2015-02-15
Provicianismo sexual
Com entradas a 14 € (individual) e 24 € (para casal) e num fim de semana de Carnaval e com o dia de S. Valentim a juntar-se à festa, realizou-se mais um festival erótico em Lisboa. Não desejo que tenha sido um fracasso, mas aborrece-me ouvir banalidades provincianas sobre supostos visitantes provincianos.
Não sei se, talvez levados por emoções sadomasoquistas, ouvi numa reportagem tanto expositores/artistas e visitantes a queixarem-se que os portugueses são muito inibidos e têm muitos tabus. Parecem ver muito e comprar pouco. Não têm particular interesse em comprar brinquedos sexuais ou em participar nos espectáculos, nem que seja apenas como público entusiasta.
Pela cabeça destes comentadores parciais não passou que a vida económica não está particularmente fácil. E os preços não parecem ser particularmente acessíveis (a somar ao preço da entrada, há que acrescentar os preços dos espectáculos privados e dos objectos e roupas à venda no certame).
Também não passou que os portugueses não sejam grandes adeptos deste estilo de sexo. Como se ao sexo fossem imprescindíveis o uso de brinquedos e de conjuntos de fantasia. E, talvez acima de tudo, transformar um acto privado numa actividade pública.
Não sei se intoxicados pelas 50 tonalidades cinzentas, vêem a vida sexual portuguesa como pouco colorida. E talvez até seja conservadora, tal como eu. Mas não consigo ver nisso uma vida sexual insatisfatória. Pelo contrário. Até consigo ver na necessidade do uso de brinquedos e conjuntos de fantasia como uma forma de tentar tornar satisfatória uma vida que não o é.
2015-02-14
Nem namorado, nem encalhado
Neste mundo cada vez mais globalizado e, consequentemente, mais massificado, a pressão dos pares sobre os ímpares é grande. E muitos ímpares tentam libertar-se, devolvendo a pressão sobre os pares. Na realidade acabam por pressionar muito mais os seus pares do que os outros. E embarcam em reacções, tais cães de Pavlov, após sentirem o estímulo.
Numa sociedade onde vale cada vez mais o ter do que o ser, o apelo ao consumo é quase esmagador. E qualquer dia pode funcionar como uma boa desculpa para apelar ao consumo, de forma mais ou menos despudorada. E podendo vender aos pares, os apelos valem a dobrar.
Não sendo auto-suficientes, trocamos o nosso pão-por-Deus pela travessura ou gostosura. Curiosamente, até trocamos a própria língua.
Importamos necessidades e esquecemos tradições numa evolução em direcção à alienação.
Compramos o apaziguamento para um dia, esperando que transborde para todos os outros.
E quem a este rebanho não se juntar, mais do que ovelha negra, mais ímpar irá ficar.
2014-11-03
O primeiro bandido
Não me estou a referir (apenas) ao Primeiro-Ministro. Nem a este nem aos precedentes.
O Estado Português, aquela entidade em quem não temos outro remédio a não ser confiar e obedecer, não é uma pessoa de bem. Não sei se com a desculpa de não ser uma pessoa individual, dificultando o apontar de dedo ao culpado mor, usa e abusa da nossa confiança.
Aproveita todos os subterfúgios para subtrair dinheiro aos contribuintes involuntários, ao mesmo tempo que gere de forma (quase) dolosa o tesouro público.
Consegue, recorrendo ao uso de ferramentas informáticas, simultaneamente aumentar a eficiência da máquina fiscal e recusar-se a actualizar avaliações do património imobiliário. Operação que, certamente, qualquer computador conseguiria calcular com facilidade, desde que apetrechado com o programa correcto.
Consegue, ao mesmo tempo que impõe um imposto automóvel exorbitante, calcular um imposto sobre o valor acrescentado que incide também sobre o dito imposto automóvel. Talvez entusiasmado com tamanho valor do primeiro, imputar ao comprador um valor acrescentado que reconhece com o segundo. Malabarismo ao qual recorre noutros impostos. Muitos dos quais que, todos somados, são superiores à outra parcela que paga o produto ou o serviço propriamente dito.
Incumbe outras entidades de cobrar taxas e outras contribuições, algumas aparentemente irrisórias, onde arrecada mais algum valor ao alargar ao máximo a base da contribuição.
Aproveitando o exemplo e para ser compensada por cortes nas transferências da administração central, a local cobra mais uma parafernália de taxas e outras contribuições, nem sempre contribuindo para a percepção do contribuinte que contribui para um bem maior.
Nalguns casos cobra desproporcionadamente por serviços que concessiona a terceiros por valores bem menores, sem apresentar qualquer valor acrescentado pela intermediação efectuada.
Administrativamente, com a cobertura do Estado, cobra tudo o que pode, dando o menos possível como retorno. Imitando perfeitamente o modus operandi do Estado central omnipotente e omnipresente no que toca a extorquir dinheiro aos contribuintes mais desprotegidos, eclipsando-se quando toca a exigir dinheiro aos mais poderosos.
Este estado de coisas envenena a confiança e a economia, acabando por dificultar a execução financeira que tanto presa e pela qual clama, enquanto tenta disfarçar a faceta de bandido agiota.
O Estado Português, aquela entidade em quem não temos outro remédio a não ser confiar e obedecer, não é uma pessoa de bem. Não sei se com a desculpa de não ser uma pessoa individual, dificultando o apontar de dedo ao culpado mor, usa e abusa da nossa confiança.
Aproveita todos os subterfúgios para subtrair dinheiro aos contribuintes involuntários, ao mesmo tempo que gere de forma (quase) dolosa o tesouro público.
Consegue, recorrendo ao uso de ferramentas informáticas, simultaneamente aumentar a eficiência da máquina fiscal e recusar-se a actualizar avaliações do património imobiliário. Operação que, certamente, qualquer computador conseguiria calcular com facilidade, desde que apetrechado com o programa correcto.
Consegue, ao mesmo tempo que impõe um imposto automóvel exorbitante, calcular um imposto sobre o valor acrescentado que incide também sobre o dito imposto automóvel. Talvez entusiasmado com tamanho valor do primeiro, imputar ao comprador um valor acrescentado que reconhece com o segundo. Malabarismo ao qual recorre noutros impostos. Muitos dos quais que, todos somados, são superiores à outra parcela que paga o produto ou o serviço propriamente dito.
