. E tipicamente assinala-se que gostamos disto ou daquilo. Mesmo que seja um marco de má memória, ou gostamos ou não nos pronunciamos.
Coleccionam-se perfis. Recolhem-se comentários vazios. Exibem-se facetas das nossas vidas.
2010-11-21
Sabedoria popular?
Como devagar se vai ao longe e quanto mais depressa, mais devagar, quanto mais depressa mais ao longe se chega.
E está a andar de mota...
E está a andar de mota...
2010-11-17
Desta para melhor
Nem os velórios, nem os funerais, na nossa cultura, são momentos de alegria. Quer seja porque simplesmente o nosso sentido de humor não abrange uma coisa tão natural como a morte, quer seja pelo nosso egoísmo em não querermos deixar partir o defunto porque nos faz falta, quer seja porque não acreditamos verdadeiramente que se foi desta para melhor.
No fim de semana passado lembrei-me do tio António. Lembrei-me em particular da forma respeitosa e ao mesmo tempo divertida com que ía a um velório. Sabendo de antemão as horas em que as pessoas começam a dispersar, chegava sempre mais tarde que a maioria. Prevenido para a chuva ou para o frio, acompanhava os familiares durante a noite. E tinha sempre alguma anedota para aliviar o ambiente.
A vida terminada após ter sido longa e frutuosa. Três gerações de descendentes. Alguns bens materiais para ajudar os descendentes. Do que mais me lembrei foi que, tal como na vida, ninguém o substituiu no seu velório...
No fim de semana passado lembrei-me do tio António. Lembrei-me em particular da forma respeitosa e ao mesmo tempo divertida com que ía a um velório. Sabendo de antemão as horas em que as pessoas começam a dispersar, chegava sempre mais tarde que a maioria. Prevenido para a chuva ou para o frio, acompanhava os familiares durante a noite. E tinha sempre alguma anedota para aliviar o ambiente.
A vida terminada após ter sido longa e frutuosa. Três gerações de descendentes. Alguns bens materiais para ajudar os descendentes. Do que mais me lembrei foi que, tal como na vida, ninguém o substituiu no seu velório...
2010-10-15
Penetras
Aparentemente, Portugal tem uma fraca penetração doméstica na Internet.
Mas passa a mensagem que Portugal tem muitos utilizadores da Internet.
Até por questões de necessidade, somos empurrados para uma utilização cada vez maior.
Ou, apesar de maior, não é suficientemente grande, ou a maior parte da penetração acontece fora de casa.
Há uma cambada de penetras que utilizam o horário de trabalho. Talvez não apenas para penetrações laborais. Talvez para penetrações lúdicas.
A promessa das larguras cada vez maiores da banda, não convencem a maior parte da população, que navega para outras bandas menos cibernáuticas. Em compensação, os convencidos são tantos e muito laboriosos. É um fartar de penetração, o destes penetras, quer na sua casa, quer na dos outros...
Mas passa a mensagem que Portugal tem muitos utilizadores da Internet.
Até por questões de necessidade, somos empurrados para uma utilização cada vez maior.
Ou, apesar de maior, não é suficientemente grande, ou a maior parte da penetração acontece fora de casa.
Há uma cambada de penetras que utilizam o horário de trabalho. Talvez não apenas para penetrações laborais. Talvez para penetrações lúdicas.
A promessa das larguras cada vez maiores da banda, não convencem a maior parte da população, que navega para outras bandas menos cibernáuticas. Em compensação, os convencidos são tantos e muito laboriosos. É um fartar de penetração, o destes penetras, quer na sua casa, quer na dos outros...
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