Dizem as más línguas, e todos nós sabemos como estas nos podem deixar tristes ou frustrados, que a cassete de vídeo betamax perdeu a guerra contra a VHS devido à pornografia. Poderão os leitores mais velhos perguntar o que é isso do betamax? E os mais novos perguntar, além disso, o que é isso da cassete? Aconselho a ambos que procurem. Nem que seja na famigerada Wikipedia.
O betamax apresentava um tamanho menor, maior qualidade de imagem, maior rapidez na utilização e um licenciamento muito limitado. Praticamente só a Sony vendia leitores. O VHS apresentava maior duração e uma maior liberdade de fabrico e venda.
Depois dos esclarecimentos providenciados pela pesquisa, os leitores poderão voltar à carga. E onde aparece a pornografia? Espero que uma questão colocada sem um ar demasiado sôfrego, ou alguém poderá ser levado a pensar que isso é o que realmente lhes importa.
É que a Sony, nunca quis licenciar o formato para a produção de filmes pornográficos. Logo, enquanto que no início num clube de vídeo (sim, porque antigamente não estavam dentro das caixas ligadas às televisões), aparecia a pergunta para os outros filmes se preferia em formato beta ou VHS. Essa questão nunca se colocou para os filmes guardados naquela zona mais recatada do clube. Onde até as capas eram apenas «discretamente» coloridas. Desprovidas das imagens dos filmes, as quais estavam censuradamente guardadas no interior da caixa da cassete.
O erro não se repetiu com o formato blu-ray. A Sony possui uma editora, enfiou discretamente leitores blu-ray em casa dos jogadores das consolas Playstation 3, permite que outros fabricantes vendam leitores e já licenciou o formato para editoras de filmes para adultos.
Aparentemente a empresa da maçã mordida, parece querer manter fora da sua store o fruto proibido da pornografia. Quer um paraíso inocente em cada iJesus que vende a preços elevados, enquanto a serpente tenta os utilizadores com promessas de boas imagens naqueles grandes e belos ecrãs. Obviamente, fora da tal store.
No entanto poderá apenas ser uma ilusão, dada a potencial disponibilidade de pornografia em cada página de exibição de imagens paradas ou em movimento. E se esta sabe ser um móbil poderoso, dado que cavalga em cima do sexo...
2013-02-01
2013-01-28
Saúdo os saudáveis
Querer pôr-se saudável pode dar merda. Digo isto com toda a convicção que o saber de experiência feito nos pode dar. Um tipo prepara-se. Equipa-se. Veste uns calções pipis, uma sweat laroca e uns ténis tecnicamente capazes. Aquece vagamente (ou vagarosamente) e parte para uma corrida. À partida escorrega em algo, mas não cai. Corre ao ritmo que pode, ainda sem o odómetro (ou será pedómetro) preso a uma qualquer parte do corpo, o qual lhe poderá dar uma contagem dos kilometros percorridos e das kilocalorias gastas. Presumo que, após a instalação de pilha nova e encontrando algum manual, ainda tenha que calibrar a passada.
E o ritmo que pode, podendo não ser muito elevado, é forte para este tipo. Do tipo de ter dificuldades em manter o ritmo das pernas certo, com a respiração ofegante. Mas lá vai ele, certo de estar a cuidar da sua boa forma física. E, melhor que fica parado, é pôr-se a mexer. Acelera o coração e melhora a circulação. Desde que a malta não se ponha a chocar uns contra os outros.
Como é habitual em quem ainda não se habituou a este ritmo de treino, a corrida acaba rapidamente. O regresso faz-se a passo, ainda que acelerado, bem mais devagar que à partida. Pouco depois de entrar em casa, ainda a tentar recuperar o fôlego, sente-se um aroma diferente do perfume habitual da casa. Senta-se para se descalçar e observa o inevitável. A escorregadela inicial foi desmistificada. Há algo de terrivelmente mal cheiroso agarrado à sola do pé esquerdo. Isto é que foi uma entrada com o pé esquerdo.
E o ritmo que pode, podendo não ser muito elevado, é forte para este tipo. Do tipo de ter dificuldades em manter o ritmo das pernas certo, com a respiração ofegante. Mas lá vai ele, certo de estar a cuidar da sua boa forma física. E, melhor que fica parado, é pôr-se a mexer. Acelera o coração e melhora a circulação. Desde que a malta não se ponha a chocar uns contra os outros.
Como é habitual em quem ainda não se habituou a este ritmo de treino, a corrida acaba rapidamente. O regresso faz-se a passo, ainda que acelerado, bem mais devagar que à partida. Pouco depois de entrar em casa, ainda a tentar recuperar o fôlego, sente-se um aroma diferente do perfume habitual da casa. Senta-se para se descalçar e observa o inevitável. A escorregadela inicial foi desmistificada. Há algo de terrivelmente mal cheiroso agarrado à sola do pé esquerdo. Isto é que foi uma entrada com o pé esquerdo.
2013-01-18
Erica vai às fontes
E não irá partir a cantarinha. Foi o que me lembrei a propósito do prémio que tão justamente Erica Fontes terá recebido pelo seu talento representativo. Prevendo tratar-se de um trabalho muito excitante, meti mão à obra e fui investigar.
Entre os trabalhos onde se viu metida e lhe vieram a meter, virei a destacar alguns. Obviamente isto obrigou-me a intensa pesquisa e a alguns momentos de visionamento duro.
No sítio BangBros aparece num episódio de Monsters of Cock, vestida (pouco mais tarde despida) de cor-de-rosa, com um colar onde se pode ler Barbie. Vê-se negra para conseguir engolir um trabalho daquele tamanho. Tem talento para dizer baby em português e para uns quantos esgares que simulam a dor de não conseguir engolir mais. Cavalga confiante a tarefa, mostrando que independentemente do seu tamanho, tem muita arrumação.
Em Culioneros mostra-se em Ready for Public Action, onde é filmada em vários actos em locais supostamente públicos. Numa das posições mostra tanto prazer que a camisinha parece mudar de cor. Destaque no, obviamente exíguo, guarda-roupa para as botas estilo esquimó, com uns pompons. No mesmo sítio, fez um episódio da série Take In the Ass Like That, onde não me parece que seja necessárias grandes explicações.