Incumbe outras entidades de cobrar taxas e outras contribuições, algumas aparentemente irrisórias, onde arrecada mais algum valor ao alargar ao máximo a base da contribuição.
Aproveitando o exemplo e para ser compensada por cortes nas transferências da administração central, a local cobra mais uma parafernália de taxas e outras contribuições, nem sempre contribuindo para a percepção do contribuinte que contribui para um bem maior.
Nalguns casos cobra desproporcionadamente por serviços que concessiona a terceiros por valores bem menores, sem apresentar qualquer valor acrescentado pela intermediação efectuada.
Administrativamente, com a cobertura do Estado, cobra tudo o que pode, dando o menos possível como retorno. Imitando perfeitamente o modus operandi do Estado central omnipotente e omnipresente no que toca a extorquir dinheiro aos contribuintes mais desprotegidos, eclipsando-se quando toca a exigir dinheiro aos mais poderosos.
Este estado de coisas envenena a confiança e a economia, acabando por dificultar a execução financeira que tanto presa e pela qual clama, enquanto tenta disfarçar a faceta de bandido agiota.
2014-09-28
Fracasso vocabular
Enquanto que para o fracasso alheio há sempre palavras que chegam e sobram para o caracterizar, normalmente para o meu são poucas. Ou nenhumas.
Mesmo que o fracasso não tenha dependido apenas de mim, a minha quota parte da culpa nunca fica solteira. Desculpar o meu fracasso com o fracasso alheio sempre me pareceu fraco. Muito fraco. E atribui-lo ao azar é aselhice.
Faltam-me adjectivos e desculpas. A falha fulanizada aponta imediatamente um culpado. Um culpado que é preciso punir, sem apelo nem agravo. E ao mesmo tempo sem qualquer julgamento justo.
A justiça, apesar de necessitar de rapidez se pretender ser justa, necessita de tempo para que haja distanciamento, uma vez que não se deve ser juiz em causa própria. E na própria causa a culpa ofusca qualquer razão.
Ainda que digam que o silêncio é preferível a proferir palavras sem sentido, mas como armas, para mim o silêncio não é de ouro. Ou ficaria rico após cada fracasso, motivando-me para projectar o próximo.
Entretanto, quando nada mais há para conversar, não há maior, e ao mesmo tempo mais justa, punição do que a ausência e respectivo silêncio.
Mesmo que o fracasso não tenha dependido apenas de mim, a minha quota parte da culpa nunca fica solteira. Desculpar o meu fracasso com o fracasso alheio sempre me pareceu fraco. Muito fraco. E atribui-lo ao azar é aselhice.
Faltam-me adjectivos e desculpas. A falha fulanizada aponta imediatamente um culpado. Um culpado que é preciso punir, sem apelo nem agravo. E ao mesmo tempo sem qualquer julgamento justo.
A justiça, apesar de necessitar de rapidez se pretender ser justa, necessita de tempo para que haja distanciamento, uma vez que não se deve ser juiz em causa própria. E na própria causa a culpa ofusca qualquer razão.
Ainda que digam que o silêncio é preferível a proferir palavras sem sentido, mas como armas, para mim o silêncio não é de ouro. Ou ficaria rico após cada fracasso, motivando-me para projectar o próximo.
Entretanto, quando nada mais há para conversar, não há maior, e ao mesmo tempo mais justa, punição do que a ausência e respectivo silêncio.
2014-09-13
O tempo mortal
O mortal que passa o tempo
A lamentar-se do tempo que faz,
Perde tempo, perde gás.
Esquece que o tempo
Não pára nem volta atrás.
Não quer ver que o tempo
Ignora a sua pequenez.
Ainda que de quando em vez
Lhe faça, por um momento,
Pensar que é grande o seu,
Ainda que por pouco tempo,
Reflexo que mira num espelho.
No mesmo que deforma
A realidade, que só ele vê.
Sempre novo, nunca velho,
O tempo que transforma
O cérebro que, ainda sendo seu,
Não comanda totalmente
E sobre a sua imagem mente.
E quando o seu tempo acabar
Quem perderá tempo a recordar?
A lamentar-se do tempo que faz,
Perde tempo, perde gás.
Esquece que o tempo
Não pára nem volta atrás.
Não quer ver que o tempo
Ignora a sua pequenez.
Ainda que de quando em vez
Lhe faça, por um momento,
Pensar que é grande o seu,
Ainda que por pouco tempo,
Reflexo que mira num espelho.
No mesmo que deforma
A realidade, que só ele vê.
Sempre novo, nunca velho,
O tempo que transforma
O cérebro que, ainda sendo seu,
Não comanda totalmente
E sobre a sua imagem mente.
E quando o seu tempo acabar
Quem perderá tempo a recordar?
2014-07-07
Nem príncipes, nem princesas
O absolutismo tendeu a passar de moda. Há muito que o quero, posso e mando entrou em desuso na relação dos progenitores e respectiva prole. Mas, sub-repticiamente e paulatinamente, começou a instalar-se seguindo o sentido inverso.
Na ânsia de querer tratar os descendentes como se de príncipes e de princesas se tratassem, os reis absolutos do antigamente, raramente contestados, abdicaram.
Talvez por não quererem fazer aos próprios filhos o que os seus próprios pais lhes fizeram, preferiram optar por uma educação mais participada. Compareceram como iguais perante os filhos, e acabaram como subalternos. Abdicaram do trono que sabiam não lhes pertencer e inadvertidamente nele colocaram os seus príncipes e suas princesas.
E ambos perderam a noção de quando os príncipes e as princesas passaram a reis e a rainhas.
Na ânsia de querer tratar os descendentes como se de príncipes e de princesas se tratassem, os reis absolutos do antigamente, raramente contestados, abdicaram.
Talvez por não quererem fazer aos próprios filhos o que os seus próprios pais lhes fizeram, preferiram optar por uma educação mais participada. Compareceram como iguais perante os filhos, e acabaram como subalternos. Abdicaram do trono que sabiam não lhes pertencer e inadvertidamente nele colocaram os seus príncipes e suas princesas.
E ambos perderam a noção de quando os príncipes e as princesas passaram a reis e a rainhas.
2014-01-02
Entro em ti
A novidade provoca excitação e ansiedade. A vontade cresce em cada momento. Motivando a exploração do sentimento. Este floresce sem qualquer consentimento. E quando tomamos conhecimento, tarda o encontro. Tarda o momento. Em que entro em ti, por não mais caber em mim de tanto contentamento. E neste movimento, em que me atiro para dentro, saio de mim e entro em ti, nem que seja por pouco tempo...
2013-05-10
Plena aceleração
À partida agarramo-nos ao que pudermos. Com medo de cair. Alucinados com a vertigem, deliciados com a mudança de velocidade repentina. Esquecendo a inércia que nos mantinha no mesmo lugar. Esquecendo também que essa mesma inércia nos impedirá de parar imediatamente. Ainda que o queiramos. Ainda que nos apercebamos atempadamente que aquela direcção não é a correcta, a desaceleração também não será imediata. Seria quase imediata se encontrássemos na nossa trajectória um corpo com ainda maior inércia.
Esta perda de equilíbrio provoca uma excitação de difícil explicação. Esta mudança de velocidade estimula os sentidos e entorpece o raciocínio. Apenas o treino permite manter os reflexos céleres e eficazes.
Os eventuais acidentes deixam marcas inesquecíveis. Mas esquecemos isso, inebriados pela mudança de velocidade. Pela sensação de desastre eminente, ao mesmo tempo que não nos passa pela cabeça qualquer acidente. Que nos sentimos imortais nestes breves instantes. E acabamos por morrer lentamente, à medida que esta sensação nos abandona. Até à próxima.
Esta perda de equilíbrio provoca uma excitação de difícil explicação. Esta mudança de velocidade estimula os sentidos e entorpece o raciocínio. Apenas o treino permite manter os reflexos céleres e eficazes.
Os eventuais acidentes deixam marcas inesquecíveis. Mas esquecemos isso, inebriados pela mudança de velocidade. Pela sensação de desastre eminente, ao mesmo tempo que não nos passa pela cabeça qualquer acidente. Que nos sentimos imortais nestes breves instantes. E acabamos por morrer lentamente, à medida que esta sensação nos abandona. Até à próxima.
2013-03-12
Que fome!
"Podes vir para o pé de mim, que eu não te mordo" - disse-lhe ela
com um ar sorridente e num tom quase desafiante.
"É precisamente por isso que não me aproximo mais" - retorquiu-lhe ele, encolhendo os ombros, mantendo-se à mesma distância.
Os pensamentos dele afastaram-se daquele espaço e daquele tempo e embrenharam-se noutros. A sua expressão tornou-se sombria, deixando subentender que o mundo onde o seu cérebro estava, para além de distante, não seria muito agradável, nem iluminado.
"É precisamente por isso que não me aproximo mais" - retorquiu-lhe ele, encolhendo os ombros, mantendo-se à mesma distância.
Os pensamentos dele afastaram-se daquele espaço e daquele tempo e embrenharam-se noutros. A sua expressão tornou-se sombria, deixando subentender que o mundo onde o seu cérebro estava, para além de distante, não seria muito agradável, nem iluminado.
Lembrava-se de estar num espaço e num tempo onde o afastamento era nulo. Onde ambos estavam tão próximos que só a pele os mantinha afastados. Onde o toque da boca dela e dos respectivos dentes o tinham surpreendido. Onde as quase dolorosas marcas, sempre por ela negadas, eram exibidas com orgulho.
Num tempo que parecia ao mesmo tempo tão eterno e tão fugaz. Um espaço e um tempo tão afastados de si, cujo afastamento parecia tender para o infinito. Quase tão depressa quanto o seu sentimento. Sentimento que agora se aproximava de zero, contrariando toda a matemática e a lógica. Ou talvez tivesse sido a lógica contrariada desde o início. Desde aquele sistemático contestar e protelar da relação. Relação secreta, escondida. Quase inconfessável. Que muitos adivinhavam e tomavam como certa. E acertaram até certo ponto. Até ao ponto do não retorno. Um ponto que apesar de parecer de fuga apenas à vista, tinha sido de fuga inconsciente, mas definitiva. Onde a plasticidade da relação tinha sido levada longe demais, levada para lá do ponto de ruptura.
Durante meses os palavrões, as dentadas, os movimentos, os gemidos e o desejo não lhe tinham saído da cabeça. Martelavam-lhe o cérebro quase com o mesmo ritmo de passagem daqueles pensamentos recorrentes. Minuto a minuto, hora a hora, massacravam-no quase com a mesma intensidade dos momentos de prazer de que se recordava. E agora, nada.
"Estás cheio de fome?" - insistiu querendo ser agradavelmente simpática, enquanto olhava em redor para as mesas ainda repletas - "Eu tenho bastante".
"Tenho. Muita." - concluiu ele afastando-se para procurar algo onde ferrar os dentes.
Num tempo que parecia ao mesmo tempo tão eterno e tão fugaz. Um espaço e um tempo tão afastados de si, cujo afastamento parecia tender para o infinito. Quase tão depressa quanto o seu sentimento. Sentimento que agora se aproximava de zero, contrariando toda a matemática e a lógica. Ou talvez tivesse sido a lógica contrariada desde o início. Desde aquele sistemático contestar e protelar da relação. Relação secreta, escondida. Quase inconfessável. Que muitos adivinhavam e tomavam como certa. E acertaram até certo ponto. Até ao ponto do não retorno. Um ponto que apesar de parecer de fuga apenas à vista, tinha sido de fuga inconsciente, mas definitiva. Onde a plasticidade da relação tinha sido levada longe demais, levada para lá do ponto de ruptura.
Durante meses os palavrões, as dentadas, os movimentos, os gemidos e o desejo não lhe tinham saído da cabeça. Martelavam-lhe o cérebro quase com o mesmo ritmo de passagem daqueles pensamentos recorrentes. Minuto a minuto, hora a hora, massacravam-no quase com a mesma intensidade dos momentos de prazer de que se recordava. E agora, nada.
"Estás cheio de fome?" - insistiu querendo ser agradavelmente simpática, enquanto olhava em redor para as mesas ainda repletas - "Eu tenho bastante".