Em PornPros, com uns óculos em forma de um par de corações exibe orgulhosamente uma camisola verde, com Portugal escrito em vermelho, e explica que tudo o que fez pela primeira vez, foi com 14 anos (um ano muito preenchido, certamente). As pestanas postiças e as raízes pintadas de escuro dão-lhe um visual mais próximo de um hambúrguer do MacDonalds do que de um bitoque com ovo a cavalo (sim, porque também posso fazer uma crítica a tamanho trabalho artístico). É que Deep Throat Love não dá espaço para que muitas palavras lhe saiam da garganta, após o início da verdadeira acção. Ainda que a acção não se fique por ali e se venha por outros caminhos. Destaque para as cenas em pé: de levantar o público. E um final com um pedido muito especial na língua de Camões e mais uns quantos palavrões.
Em Brazzers, começa por ser uma sluty honey beaver, seja lá o que isso for, mas corre pelo bosque em biquini e acaba por ser uma teen que Likes It Big ou é chegado o tempo da época de acasalamento.
Em Eye Fucked Them All, entra numa acção com pouca história e muito molho dela e do colega com quem contracena. O peito parece maior que nas outras cenas, talvez revelando tratar-se de um trabalho mais recente.
Em FuckedHard18, o que começa como uma massagem, acaba como em todos os outros filmes, mas em cima de uma marquesa.
Nada do que referi aqui, aparece no seu sítio oficial, mostrando que apenas arranhei a superfície do seu trabalho.
Por este «pequeno» apanhado, podemos imaginar como tem sido produtiva a sua carreira, mostrando que os portugueses quando saem para fora, rendem tanto ou mais que os estrangeiros.
Entre os trabalhos onde se viu metida e lhe vieram a meter, virei a destacar alguns. Obviamente isto obrigou-me a intensa pesquisa e a alguns momentos de visionamento duro.
No sítio BangBros aparece num episódio de Monsters of Cock, vestida (pouco mais tarde despida) de cor-de-rosa, com um colar onde se pode ler Barbie. Vê-se negra para conseguir engolir um trabalho daquele tamanho. Tem talento para dizer baby em português e para uns quantos esgares que simulam a dor de não conseguir engolir mais. Cavalga confiante a tarefa, mostrando que independentemente do seu tamanho, tem muita arrumação.
Em Culioneros mostra-se em Ready for Public Action, onde é filmada em vários actos em locais supostamente públicos. Numa das posições mostra tanto prazer que a camisinha parece mudar de cor. Destaque no, obviamente exíguo, guarda-roupa para as botas estilo esquimó, com uns pompons. No mesmo sítio, fez um episódio da série Take In the Ass Like That, onde não me parece que seja necessárias grandes explicações.
Em PornPros, com uns óculos em forma de um par de corações exibe orgulhosamente uma camisola verde, com Portugal escrito em vermelho, e explica que tudo o que fez pela primeira vez, foi com 14 anos (um ano muito preenchido, certamente). As pestanas postiças e as raízes pintadas de escuro dão-lhe um visual mais próximo de um hambúrguer do MacDonalds do que de um bitoque com ovo a cavalo (sim, porque também posso fazer uma crítica a tamanho trabalho artístico). É que Deep Throat Love não dá espaço para que muitas palavras lhe saiam da garganta, após o início da verdadeira acção. Ainda que a acção não se fique por ali e se venha por outros caminhos. Destaque para as cenas em pé: de levantar o público. E um final com um pedido muito especial na língua de Camões e mais uns quantos palavrões.
Em Brazzers, começa por ser uma sluty honey beaver, seja lá o que isso for, mas corre pelo bosque em biquini e acaba por ser uma teen que Likes It Big ou é chegado o tempo da época de acasalamento.
Em Eye Fucked Them All, entra numa acção com pouca história e muito molho dela e do colega com quem contracena. O peito parece maior que nas outras cenas, talvez revelando tratar-se de um trabalho mais recente.
Em FuckedHard18, o que começa como uma massagem, acaba como em todos os outros filmes, mas em cima de uma marquesa.
Nada do que referi aqui, aparece no seu sítio oficial, mostrando que apenas arranhei a superfície do seu trabalho.
Por este «pequeno» apanhado, podemos imaginar como tem sido produtiva a sua carreira, mostrando que os portugueses quando saem para fora, rendem tanto ou mais que os estrangeiros.
2013-01-02
Os mais (des)afortunados
Contrastando com o fatalismo que parece ser apanágio dos portugueses, reconheço um optimismo desproporcionado perante a adversidade. Basta atentar em qualquer observação sobre um acidente ou sobre uma doença grave onde alguém conhecido se vê envolvido (idem para situações menos graves).
Imaginem que alguém decide ir cortar lenha com uma rebarbadora. É obviamente uma má decisão utilizar uma ferramenta inadequada. E piora bastante, dado tratar-se de uma tarefa potencialmente perigosa. Colocada a ferramenta errada nas mãos erradas, os dados estão lançados.
Tudo corre mal quando o disco prende na madeira, fazendo saltar a máquina em funcionamento das mãos que a seguram, enterrando uma parte do disco num dos gémeos de uma das pernas. O sangue jorra e a capacidade motora fica dramaticamente diminuída. Estando o indivíduo num local mais ou menos ermo onde não consegue chamar por auxílio, resta-lhe arrastar-se até à estrada onde alguém que passa lhe acaba por acudir.
É fácil imaginar comentários do género: "ele ainda teve sorte por alguém ter passado" ou "felizmente não se feriu com mais gravidade" ou ainda "o disco da rebarbadora estava gasto. Se estivesse mais afiado cortava-lhe a perna".
E o que parecia não passar de aselhice, transformou-se apenas num azar. O qual nem sequer foi maior, por ter havido sorte à mistura. Um fado que, embora tristonho, tem uma reviravolta final animadora. E tudo acabou bem.