"Tenho. Muita." - concluiu ele afastando-se para procurar algo onde ferrar os dentes.
2013-03-03
Mau azeite
É do senso comum que a água e o azeite não se misturam. Já não será tanto desse senso explicar o porquê. Recorrendo à Química, ficamos a saber que as moléculas de água atraem-se umas às outras com mais intensidade do que atraem as moléculas do azeite (ou de outro óleo qualquer). A separação entre estas duas substâncias não ocorre por rejeição entre as moléculas de água e as do azeite. Aliás, as moléculas do azeite até se sentem bastante atraídas pelas da água. Mas só conseguem aproximar-se das que ficam na fronteira entre uma substância e a outra. Na aproximação que as moléculas da água fazem entre si, expulsam todas as moléculas do azeite para fora do seu grupo.
Por causa da densidade do azeite ser menor que a da água, o azeite tende a ficar por cima da água, apresentando duas fases distintas, como quaisquer dois bons líquidos imiscíveis. Este ficar por cima, nada tem a ver com o carácter de uma ou da outra substância. Apenas acontece com naturalidade, pela relação entre esta propriedade intrínseca de uma e de outra substância.
A natureza não faz distinção de modo subjectivo. Objectivamente, a massa da Terra atrai (e é atraída) com mais intensidade pelas substâncias cuja densidade é maior. Neste caso, atrai mais fortemente a água do que o azeite, deixando-o a flutuar sobre a água, que fica no fundo, mais próxima da Terra.
Por muito que o azeite quisesse, a água não admite misturas.
Por causa da densidade do azeite ser menor que a da água, o azeite tende a ficar por cima da água, apresentando duas fases distintas, como quaisquer dois bons líquidos imiscíveis. Este ficar por cima, nada tem a ver com o carácter de uma ou da outra substância. Apenas acontece com naturalidade, pela relação entre esta propriedade intrínseca de uma e de outra substância.
A natureza não faz distinção de modo subjectivo. Objectivamente, a massa da Terra atrai (e é atraída) com mais intensidade pelas substâncias cuja densidade é maior. Neste caso, atrai mais fortemente a água do que o azeite, deixando-o a flutuar sobre a água, que fica no fundo, mais próxima da Terra.
Por muito que o azeite quisesse, a água não admite misturas.
2013-02-13
Difícil conjugação
Eu decepcionei-te
Tu decepcionas-me
Ele decepcionar-te-á
Nós decepcionar-nos-íamos
Vós decepcionaste-vos
Eles decepcionam
Tu decepcionas-me
Ele decepcionar-te-á
Nós decepcionar-nos-íamos
Vós decepcionaste-vos
Eles decepcionam
2013-02-12
Fazes-me falta
Ainda mais neste tempo tão frio e cinzento, faz-me falta o regresso da tua Primavera.
O desassossego que provocavas com a tua presença, contrasta com o desassossego que a tua ausência provoca.
Apesar do que dizem, a necessidade de apaziguamento agudiza-se com o passar do tempo. Dizem que o tempo tudo cura, enquanto eu o vejo passear-se em câmara lenta. Enquanto sinto o meu coração cozer em lume brando.
Não somos estranhos um ao outro. Apenas estranhamos a alteração do sentimento forte que nutríamos um pelo outro.
Agora, fruto do desencanto e do afastamento, encaramo-lo de forma fugidia.
E neste estranho reconhecimento, conhecemos que nada volta atrás. Que nada volta a ser como era. Porque já nem nos lembramos exactamente como era. Apenas recordamos o que imaginamos que foi.
Os apetites outrora insaciáveis, ficaram saciados de um momento para o outro. É possível ver o instante em que a linha quebrou. Em que deixou de ser recta, de declive positivo, para passar a ser quebrada, ziguezagueando sem levar a lado algum.
A paixão ardente não se transformou no amor quente que ambos procurávamos um no outro. No amor quente que todos merecemos e necessitamos. Procuramo-lo e, quiçá, encontramo-lo noutro sujeito. Então tentamos não ser apenas um verbo de encher. Ou talvez sejamos, se ainda não estivermos definitivamente curados deste sentimento que jaz escondido nos nossos peitos. E não o revelamos. Nem o podemos revelar, ou deixaria de ser um segredo bem guardado. E muito menos o podemos confessar um ao outro, para não corrermos o risco de percorrer o mesmo calvário que nos trouxe até aqui.
Anonimamente confesso que o percorreria de bom grado, se caminhasses a meu lado e me ajudasses a levantar de cada vez que caísse. Nunca te empurraria, ainda que fosse capaz.
O desassossego que provocavas com a tua presença, contrasta com o desassossego que a tua ausência provoca.
Apesar do que dizem, a necessidade de apaziguamento agudiza-se com o passar do tempo. Dizem que o tempo tudo cura, enquanto eu o vejo passear-se em câmara lenta. Enquanto sinto o meu coração cozer em lume brando.
Não somos estranhos um ao outro. Apenas estranhamos a alteração do sentimento forte que nutríamos um pelo outro.
Agora, fruto do desencanto e do afastamento, encaramo-lo de forma fugidia.
E neste estranho reconhecimento, conhecemos que nada volta atrás. Que nada volta a ser como era. Porque já nem nos lembramos exactamente como era. Apenas recordamos o que imaginamos que foi.
Os apetites outrora insaciáveis, ficaram saciados de um momento para o outro. É possível ver o instante em que a linha quebrou. Em que deixou de ser recta, de declive positivo, para passar a ser quebrada, ziguezagueando sem levar a lado algum.
A paixão ardente não se transformou no amor quente que ambos procurávamos um no outro. No amor quente que todos merecemos e necessitamos. Procuramo-lo e, quiçá, encontramo-lo noutro sujeito. Então tentamos não ser apenas um verbo de encher. Ou talvez sejamos, se ainda não estivermos definitivamente curados deste sentimento que jaz escondido nos nossos peitos. E não o revelamos. Nem o podemos revelar, ou deixaria de ser um segredo bem guardado. E muito menos o podemos confessar um ao outro, para não corrermos o risco de percorrer o mesmo calvário que nos trouxe até aqui.