Imaginemos agora que, apesar do socorro, a perna ficou perdida. "Felizmente não morreu". "Perdeu a perna mas salvaram-lhe a vida".
E se tivesse morrido? "Esvair-se em sangue atenuou bastante as dores iniciais que deve ter sentido. No fim, nem terá sofrido muito"...
Imaginem que alguém decide ir cortar lenha com uma rebarbadora. É obviamente uma má decisão utilizar uma ferramenta inadequada. E piora bastante, dado tratar-se de uma tarefa potencialmente perigosa. Colocada a ferramenta errada nas mãos erradas, os dados estão lançados.
Tudo corre mal quando o disco prende na madeira, fazendo saltar a máquina em funcionamento das mãos que a seguram, enterrando uma parte do disco num dos gémeos de uma das pernas. O sangue jorra e a capacidade motora fica dramaticamente diminuída. Estando o indivíduo num local mais ou menos ermo onde não consegue chamar por auxílio, resta-lhe arrastar-se até à estrada onde alguém que passa lhe acaba por acudir.
É fácil imaginar comentários do género: "ele ainda teve sorte por alguém ter passado" ou "felizmente não se feriu com mais gravidade" ou ainda "o disco da rebarbadora estava gasto. Se estivesse mais afiado cortava-lhe a perna".
E o que parecia não passar de aselhice, transformou-se apenas num azar. O qual nem sequer foi maior, por ter havido sorte à mistura. Um fado que, embora tristonho, tem uma reviravolta final animadora. E tudo acabou bem.
Imaginemos agora que, apesar do socorro, a perna ficou perdida. "Felizmente não morreu". "Perdeu a perna mas salvaram-lhe a vida".
E se tivesse morrido? "Esvair-se em sangue atenuou bastante as dores iniciais que deve ter sentido. No fim, nem terá sofrido muito"...
2012-12-25
Toma e embrulha
Não sei se por diversão, se por maldade, este ano adoptei uma técnica bastante ecológica. Em vez de embrulhar as prendas e entregá-las em mãos aos destinatários, optei por usar a técnica do toma e embrulha. Na realidade, o toma foi bastante subtil. E o embrulha ficou ao critério de cada destinatário.
Antes que os leitores comecem a pensar em perfídias, explico que consistia apenas em colocar as prendas discretamente no meio dos pertences do aniversariante ou do destinatário natalino. Sem aviso, coube ao receptor detectar a novidade e concluir que se tratava de uma oferta presente. E é delicioso reparar quando não se repara na novidade. Quando é preciso ajudar a detectar o presente.
Obviamente esta técnica deve ser executada com supervisão do oferente. E o oferente necessita de ter acesso com permissão aos bens do ofertado. Ninguém quereria que a prenda fosse desviada por outrem ou danificada pelo próprio apenas porque não detectada...
Antes que os leitores comecem a pensar em perfídias, explico que consistia apenas em colocar as prendas discretamente no meio dos pertences do aniversariante ou do destinatário natalino. Sem aviso, coube ao receptor detectar a novidade e concluir que se tratava de uma oferta presente. E é delicioso reparar quando não se repara na novidade. Quando é preciso ajudar a detectar o presente.
Obviamente esta técnica deve ser executada com supervisão do oferente. E o oferente necessita de ter acesso com permissão aos bens do ofertado. Ninguém quereria que a prenda fosse desviada por outrem ou danificada pelo próprio apenas porque não detectada...
2012-12-16
Dobrar ou virar a esquina?
Perdemos a conta a quantas esquinas passamos ao longo da nossa vida. Isto apesar de algumas terem deixado marcas indeléveis.
Mas não ficámos agarrados a elas. Ainda que a vontade fosse muita e, numa fase inicial, até marcas de unhas tenhamos lá deixado.
Seguimos o nosso caminho sem as esquecermos, sem as ignorarmos.
E quando encontramos uma nova, não pensamos no que ficou para trás. Tentamos imaginar o que poderá estar à nossa frente. O que poderá estar para além dela. O que poderá acontecer se a dobrarmos. E essa expectativa tem tanto de atractiva como de assustadora. A esquina desconhecida exerce fascínio especialmente por isso. Pela dualidade. E quando a encaramos de frente e vemos os dois lados ao mesmo tempo, percebemos se chegámos à esquina certa.
Chegar à esquina certa, não é o mesmo que chegar à esquina definitiva. Todas tendem a ser provisórias, até prova em contrário. E essa prova cabe ao tempo. E é preciso tanto tempo, quanto o tempo que nos for concedido, a partir do momento em que lá chegamos.
De frente para a esquina, conseguimos rever o percurso passado e tentamos antever o futuro. Após dobrá-la, não ficamos com o dom da clarividência. Não ficamos cheios de certezas. As dúvidas são suficientemente inquietantes para que não nos acomodemos, não devendo impossibilitar-nos de pararmos ou avançarmos, consoante nos aprouver.
É entre esquinas que mais claramente podemos reflectir. Não estando à sombra de uma delas, podemos melhor avaliar as que dobrámos e virámos. Poderá provocar algum desconforto, mas essa mesma sensação acaba por funcionar como motivação. Para avançar.
Após dobrá-la, podemos olhar para trás e verificar que, por mais marcas que lá possamos ter deixado, ela mantém a sua forma. E não adianta tentar lá voltar e bater-lhe com a cabeça. Acabaríamos ainda mais magoados.
Mas não ficámos agarrados a elas. Ainda que a vontade fosse muita e, numa fase inicial, até marcas de unhas tenhamos lá deixado.
Seguimos o nosso caminho sem as esquecermos, sem as ignorarmos.
E quando encontramos uma nova, não pensamos no que ficou para trás. Tentamos imaginar o que poderá estar à nossa frente. O que poderá estar para além dela. O que poderá acontecer se a dobrarmos. E essa expectativa tem tanto de atractiva como de assustadora. A esquina desconhecida exerce fascínio especialmente por isso. Pela dualidade. E quando a encaramos de frente e vemos os dois lados ao mesmo tempo, percebemos se chegámos à esquina certa.
Chegar à esquina certa, não é o mesmo que chegar à esquina definitiva. Todas tendem a ser provisórias, até prova em contrário. E essa prova cabe ao tempo. E é preciso tanto tempo, quanto o tempo que nos for concedido, a partir do momento em que lá chegamos.
De frente para a esquina, conseguimos rever o percurso passado e tentamos antever o futuro. Após dobrá-la, não ficamos com o dom da clarividência. Não ficamos cheios de certezas. As dúvidas são suficientemente inquietantes para que não nos acomodemos, não devendo impossibilitar-nos de pararmos ou avançarmos, consoante nos aprouver.
É entre esquinas que mais claramente podemos reflectir. Não estando à sombra de uma delas, podemos melhor avaliar as que dobrámos e virámos. Poderá provocar algum desconforto, mas essa mesma sensação acaba por funcionar como motivação. Para avançar.
Após dobrá-la, podemos olhar para trás e verificar que, por mais marcas que lá possamos ter deixado, ela mantém a sua forma. E não adianta tentar lá voltar e bater-lhe com a cabeça. Acabaríamos ainda mais magoados.
2012-11-19
O amor é tramado e parte
Tece uma trama que nos enreda, quase sem darmos por isso. Sabemos que algo nos começa a toldar os movimentos e a razão. A embaraçar os momentos e o coração. A entrelaçar os sentimentos e a emoção. Só nos apercebemos quando é tarde. Quando estamos enredados. E nunca entediados.
Por mais experientes que sejamos, somos surpreendidos pelo poder deste atropelamento. Que nos assalta. Que nos esmaga. Que nos arrebata. Por mais que tentemos manter os pés no chão. Por mais que queiramos resistir. Por mais que a razão nos tente dizer que não. Que não vai dar. Que não vai resultar. Que dá demasiado que pensar.
Pensamos ter o controlo. Pensamos conseguir superar. Pensamos que sim. Que já passou. Que já lá vai. Que o amor partiu. Para não voltar, não voltamos. Voltamos as costas. Voltamos a mudar de rumo. Rumamos a outro porto. Partimos, enquanto o próprio amor parte, deixando cacos à sua partida.
No entanto, parece que todos os caminhos vão dar a Roma. Num ou noutro sentido...
Por mais experientes que sejamos, somos surpreendidos pelo poder deste atropelamento. Que nos assalta. Que nos esmaga. Que nos arrebata. Por mais que tentemos manter os pés no chão. Por mais que queiramos resistir. Por mais que a razão nos tente dizer que não. Que não vai dar. Que não vai resultar. Que dá demasiado que pensar.
Pensamos ter o controlo. Pensamos conseguir superar. Pensamos que sim. Que já passou. Que já lá vai. Que o amor partiu. Para não voltar, não voltamos. Voltamos as costas. Voltamos a mudar de rumo. Rumamos a outro porto. Partimos, enquanto o próprio amor parte, deixando cacos à sua partida.
No entanto, parece que todos os caminhos vão dar a Roma. Num ou noutro sentido...
2012-11-09
País de ofendidozinhos
Vivemos num país de pessoas que anseiam por uma desculpa para se exaltarem. Para deixarem de fazer bem, por uma razão qualquer, por mais pequena que seja. Somos pequeninos e invejosos. Quando cheira a sangue, precipitamo-nos para dar mais um pontapé no indivíduo que sangra. Antes, gritamos "quem nos agarrar?", enquanto o dito ainda está de pé. Depois de caído, carregamos. Queremos carregar com o dedo na ferida, mas só se nos sentirmos seguros de não levar uma resposta. Gostamos de protagonismo, ainda que seja à custa do esforço alheio e nunca do nosso.
Gostamos de tomar uma parte por um todo. Como se algo ou alguém ficasse definido apenas por uma faceta. Como se a nossa tacanhez quisesse mostrar à tacanhez de outrem que é maior e mais poderosa.
As redes sociais assentam que nem uma luva a este nosso desejo pequenino de sermos pequeninos. De sermos mesquinhos. De ignorarmos tudo o que de bem possa ter sido feito até ali, se tivermos uma oportunidade de crítica destrutiva. Ignoramos a construtiva, principalmente se nos for dirigida.
Somos pequenos selvagens que não toleram um dedo acusador. Uma tendência de ordem. Um diminuir dos direitos perante a exigência dos deveres.
É tão simples partilhar vídeos, fotos, textos e pensamentos de outros. Fazer um gosto (seja lá o que isso for) independentemente de ser apropriado ou nem por isso. Mais complicado é pensar pela própria cabeça e não incorporar alegremente o rebanho da carneirada.
E se querem ignorar o sábio conselho de não comer bife a todas as refeições por meras razões de saúde, mostrem que comem porque têm dinheiro para isso. E o que sobrar, doem para o Banco Alimentar.
Gostamos de tomar uma parte por um todo. Como se algo ou alguém ficasse definido apenas por uma faceta. Como se a nossa tacanhez quisesse mostrar à tacanhez de outrem que é maior e mais poderosa.
As redes sociais assentam que nem uma luva a este nosso desejo pequenino de sermos pequeninos. De sermos mesquinhos. De ignorarmos tudo o que de bem possa ter sido feito até ali, se tivermos uma oportunidade de crítica destrutiva. Ignoramos a construtiva, principalmente se nos for dirigida.
Somos pequenos selvagens que não toleram um dedo acusador. Uma tendência de ordem. Um diminuir dos direitos perante a exigência dos deveres.
É tão simples partilhar vídeos, fotos, textos e pensamentos de outros. Fazer um gosto (seja lá o que isso for) independentemente de ser apropriado ou nem por isso. Mais complicado é pensar pela própria cabeça e não incorporar alegremente o rebanho da carneirada.
E se querem ignorar o sábio conselho de não comer bife a todas as refeições por meras razões de saúde, mostrem que comem porque têm dinheiro para isso. E o que sobrar, doem para o Banco Alimentar.