Anonimamente confesso que o percorreria de bom grado, se caminhasses a meu lado e me ajudasses a levantar de cada vez que caísse. Nunca te empurraria, ainda que fosse capaz.
2013-02-04
Poemão
Uma mulher com tesão,
Oferece tesão, até mais não.
Nessa fixação, havendo fricção,
Haverá um crescendo na excitação.
Quando a mulher abusa do palavrão,
Puxa ainda mais pelo desejo de acção.
Nos preliminares aumenta a provocação,
Olhares, sabores, cheiros, sôfrega apalpação.
A pureza do instinto animal eleva a dominação,
Sobre o seu instinto racional apelando à contenção.
Os corpos desenfreados aumentam a rápida circulação
Do sangue que parece ferver, ameaçando entrar em ebulição.
Sem dúvida, a natureza segue o seu curso propiciando prazer e satisfação.
Ambos ficam extasiados, embrenhados, perdidos e esgotados nesta situação.
Sabendo isto e se, porventura, te vires sem companhia para tamanha exploração,
Põe a mão...
Oferece tesão, até mais não.
Nessa fixação, havendo fricção,
Haverá um crescendo na excitação.
Quando a mulher abusa do palavrão,
Puxa ainda mais pelo desejo de acção.
Nos preliminares aumenta a provocação,
Olhares, sabores, cheiros, sôfrega apalpação.
A pureza do instinto animal eleva a dominação,
Sobre o seu instinto racional apelando à contenção.
Os corpos desenfreados aumentam a rápida circulação
Do sangue que parece ferver, ameaçando entrar em ebulição.
Sem dúvida, a natureza segue o seu curso propiciando prazer e satisfação.
Ambos ficam extasiados, embrenhados, perdidos e esgotados nesta situação.
Sabendo isto e se, porventura, te vires sem companhia para tamanha exploração,
Põe a mão...
2013-02-01
A moral da maçã
Dizem as más línguas, e todos nós sabemos como estas nos podem deixar tristes ou frustrados, que a cassete de vídeo betamax perdeu a guerra contra a VHS devido à pornografia. Poderão os leitores mais velhos perguntar o que é isso do betamax? E os mais novos perguntar, além disso, o que é isso da cassete? Aconselho a ambos que procurem. Nem que seja na famigerada Wikipedia.
O betamax apresentava um tamanho menor, maior qualidade de imagem, maior rapidez na utilização e um licenciamento muito limitado. Praticamente só a Sony vendia leitores. O VHS apresentava maior duração e uma maior liberdade de fabrico e venda.
Depois dos esclarecimentos providenciados pela pesquisa, os leitores poderão voltar à carga. E onde aparece a pornografia? Espero que uma questão colocada sem um ar demasiado sôfrego, ou alguém poderá ser levado a pensar que isso é o que realmente lhes importa.
É que a Sony, nunca quis licenciar o formato para a produção de filmes pornográficos. Logo, enquanto que no início num clube de vídeo (sim, porque antigamente não estavam dentro das caixas ligadas às televisões), aparecia a pergunta para os outros filmes se preferia em formato beta ou VHS. Essa questão nunca se colocou para os filmes guardados naquela zona mais recatada do clube. Onde até as capas eram apenas «discretamente» coloridas. Desprovidas das imagens dos filmes, as quais estavam censuradamente guardadas no interior da caixa da cassete.
O erro não se repetiu com o formato blu-ray. A Sony possui uma editora, enfiou discretamente leitores blu-ray em casa dos jogadores das consolas Playstation 3, permite que outros fabricantes vendam leitores e já licenciou o formato para editoras de filmes para adultos.
Aparentemente a empresa da maçã mordida, parece querer manter fora da sua store o fruto proibido da pornografia. Quer um paraíso inocente em cada iJesus que vende a preços elevados, enquanto a serpente tenta os utilizadores com promessas de boas imagens naqueles grandes e belos ecrãs. Obviamente, fora da tal store.
No entanto poderá apenas ser uma ilusão, dada a potencial disponibilidade de pornografia em cada página de exibição de imagens paradas ou em movimento. E se esta sabe ser um móbil poderoso, dado que cavalga em cima do sexo...
O betamax apresentava um tamanho menor, maior qualidade de imagem, maior rapidez na utilização e um licenciamento muito limitado. Praticamente só a Sony vendia leitores. O VHS apresentava maior duração e uma maior liberdade de fabrico e venda.
Depois dos esclarecimentos providenciados pela pesquisa, os leitores poderão voltar à carga. E onde aparece a pornografia? Espero que uma questão colocada sem um ar demasiado sôfrego, ou alguém poderá ser levado a pensar que isso é o que realmente lhes importa.
É que a Sony, nunca quis licenciar o formato para a produção de filmes pornográficos. Logo, enquanto que no início num clube de vídeo (sim, porque antigamente não estavam dentro das caixas ligadas às televisões), aparecia a pergunta para os outros filmes se preferia em formato beta ou VHS. Essa questão nunca se colocou para os filmes guardados naquela zona mais recatada do clube. Onde até as capas eram apenas «discretamente» coloridas. Desprovidas das imagens dos filmes, as quais estavam censuradamente guardadas no interior da caixa da cassete.
O erro não se repetiu com o formato blu-ray. A Sony possui uma editora, enfiou discretamente leitores blu-ray em casa dos jogadores das consolas Playstation 3, permite que outros fabricantes vendam leitores e já licenciou o formato para editoras de filmes para adultos.
Aparentemente a empresa da maçã mordida, parece querer manter fora da sua store o fruto proibido da pornografia. Quer um paraíso inocente em cada iJesus que vende a preços elevados, enquanto a serpente tenta os utilizadores com promessas de boas imagens naqueles grandes e belos ecrãs. Obviamente, fora da tal store.
No entanto poderá apenas ser uma ilusão, dada a potencial disponibilidade de pornografia em cada página de exibição de imagens paradas ou em movimento. E se esta sabe ser um móbil poderoso, dado que cavalga em cima do sexo...