2012-10-19
Pretensiosamente bom
Aquilo que eu gosto é que é bom. Aquilo que não gosto não tem
qualidade. Quem não gosta daquilo que eu gosto, não sabe o que é bom.
Não sabe como eu sei. Como eu julgo saber. E julgo bastante.
Normalmente, juiz em causa própria, julgo como bom ou mau o que despertar o meu interesse. Ignoro tudo o resto. O resto não me interessa. Logo, também não interessa. Nem como nota de rodapé.
Atiro as propostas desinteressantes para longe daquilo que gosto.
O que não seria bom, seria gostarmos todos exactamente das mesmas coisas. A pluralidade tem destas coisas. Aumenta o interesse ao mesmo tempo que aumenta o conflito. Como a maioria não gosta de permanente conflito, rodeia-se de quem gosta do mesmo, ainda que com diferenças subtis.
Normalmente, juiz em causa própria, julgo como bom ou mau o que despertar o meu interesse. Ignoro tudo o resto. O resto não me interessa. Logo, também não interessa. Nem como nota de rodapé.
Atiro as propostas desinteressantes para longe daquilo que gosto.
O que não seria bom, seria gostarmos todos exactamente das mesmas coisas. A pluralidade tem destas coisas. Aumenta o interesse ao mesmo tempo que aumenta o conflito. Como a maioria não gosta de permanente conflito, rodeia-se de quem gosta do mesmo, ainda que com diferenças subtis.
2012-09-26
Espírito de contradição
Quando me perguntam se tenho fome, pergunto quase imediatamente o que há para eu comer (não que tenha má boca).
Se me querem inquirir sobre o tipo de utilizador que sou, vejo o utilizador doméstico e procuro a opção utilizador selvagem (ainda que sem sucesso).
Na opção sobre o sexo, quero escolher que gosto muito e não o género (o qual tem obviamente muita influência no que eu gosto).
Quando me ordenam para algo fazer, sou mais rápido a contrariar a ordem do que a justificar a acção (e tantas vezes a ordem ainda que correcta, não me satisfaz).
Se me dizem para algo (não) fazer, pretendendo com isso dizer precisamente o contrário, arriscam a que (nada) faça (se me disserem directamente o que pretendem, arriscam a cair numa ordem directa).
E neste espírito me mantenho preso a ser livre.
Se me querem inquirir sobre o tipo de utilizador que sou, vejo o utilizador doméstico e procuro a opção utilizador selvagem (ainda que sem sucesso).
Na opção sobre o sexo, quero escolher que gosto muito e não o género (o qual tem obviamente muita influência no que eu gosto).
Quando me ordenam para algo fazer, sou mais rápido a contrariar a ordem do que a justificar a acção (e tantas vezes a ordem ainda que correcta, não me satisfaz).
Se me dizem para algo (não) fazer, pretendendo com isso dizer precisamente o contrário, arriscam a que (nada) faça (se me disserem directamente o que pretendem, arriscam a cair numa ordem directa).
E neste espírito me mantenho preso a ser livre.
2012-06-21
Só à palmada
Ela exagerou no seu esforço. Tentou ir além do que as suas forças permitiam. O exercício físico deixava-a louca. E não era coisa pouca.
O corpo sempre a esforçar, sem lhe permitir descansar. Sem lhe dar descanso. "Quem corre por gosto não cansa", dizem, sem afirmarem que uma tal corredora nunca descansa.
Há quem tenha tanta energia que parece inesgotável. E nesse erro caiu ela própria. Em cima da passadeira rolante corria, indiferente aos pedidos do seu próprio corpo para parar. Ou até mesmo para abrandar. O objectivo era ir mais longe. Estar durante mais tempo. Gastar o maior número de calorias. Derreter a maior quantidade de gordura.
E quando, embriagada pelo prazer que o exercício lhe proporcionava, o seu próprio corpo desfaleceu, ela tombou sobre a consola de comando da passadeira, ficando pendurada com o tronco para um dos lados e as pernas para o outro lado.
O alvoroço foi muito e vários acorreram em seu auxílio. E, lá chegados, próximos, rapidamente concluíram que o melhor seria darem-lhe umas palmadas nas bochechas. Até que estas ganhassem cor e ela reanimasse, voltando a si.
O corpo sempre a esforçar, sem lhe permitir descansar. Sem lhe dar descanso. "Quem corre por gosto não cansa", dizem, sem afirmarem que uma tal corredora nunca descansa.
Há quem tenha tanta energia que parece inesgotável. E nesse erro caiu ela própria. Em cima da passadeira rolante corria, indiferente aos pedidos do seu próprio corpo para parar. Ou até mesmo para abrandar. O objectivo era ir mais longe. Estar durante mais tempo. Gastar o maior número de calorias. Derreter a maior quantidade de gordura.
E quando, embriagada pelo prazer que o exercício lhe proporcionava, o seu próprio corpo desfaleceu, ela tombou sobre a consola de comando da passadeira, ficando pendurada com o tronco para um dos lados e as pernas para o outro lado.
O alvoroço foi muito e vários acorreram em seu auxílio. E, lá chegados, próximos, rapidamente concluíram que o melhor seria darem-lhe umas palmadas nas bochechas. Até que estas ganhassem cor e ela reanimasse, voltando a si.
2012-06-08
A manada
Não vi um finlandês preocupado com os gastos exorbitantes dos
portugueses em telemóveis. Não vi um alemão preocupado com o excessivo
crédito assumido por portugueses para adquirir carros, novos e usados,
de marcas alemãs. Muito menos com a aquisição de submarinos pelo Estado
Português.
Aparentemente há vários preocupados com as dívidas excessivas contraídas pelos portugueses.
Aparentemente, conseguem ver a Europa como um somatório de compartimentos estanques. Como se a situação de uns, não pudesse vir a influenciar a situação dos outros. Pensam que a Europa poderá ser vista como uma manada, onde os mais lentos e mais fracos poderão ser sacrificados, salvando os mais velozes e mais valentes dos predadores.
Apesar de terem razão na metáfora, esquecem-se da totalidade. Que os predadores são mais que muitos. E depois de tratarem dos mais pequenos, que mal dão para lhes saciar o apetite, virar-se-ão para os maiores.
Curiosamente os predadores, quais animais irracionais, ainda não se aperceberam que, à medida que as vítimas caírem, também eles ficarão em vias de extinção.
Aparentemente há vários preocupados com as dívidas excessivas contraídas pelos portugueses.
Aparentemente, conseguem ver a Europa como um somatório de compartimentos estanques. Como se a situação de uns, não pudesse vir a influenciar a situação dos outros. Pensam que a Europa poderá ser vista como uma manada, onde os mais lentos e mais fracos poderão ser sacrificados, salvando os mais velozes e mais valentes dos predadores.
Apesar de terem razão na metáfora, esquecem-se da totalidade. Que os predadores são mais que muitos. E depois de tratarem dos mais pequenos, que mal dão para lhes saciar o apetite, virar-se-ão para os maiores.
Curiosamente os predadores, quais animais irracionais, ainda não se aperceberam que, à medida que as vítimas caírem, também eles ficarão em vias de extinção.
2012-06-06
Uma pequena parte
Há sempre uma ponta de egoísmo no sentimento que acompanha um ente querido que parte, que se afasta e/ou que termina uma relação connosco. Por muito que desejemos a felicidade do ausente, ficamos infelizes no presente. Infelizes por essa felicidade deixar de passar por nós no futuro.
E não deveria ser assim. Não deveríamos ficar agarrados ao passado, não libertando os nossos sentimentos completamente. A frustração das falhas que cometemos ainda é compreensível. Mas por terem sido falhas. E só por isso. Pois devemos lembrá-las apenas para não voltarmos a repeti-las.
As desculpas são mais que muitas. Por isto, por aquilo, por aquele outro, há sempre razões para os nossos falhanços. E até há para os falhanços dos outros. Mesmo que não os consigamos ver com a mesma nitidez. Com a mesma clareza com que desculpamos os nossos.
O importante é que, ainda que uma pequena parte de nós fique a remoer, a nossa maior parte avance para o futuro com isto presente: os erros são inevitáveis.
Mas serão tão mais indesculpáveis quanto mais repetentes e persistentes forem.
E não deveria ser assim. Não deveríamos ficar agarrados ao passado, não libertando os nossos sentimentos completamente. A frustração das falhas que cometemos ainda é compreensível. Mas por terem sido falhas. E só por isso. Pois devemos lembrá-las apenas para não voltarmos a repeti-las.
As desculpas são mais que muitas. Por isto, por aquilo, por aquele outro, há sempre razões para os nossos falhanços. E até há para os falhanços dos outros. Mesmo que não os consigamos ver com a mesma nitidez. Com a mesma clareza com que desculpamos os nossos.
O importante é que, ainda que uma pequena parte de nós fique a remoer, a nossa maior parte avance para o futuro com isto presente: os erros são inevitáveis.
Mas serão tão mais indesculpáveis quanto mais repetentes e persistentes forem.
2012-05-15
Incendiário
Gostaria de partilhar convosco (três coisas raríssimas, só por si, quanto mais pelo conjunto), coisas interessantes que se podem ler numa embalagem de um isqueiro doméstico. Não confundir com isqueiros selvagens, os quais não costumam obedecer à norma ISO 22702, nem costumam deixar-se embalar facilmente.
"Acender isqueiro multi-usos longe da cara e das roupas" - eu acrescentaria que longe de seja o que for que não se queira ver queimado nem a arder. A cara e as roupas serão apenas uma pequena parte do nosso corpo e das nossas posses que queremos manter longe de uma chama.
Talvez por isso o aviso de manter afastado do alcance das crianças.
"PERIGO
Contém gás Butano sob pressão" - e ainda bem ou teria que ser recarregado caso o pretendêssemos usar. O que não raras vezes acontece quando adquirimos algo.
"Extremamente inflamável" - o isqueiro ou o gás butano? Espero que seja o gás, ou seria perigoso tentar acender um isqueiro extremamente inflamável. Estou ansioso por ler as instruções da recarga.
"Não usar perto de fogo, chama ou faíscas" - ora se tivéssemos uma destas coisas, necessitaríamos dele?
"Assegurar-se que a chama fica completamente apagada após cada utilização" - para além de ser um conselho eminentemente económico, acaba por ser prático não ter o esquecimento de o guardar ainda com a chama a arder.
"Não usar para acender cigarros, charutos ou cachimbos" - esta parece-me a recomendação mais surpreendente. Principalmente quando não acompanhada de uma pequena explicação. Não é que esteja a pensar manter aceso um daqueles vícios. Surpreende-me que um isqueiro não possa ser usado como isqueiro para toxicodependentes. Mas nem uma palavra sobre o seu uso para aquecer colheres de chá ou de sopa...
"Não manter aceso durante mais de 30 segundos" - que fraquinho...
Será que posso acender uma churrasqueira ou uma lareira? E incendiar um chouriço banhado em álcool?
Obviamente afastado da cara e das roupas.
"Acender isqueiro multi-usos longe da cara e das roupas" - eu acrescentaria que longe de seja o que for que não se queira ver queimado nem a arder. A cara e as roupas serão apenas uma pequena parte do nosso corpo e das nossas posses que queremos manter longe de uma chama.
Talvez por isso o aviso de manter afastado do alcance das crianças.
"PERIGO
Contém gás Butano sob pressão" - e ainda bem ou teria que ser recarregado caso o pretendêssemos usar. O que não raras vezes acontece quando adquirimos algo.
"Extremamente inflamável" - o isqueiro ou o gás butano? Espero que seja o gás, ou seria perigoso tentar acender um isqueiro extremamente inflamável. Estou ansioso por ler as instruções da recarga.
"Não usar perto de fogo, chama ou faíscas" - ora se tivéssemos uma destas coisas, necessitaríamos dele?
"Assegurar-se que a chama fica completamente apagada após cada utilização" - para além de ser um conselho eminentemente económico, acaba por ser prático não ter o esquecimento de o guardar ainda com a chama a arder.