2013-01-28
Saúdo os saudáveis
Querer pôr-se saudável pode dar merda. Digo isto com toda a convicção que o saber de experiência feito nos pode dar. Um tipo prepara-se. Equipa-se. Veste uns calções pipis, uma sweat laroca e uns ténis tecnicamente capazes. Aquece vagamente (ou vagarosamente) e parte para uma corrida. À partida escorrega em algo, mas não cai. Corre ao ritmo que pode, ainda sem o odómetro (ou será pedómetro) preso a uma qualquer parte do corpo, o qual lhe poderá dar uma contagem dos kilometros percorridos e das kilocalorias gastas. Presumo que, após a instalação de pilha nova e encontrando algum manual, ainda tenha que calibrar a passada.
E o ritmo que pode, podendo não ser muito elevado, é forte para este tipo. Do tipo de ter dificuldades em manter o ritmo das pernas certo, com a respiração ofegante. Mas lá vai ele, certo de estar a cuidar da sua boa forma física. E, melhor que fica parado, é pôr-se a mexer. Acelera o coração e melhora a circulação. Desde que a malta não se ponha a chocar uns contra os outros.
Como é habitual em quem ainda não se habituou a este ritmo de treino, a corrida acaba rapidamente. O regresso faz-se a passo, ainda que acelerado, bem mais devagar que à partida. Pouco depois de entrar em casa, ainda a tentar recuperar o fôlego, sente-se um aroma diferente do perfume habitual da casa. Senta-se para se descalçar e observa o inevitável. A escorregadela inicial foi desmistificada. Há algo de terrivelmente mal cheiroso agarrado à sola do pé esquerdo. Isto é que foi uma entrada com o pé esquerdo.
E o ritmo que pode, podendo não ser muito elevado, é forte para este tipo. Do tipo de ter dificuldades em manter o ritmo das pernas certo, com a respiração ofegante. Mas lá vai ele, certo de estar a cuidar da sua boa forma física. E, melhor que fica parado, é pôr-se a mexer. Acelera o coração e melhora a circulação. Desde que a malta não se ponha a chocar uns contra os outros.
Como é habitual em quem ainda não se habituou a este ritmo de treino, a corrida acaba rapidamente. O regresso faz-se a passo, ainda que acelerado, bem mais devagar que à partida. Pouco depois de entrar em casa, ainda a tentar recuperar o fôlego, sente-se um aroma diferente do perfume habitual da casa. Senta-se para se descalçar e observa o inevitável. A escorregadela inicial foi desmistificada. Há algo de terrivelmente mal cheiroso agarrado à sola do pé esquerdo. Isto é que foi uma entrada com o pé esquerdo.
2013-01-18
Erica vai às fontes
E não irá partir a cantarinha. Foi o que me lembrei a propósito do prémio que tão justamente Erica Fontes terá recebido pelo seu talento representativo. Prevendo tratar-se de um trabalho muito excitante, meti mão à obra e fui investigar.
Entre os trabalhos onde se viu metida e lhe vieram a meter, virei a destacar alguns. Obviamente isto obrigou-me a intensa pesquisa e a alguns momentos de visionamento duro.
No sítio BangBros aparece num episódio de Monsters of Cock, vestida (pouco mais tarde despida) de cor-de-rosa, com um colar onde se pode ler Barbie. Vê-se negra para conseguir engolir um trabalho daquele tamanho. Tem talento para dizer baby em português e para uns quantos esgares que simulam a dor de não conseguir engolir mais. Cavalga confiante a tarefa, mostrando que independentemente do seu tamanho, tem muita arrumação.
Em Culioneros mostra-se em Ready for Public Action, onde é filmada em vários actos em locais supostamente públicos. Numa das posições mostra tanto prazer que a camisinha parece mudar de cor. Destaque no, obviamente exíguo, guarda-roupa para as botas estilo esquimó, com uns pompons. No mesmo sítio, fez um episódio da série Take In the Ass Like That, onde não me parece que seja necessárias grandes explicações.
Em PornPros, com uns óculos em forma de um par de corações exibe orgulhosamente uma camisola verde, com Portugal escrito em vermelho, e explica que tudo o que fez pela primeira vez, foi com 14 anos (um ano muito preenchido, certamente). As pestanas postiças e as raízes pintadas de escuro dão-lhe um visual mais próximo de um hambúrguer do MacDonalds do que de um bitoque com ovo a cavalo (sim, porque também posso fazer uma crítica a tamanho trabalho artístico). É que Deep Throat Love não dá espaço para que muitas palavras lhe saiam da garganta, após o início da verdadeira acção. Ainda que a acção não se fique por ali e se venha por outros caminhos. Destaque para as cenas em pé: de levantar o público. E um final com um pedido muito especial na língua de Camões e mais uns quantos palavrões.
Em Brazzers, começa por ser uma sluty honey beaver, seja lá o que isso for, mas corre pelo bosque em biquini e acaba por ser uma teen que Likes It Big ou é chegado o tempo da época de acasalamento.
Em Eye Fucked Them All, entra numa acção com pouca história e muito molho dela e do colega com quem contracena. O peito parece maior que nas outras cenas, talvez revelando tratar-se de um trabalho mais recente.
Em FuckedHard18, o que começa como uma massagem, acaba como em todos os outros filmes, mas em cima de uma marquesa.
Nada do que referi aqui, aparece no seu sítio oficial, mostrando que apenas arranhei a superfície do seu trabalho.
Por este «pequeno» apanhado, podemos imaginar como tem sido produtiva a sua carreira, mostrando que os portugueses quando saem para fora, rendem tanto ou mais que os estrangeiros.
Entre os trabalhos onde se viu metida e lhe vieram a meter, virei a destacar alguns. Obviamente isto obrigou-me a intensa pesquisa e a alguns momentos de visionamento duro.
No sítio BangBros aparece num episódio de Monsters of Cock, vestida (pouco mais tarde despida) de cor-de-rosa, com um colar onde se pode ler Barbie. Vê-se negra para conseguir engolir um trabalho daquele tamanho. Tem talento para dizer baby em português e para uns quantos esgares que simulam a dor de não conseguir engolir mais. Cavalga confiante a tarefa, mostrando que independentemente do seu tamanho, tem muita arrumação.
Em Culioneros mostra-se em Ready for Public Action, onde é filmada em vários actos em locais supostamente públicos. Numa das posições mostra tanto prazer que a camisinha parece mudar de cor. Destaque no, obviamente exíguo, guarda-roupa para as botas estilo esquimó, com uns pompons. No mesmo sítio, fez um episódio da série Take In the Ass Like That, onde não me parece que seja necessárias grandes explicações.