"Não usar para acender cigarros, charutos ou cachimbos" - esta parece-me a recomendação mais surpreendente. Principalmente quando não acompanhada de uma pequena explicação. Não é que esteja a pensar manter aceso um daqueles vícios. Surpreende-me que um isqueiro não possa ser usado como isqueiro para toxicodependentes. Mas nem uma palavra sobre o seu uso para aquecer colheres de chá ou de sopa...
"Não manter aceso durante mais de 30 segundos" - que fraquinho...
Será que posso acender uma churrasqueira ou uma lareira? E incendiar um chouriço banhado em álcool?
Obviamente afastado da cara e das roupas.
2012-04-23
Prazer de condução
Tirei a carta tarde. Isso traduziu-se naturalmente em alguma dificuldade na aprendizagem. Apesar de após encartado ter começado a conduzir, a condução era de fraca qualidade. Cheia de hesitações e erros.
Nada de muito grave, mas com prejuízo evidente na suavidade da condução. E até alguns pequenos acidentes. Digamos que não deixava saudades e que só por parcialidade seria possível apreciá-la.
O tempo foi passando, o número de kilómetros aumentando e a facilidade e qualidade melhorando. A isto junta-se o facto do número de veículos conduzidos ter igualmente aumentado. A habilitação e habilidade foi-se tornando cada vez mais abrangente.
Vendo bem as coisas, os princípios que estão por detrás da condução de cada veículo são semelhantes, com as devidas adaptações. Os comandos poderão ter configurações e tamanhos diferentes, mas nunca são totalmente diversos que não permitam o seu reconhecimento. Poderá demorar a dominar a máquina. No fundo é apenas uma questão de dedicação e de tempo. Também sensibilidade é necessária para reconhecer a resposta e o que faz melhorar essa resposta.
Muitas vezes há o desejo de conduzir máquinas cada vez mais potentes. Há no entanto um preço a pagar. Ou vários. A condução terá que ser efectuada com mais atenção. Não há tanta margem para erros. A manutenção além de cara poderá complicada. E nada disto refreia o desejo. Por vezes apenas o aumenta.
Independentemente do interesse que os veículos alheios possam inspirar, não há nada como conduzir o nosso. Aquele a quem já estamos habituados. Conhecemos o seu corpo quase como o nosso. Sabemos interpretar a sua resposta em cada contexto. No início é uma verdadeira aventura. Com o passar do tempo e aumento da prática, o que nos faltar em aventura, sobrar-nos-á em prazer.
Nada de muito grave, mas com prejuízo evidente na suavidade da condução. E até alguns pequenos acidentes. Digamos que não deixava saudades e que só por parcialidade seria possível apreciá-la.
O tempo foi passando, o número de kilómetros aumentando e a facilidade e qualidade melhorando. A isto junta-se o facto do número de veículos conduzidos ter igualmente aumentado. A habilitação e habilidade foi-se tornando cada vez mais abrangente.
Vendo bem as coisas, os princípios que estão por detrás da condução de cada veículo são semelhantes, com as devidas adaptações. Os comandos poderão ter configurações e tamanhos diferentes, mas nunca são totalmente diversos que não permitam o seu reconhecimento. Poderá demorar a dominar a máquina. No fundo é apenas uma questão de dedicação e de tempo. Também sensibilidade é necessária para reconhecer a resposta e o que faz melhorar essa resposta.
Muitas vezes há o desejo de conduzir máquinas cada vez mais potentes. Há no entanto um preço a pagar. Ou vários. A condução terá que ser efectuada com mais atenção. Não há tanta margem para erros. A manutenção além de cara poderá complicada. E nada disto refreia o desejo. Por vezes apenas o aumenta.
Independentemente do interesse que os veículos alheios possam inspirar, não há nada como conduzir o nosso. Aquele a quem já estamos habituados. Conhecemos o seu corpo quase como o nosso. Sabemos interpretar a sua resposta em cada contexto. No início é uma verdadeira aventura. Com o passar do tempo e aumento da prática, o que nos faltar em aventura, sobrar-nos-á em prazer.
2012-04-11
Metal da pesada
O José Luís Peixoto afirmou numa entrevista há dias, a propósito dos seus gostos musicais, qualquer coisa do estilo: que já não tem 17 anos. Tem 37 anos e por isso ouve vários estilos de música.
Eu não tenho nem uma nem outra idade, apesar de já ter tido ambas, e oiço de tudo. Porque não sou surdo.
Apesar de não gostar de formatações redutoras de músicas ou de artistas, confesso que gosto particularmente de músicas associadas ao estilo Heavy Metal, seja lá o que isso for. E dentro disso, encontro uma variedade tão grande, que não preciso de procurar satisfação noutros estilos.
De vez em quando dou uma espreitadela naquelas músicas boas de se ver. Porque os olhos também comem, ainda que não saboreiem.
Isto é bem capaz de ser básico. Mas, basicamente, é disto que gosto, ainda que nem tudo o que encaixe neste estilo me satisfaça.
Eu não tenho nem uma nem outra idade, apesar de já ter tido ambas, e oiço de tudo. Porque não sou surdo.
Apesar de não gostar de formatações redutoras de músicas ou de artistas, confesso que gosto particularmente de músicas associadas ao estilo Heavy Metal, seja lá o que isso for. E dentro disso, encontro uma variedade tão grande, que não preciso de procurar satisfação noutros estilos.
De vez em quando dou uma espreitadela naquelas músicas boas de se ver. Porque os olhos também comem, ainda que não saboreiem.
Isto é bem capaz de ser básico. Mas, basicamente, é disto que gosto, ainda que nem tudo o que encaixe neste estilo me satisfaça.
2012-03-31
Reflexo
Qualquer forma de comunicação revela muito do seu emissor. E uma das que mais reflectem a verdadeira imagem do seu autor será a escrita.
Não é a mais fácil de descodificar. Talvez por não ser fácil de codificar. Ao leitor exige que leia. Que se esforce. Que compreenda. Não sei qual das premissas anteriores terá caído mais em desuso. Sei que todas elas parecem ter embarcado na barca da crise. Talvez empurradas pela exiguidade do tempo, que parece ter acelerado o passo.
Quem fica para trás, agarrado a livros em papel e máquinas de escrever, ainda que electrónicas, parece condenado ao ostracismo. Condenado a ter que abraçar novas formas de comunicação, para ter receptores da respectiva mensagem.
Curiosamente, reflectindo em todas as novas oportunidades que as novas tecnologias, algumas já não tão novas assim, oferecem, chego à conclusão que a mensagem, longe de estar refinada, cada vez mais parece estar mais esvaziada.
O conteúdo, talvez ofuscado pelas luzes brilhantes dos novos canais de comunicação, parece paulatinamente ter-se evaporado. Está cada vez mais leve, menos satisfatório. Porque nem sempre é o que tem melhor aspecto o que mais nos cativa. O que mais nos satisfaz.
E tudo o que escrevemos, quer seja formalmente quer informalmente, reflecte o que somos. O que pretendemos transmitir. E tal como na comunicação presencial, é quando nos apresentamos informalmente que mais mostramos aquilo que realmente somos.
Não é a mais fácil de descodificar. Talvez por não ser fácil de codificar. Ao leitor exige que leia. Que se esforce. Que compreenda. Não sei qual das premissas anteriores terá caído mais em desuso. Sei que todas elas parecem ter embarcado na barca da crise. Talvez empurradas pela exiguidade do tempo, que parece ter acelerado o passo.
Quem fica para trás, agarrado a livros em papel e máquinas de escrever, ainda que electrónicas, parece condenado ao ostracismo. Condenado a ter que abraçar novas formas de comunicação, para ter receptores da respectiva mensagem.
Curiosamente, reflectindo em todas as novas oportunidades que as novas tecnologias, algumas já não tão novas assim, oferecem, chego à conclusão que a mensagem, longe de estar refinada, cada vez mais parece estar mais esvaziada.
O conteúdo, talvez ofuscado pelas luzes brilhantes dos novos canais de comunicação, parece paulatinamente ter-se evaporado. Está cada vez mais leve, menos satisfatório. Porque nem sempre é o que tem melhor aspecto o que mais nos cativa. O que mais nos satisfaz.
E tudo o que escrevemos, quer seja formalmente quer informalmente, reflecte o que somos. O que pretendemos transmitir. E tal como na comunicação presencial, é quando nos apresentamos informalmente que mais mostramos aquilo que realmente somos.
2012-02-18
Lançamento
Para os leitores menos informados, informo que lancei um novo blog e não sei onde foi parar. Poderão tentar encontrá-lo em Notícias pérfidas, onde, talvez, também haja fogo.
Não pretendo com isto dar-vos muita informação. Pretendo que os menos informados fiquem um bocadinho mais informados. E os mais informados fiquem um bocadinho mais divertidos. Se conseguirem, no meio de tanta perfídia. E o pérfido sou eu...
Não pretendo com isto dar-vos muita informação. Pretendo que os menos informados fiquem um bocadinho mais informados. E os mais informados fiquem um bocadinho mais divertidos. Se conseguirem, no meio de tanta perfídia. E o pérfido sou eu...
2012-02-15
Hierarquias amistosas
Nunca gostei de classificações sobre gostos. A perda de tempo em ordenar aquilo que gosto mais agrava-se com o carácter efémero desta ordenação. Não quero com isto afirmar que, entre duas situações, eu não saiba de qual gosto mais. Normalmente sei. Mas as vezes que não sei, não me provocam insónias.
À mutabilidade da hierarquia junta-se o facto da maioria das coisas nem serem comparáveis. São, na maioria das vezes, apenas diferentes.
Uma eventual ordenação, ainda que fosse perene, nenhum valor acrescentaria ao sentimento. E o que se sente, não se submete a ordens.
À mutabilidade da hierarquia junta-se o facto da maioria das coisas nem serem comparáveis. São, na maioria das vezes, apenas diferentes.
Uma eventual ordenação, ainda que fosse perene, nenhum valor acrescentaria ao sentimento. E o que se sente, não se submete a ordens.
2012-01-19
Uno
Por momentos fomos um. O mundo tinha sido expulso para além das nossas fronteiras unificadas. Nem sequer reparámos se nos observava, com a inveja de quem é forçado a ficar ver, sem poder participar.
Foram momentos efémeros que deixaram memórias perenes. Que ajudaram a fortalecer a união. A preterir os outros, preferindo-nos.
Mas o mundo acaba por regressar. Talvez movido pela tal inveja, fazendo questão de se intrometer. Fazendo questão de desgastar. Forjando desculpas para faltas de comunhão. Parecendo gozar à medida que a erosão deixava marcas profundas. Sentindo que cada dia era dado mais um passo em direcção ao fim. Fim que paulatinamente se aproximava, gelando à sua passagem, qual Inverno enregelador.
E quando o fim, que se adivinhava, finalmente chegou, o mundo nem se dignou festejar. Pareceu ter reduzido a sua importância a uma insignificância. E quando um, chegando ao limite, gritou uno, o único prémio que recebeu foram as suas próprias lágrimas amargas.
Foram momentos efémeros que deixaram memórias perenes. Que ajudaram a fortalecer a união. A preterir os outros, preferindo-nos.
Mas o mundo acaba por regressar. Talvez movido pela tal inveja, fazendo questão de se intrometer. Fazendo questão de desgastar. Forjando desculpas para faltas de comunhão. Parecendo gozar à medida que a erosão deixava marcas profundas. Sentindo que cada dia era dado mais um passo em direcção ao fim. Fim que paulatinamente se aproximava, gelando à sua passagem, qual Inverno enregelador.
E quando o fim, que se adivinhava, finalmente chegou, o mundo nem se dignou festejar. Pareceu ter reduzido a sua importância a uma insignificância. E quando um, chegando ao limite, gritou uno, o único prémio que recebeu foram as suas próprias lágrimas amargas.
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