Em PornPros, com uns óculos em forma de um par de corações exibe orgulhosamente uma camisola verde, com Portugal escrito em vermelho, e explica que tudo o que fez pela primeira vez, foi com 14 anos (um ano muito preenchido, certamente). As pestanas postiças e as raízes pintadas de escuro dão-lhe um visual mais próximo de um hambúrguer do MacDonalds do que de um bitoque com ovo a cavalo (sim, porque também posso fazer uma crítica a tamanho trabalho artístico). É que Deep Throat Love não dá espaço para que muitas palavras lhe saiam da garganta, após o início da verdadeira acção. Ainda que a acção não se fique por ali e se venha por outros caminhos. Destaque para as cenas em pé: de levantar o público. E um final com um pedido muito especial na língua de Camões e mais uns quantos palavrões.
Em Brazzers, começa por ser uma sluty honey beaver, seja lá o que isso for, mas corre pelo bosque em biquini e acaba por ser uma teen que Likes It Big ou é chegado o tempo da época de acasalamento.
Em Eye Fucked Them All, entra numa acção com pouca história e muito molho dela e do colega com quem contracena. O peito parece maior que nas outras cenas, talvez revelando tratar-se de um trabalho mais recente.
Em FuckedHard18, o que começa como uma massagem, acaba como em todos os outros filmes, mas em cima de uma marquesa.
Nada do que referi aqui, aparece no seu sítio oficial, mostrando que apenas arranhei a superfície do seu trabalho.
Por este «pequeno» apanhado, podemos imaginar como tem sido produtiva a sua carreira, mostrando que os portugueses quando saem para fora, rendem tanto ou mais que os estrangeiros.
2013-01-02
Os mais (des)afortunados
Contrastando com o fatalismo que parece ser apanágio dos portugueses, reconheço um optimismo desproporcionado perante a adversidade. Basta atentar em qualquer observação sobre um acidente ou sobre uma doença grave onde alguém conhecido se vê envolvido (idem para situações menos graves).
Imaginem que alguém decide ir cortar lenha com uma rebarbadora. É obviamente uma má decisão utilizar uma ferramenta inadequada. E piora bastante, dado tratar-se de uma tarefa potencialmente perigosa. Colocada a ferramenta errada nas mãos erradas, os dados estão lançados.
Tudo corre mal quando o disco prende na madeira, fazendo saltar a máquina em funcionamento das mãos que a seguram, enterrando uma parte do disco num dos gémeos de uma das pernas. O sangue jorra e a capacidade motora fica dramaticamente diminuída. Estando o indivíduo num local mais ou menos ermo onde não consegue chamar por auxílio, resta-lhe arrastar-se até à estrada onde alguém que passa lhe acaba por acudir.
É fácil imaginar comentários do género: "ele ainda teve sorte por alguém ter passado" ou "felizmente não se feriu com mais gravidade" ou ainda "o disco da rebarbadora estava gasto. Se estivesse mais afiado cortava-lhe a perna".
E o que parecia não passar de aselhice, transformou-se apenas num azar. O qual nem sequer foi maior, por ter havido sorte à mistura. Um fado que, embora tristonho, tem uma reviravolta final animadora. E tudo acabou bem.
Imaginemos agora que, apesar do socorro, a perna ficou perdida. "Felizmente não morreu". "Perdeu a perna mas salvaram-lhe a vida".
E se tivesse morrido? "Esvair-se em sangue atenuou bastante as dores iniciais que deve ter sentido. No fim, nem terá sofrido muito"...
Imaginem que alguém decide ir cortar lenha com uma rebarbadora. É obviamente uma má decisão utilizar uma ferramenta inadequada. E piora bastante, dado tratar-se de uma tarefa potencialmente perigosa. Colocada a ferramenta errada nas mãos erradas, os dados estão lançados.
Tudo corre mal quando o disco prende na madeira, fazendo saltar a máquina em funcionamento das mãos que a seguram, enterrando uma parte do disco num dos gémeos de uma das pernas. O sangue jorra e a capacidade motora fica dramaticamente diminuída. Estando o indivíduo num local mais ou menos ermo onde não consegue chamar por auxílio, resta-lhe arrastar-se até à estrada onde alguém que passa lhe acaba por acudir.
É fácil imaginar comentários do género: "ele ainda teve sorte por alguém ter passado" ou "felizmente não se feriu com mais gravidade" ou ainda "o disco da rebarbadora estava gasto. Se estivesse mais afiado cortava-lhe a perna".
E o que parecia não passar de aselhice, transformou-se apenas num azar. O qual nem sequer foi maior, por ter havido sorte à mistura. Um fado que, embora tristonho, tem uma reviravolta final animadora. E tudo acabou bem.
Imaginemos agora que, apesar do socorro, a perna ficou perdida. "Felizmente não morreu". "Perdeu a perna mas salvaram-lhe a vida".
E se tivesse morrido? "Esvair-se em sangue atenuou bastante as dores iniciais que deve ter sentido. No fim, nem terá sofrido muito"...
2012-12-25
Toma e embrulha
Não sei se por diversão, se por maldade, este ano adoptei uma técnica bastante ecológica. Em vez de embrulhar as prendas e entregá-las em mãos aos destinatários, optei por usar a técnica do toma e embrulha. Na realidade, o toma foi bastante subtil. E o embrulha ficou ao critério de cada destinatário.
Antes que os leitores comecem a pensar em perfídias, explico que consistia apenas em colocar as prendas discretamente no meio dos pertences do aniversariante ou do destinatário natalino. Sem aviso, coube ao receptor detectar a novidade e concluir que se tratava de uma oferta presente. E é delicioso reparar quando não se repara na novidade. Quando é preciso ajudar a detectar o presente.
Obviamente esta técnica deve ser executada com supervisão do oferente. E o oferente necessita de ter acesso com permissão aos bens do ofertado. Ninguém quereria que a prenda fosse desviada por outrem ou danificada pelo próprio apenas porque não detectada...
Antes que os leitores comecem a pensar em perfídias, explico que consistia apenas em colocar as prendas discretamente no meio dos pertences do aniversariante ou do destinatário natalino. Sem aviso, coube ao receptor detectar a novidade e concluir que se tratava de uma oferta presente. E é delicioso reparar quando não se repara na novidade. Quando é preciso ajudar a detectar o presente.
Obviamente esta técnica deve ser executada com supervisão do oferente. E o oferente necessita de ter acesso com permissão aos bens do ofertado. Ninguém quereria que a prenda fosse desviada por outrem ou danificada pelo próprio apenas porque não detectada...
2012-12-16
Dobrar ou virar a esquina?
Perdemos a conta a quantas esquinas passamos ao longo da nossa vida. Isto apesar de algumas terem deixado marcas indeléveis.
Mas não ficámos agarrados a elas. Ainda que a vontade fosse muita e, numa fase inicial, até marcas de unhas tenhamos lá deixado.
Seguimos o nosso caminho sem as esquecermos, sem as ignorarmos.
E quando encontramos uma nova, não pensamos no que ficou para trás. Tentamos imaginar o que poderá estar à nossa frente. O que poderá estar para além dela. O que poderá acontecer se a dobrarmos. E essa expectativa tem tanto de atractiva como de assustadora. A esquina desconhecida exerce fascínio especialmente por isso. Pela dualidade. E quando a encaramos de frente e vemos os dois lados ao mesmo tempo, percebemos se chegámos à esquina certa.
Chegar à esquina certa, não é o mesmo que chegar à esquina definitiva. Todas tendem a ser provisórias, até prova em contrário. E essa prova cabe ao tempo. E é preciso tanto tempo, quanto o tempo que nos for concedido, a partir do momento em que lá chegamos.
De frente para a esquina, conseguimos rever o percurso passado e tentamos antever o futuro. Após dobrá-la, não ficamos com o dom da clarividência. Não ficamos cheios de certezas. As dúvidas são suficientemente inquietantes para que não nos acomodemos, não devendo impossibilitar-nos de pararmos ou avançarmos, consoante nos aprouver.
É entre esquinas que mais claramente podemos reflectir. Não estando à sombra de uma delas, podemos melhor avaliar as que dobrámos e virámos. Poderá provocar algum desconforto, mas essa mesma sensação acaba por funcionar como motivação. Para avançar.
Após dobrá-la, podemos olhar para trás e verificar que, por mais marcas que lá possamos ter deixado, ela mantém a sua forma. E não adianta tentar lá voltar e bater-lhe com a cabeça. Acabaríamos ainda mais magoados.
Mas não ficámos agarrados a elas. Ainda que a vontade fosse muita e, numa fase inicial, até marcas de unhas tenhamos lá deixado.
Seguimos o nosso caminho sem as esquecermos, sem as ignorarmos.
E quando encontramos uma nova, não pensamos no que ficou para trás. Tentamos imaginar o que poderá estar à nossa frente. O que poderá estar para além dela. O que poderá acontecer se a dobrarmos. E essa expectativa tem tanto de atractiva como de assustadora. A esquina desconhecida exerce fascínio especialmente por isso. Pela dualidade. E quando a encaramos de frente e vemos os dois lados ao mesmo tempo, percebemos se chegámos à esquina certa.
Chegar à esquina certa, não é o mesmo que chegar à esquina definitiva. Todas tendem a ser provisórias, até prova em contrário. E essa prova cabe ao tempo. E é preciso tanto tempo, quanto o tempo que nos for concedido, a partir do momento em que lá chegamos.
De frente para a esquina, conseguimos rever o percurso passado e tentamos antever o futuro. Após dobrá-la, não ficamos com o dom da clarividência. Não ficamos cheios de certezas. As dúvidas são suficientemente inquietantes para que não nos acomodemos, não devendo impossibilitar-nos de pararmos ou avançarmos, consoante nos aprouver.
É entre esquinas que mais claramente podemos reflectir. Não estando à sombra de uma delas, podemos melhor avaliar as que dobrámos e virámos. Poderá provocar algum desconforto, mas essa mesma sensação acaba por funcionar como motivação. Para avançar.
Após dobrá-la, podemos olhar para trás e verificar que, por mais marcas que lá possamos ter deixado, ela mantém a sua forma. E não adianta tentar lá voltar e bater-lhe com a cabeça. Acabaríamos ainda mais magoados.
2012-11-19
O amor é tramado e parte
Tece uma trama que nos enreda, quase sem darmos por isso. Sabemos que algo nos começa a toldar os movimentos e a razão. A embaraçar os momentos e o coração. A entrelaçar os sentimentos e a emoção. Só nos apercebemos quando é tarde. Quando estamos enredados. E nunca entediados.
Por mais experientes que sejamos, somos surpreendidos pelo poder deste atropelamento. Que nos assalta. Que nos esmaga. Que nos arrebata. Por mais que tentemos manter os pés no chão. Por mais que queiramos resistir. Por mais que a razão nos tente dizer que não. Que não vai dar. Que não vai resultar. Que dá demasiado que pensar.
Pensamos ter o controlo. Pensamos conseguir superar. Pensamos que sim. Que já passou. Que já lá vai. Que o amor partiu. Para não voltar, não voltamos. Voltamos as costas. Voltamos a mudar de rumo. Rumamos a outro porto. Partimos, enquanto o próprio amor parte, deixando cacos à sua partida.
No entanto, parece que todos os caminhos vão dar a Roma. Num ou noutro sentido...
Por mais experientes que sejamos, somos surpreendidos pelo poder deste atropelamento. Que nos assalta. Que nos esmaga. Que nos arrebata. Por mais que tentemos manter os pés no chão. Por mais que queiramos resistir. Por mais que a razão nos tente dizer que não. Que não vai dar. Que não vai resultar. Que dá demasiado que pensar.
Pensamos ter o controlo. Pensamos conseguir superar. Pensamos que sim. Que já passou. Que já lá vai. Que o amor partiu. Para não voltar, não voltamos. Voltamos as costas. Voltamos a mudar de rumo. Rumamos a outro porto. Partimos, enquanto o próprio amor parte, deixando cacos à sua partida.
No entanto, parece que todos os caminhos vão dar a Roma. Num ou noutro sentido...
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