Aprecio a forma desajeitada como a modelo se sentou para a foto. Agarrou-se ao depósito, enquanto tenta manter as pernas juntas, de forma pudica. Pudica, pois aquele vestido curto espera que aqueles joelhos se afastem, para mostrar à objectiva da câmara a roupa interior inferior da modelo. Inferior apenas na localização, certamente.
Desajeitada, pois não é assim que se senta quem quiser domar toda a potência daquela máquina. Não é um cavalo que uma dama possa montar, mantendo ambas as pernas dependuradas para o mesmo lado. Apenas um dos sapatos de salto alto encontrou o poisa-pés correcto para se apoiar. O outro ficou pendurado. O do pendura fica demasiado afastado.
Independentemente da posição instável, e até talvez por ela mesma, é o sorriso divertido da bela que mais cativa. Ela que se segura para não cair, ainda que o monstro esteja imóvel.
Como é da praxe, numa máquina de desejo italiana, a cor do monstro só podia ser vermelha viva.
Devem agora compreender qual seria o monstro que eu desejo apresentar agora à minha bela...
(imagem da revista Auto Foco aquando da apresentação da Ducati Monster 1200 S no Salão de Milão de 2013)
2015-05-18
2015-04-30
Quando me apagar
Independentemente do mérito da imortalidade da obra de cada um, interrogo-me o que acontecerá a tudo aquilo que deixarmos publicado na Internet antes de morrermos realmente. Virtualmente poderá manter-se online durante muito mais tempo. Quem terá acesso, posterior ao nosso desaparecimento, às contas nos blogs, redes sociais, etc. que temos espalhadas pelo ciberespaço? Quem conseguirá decifrar as palavras-passe que garantem a segurança contra a utilização das nossas contas por terceiros? E quereremos que as decifrem? ou que as liquidem de vez?
Para além disso, há os contactos virtuais que se estabelecem. E muitos nunca passam disso mesmo. De virtuais. Como poderão distinguir a ausência por desinteresse, ou por outros interesses, da ausência por motivos de força maior? Por razões que não dão hipótese de contestação?
Quem se aperceberá deste grande apagão? Quais dos amigos reais conhecem plenamente a dimensão virtual deste eu? Do meu autor? Haverá possibilidade de deixar em testamento a nossa dimensão virtual? Ou, nem que seja virtualmente, haverá lugar a enterro?
Lápide alguma marcará este final.
Para além disso, há os contactos virtuais que se estabelecem. E muitos nunca passam disso mesmo. De virtuais. Como poderão distinguir a ausência por desinteresse, ou por outros interesses, da ausência por motivos de força maior? Por razões que não dão hipótese de contestação?
Quem se aperceberá deste grande apagão? Quais dos amigos reais conhecem plenamente a dimensão virtual deste eu? Do meu autor? Haverá possibilidade de deixar em testamento a nossa dimensão virtual? Ou, nem que seja virtualmente, haverá lugar a enterro?
Lápide alguma marcará este final.
Inconfessável
Calo o que sinto, pois não o posso partilhar. Nem contigo, nem com outra, o que ainda está em brasa dentro do meu coração. Sei que posso contar contigo, pois nada me perguntarás. Talvez com medo de reacenderes este vulcão adormecido. Cuja fúria já vislumbraste. Cujo poder já desejaste. E não mais o quererás, de tal forma incontrolável e ilógico ele surge.
De que adianta tanto poder se não for controlável? Só nos poderá magoar, se não nos deixar felizes para sempre. E sempre, é o tempo que este sentimento amordaçado parece ter. E se, para sempre, tiver que ficar no meu peito prisioneiro, assim será. A última coisa que desejo é voltar a magoar-te.
Magoar-me não me assusta. Por isso não fujo de ti a sete pés. Já no passado fugi e de nada me serviu.
Tenho que domar o indomável.
Tive que confessar o inconfessável.
De que adianta tanto poder se não for controlável? Só nos poderá magoar, se não nos deixar felizes para sempre. E sempre, é o tempo que este sentimento amordaçado parece ter. E se, para sempre, tiver que ficar no meu peito prisioneiro, assim será. A última coisa que desejo é voltar a magoar-te.
Magoar-me não me assusta. Por isso não fujo de ti a sete pés. Já no passado fugi e de nada me serviu.
Tenho que domar o indomável.
Tive que confessar o inconfessável.
2015-04-29
Dadas as listas de base
As bases de dados estão cada vez mais presentes nas nossas vidas. Aceitamos quase sem pensar em ceder os nossos dados, que ficarão compilados em listas.
Talvez por isso abracemos com agrado a constituição de novas listas. Torcemos o nariz às listas VIP, talvez por temermos ficar excluídos. Mas a constituição de listas que marquem terceiros para nossa conveniência, é recebida de braços abertos. Independentemente da Constituição.
Hoje pugnamos pela lista pública dos pedófilos, para salvaguardar as nossas crianças.
Amanhã pugnaremos pela lista pública dos homicidas, para salvaguardar as nossas vidas.
Depois, certamente, pela lista pública dos gatunos, para salvaguardar os nossos bens materiais.
Publique-se!
Talvez por isso abracemos com agrado a constituição de novas listas. Torcemos o nariz às listas VIP, talvez por temermos ficar excluídos. Mas a constituição de listas que marquem terceiros para nossa conveniência, é recebida de braços abertos. Independentemente da Constituição.
Hoje pugnamos pela lista pública dos pedófilos, para salvaguardar as nossas crianças.
Amanhã pugnaremos pela lista pública dos homicidas, para salvaguardar as nossas vidas.
Depois, certamente, pela lista pública dos gatunos, para salvaguardar os nossos bens materiais.
Publique-se!
2015-04-26
A luz que retraça a traça
A traça é atraída pela luz. Fica cega com o brilho. Queimada com o calor. A cegueira é tal que só dá pelas queimaduras tarde demais. Quando já estiver perdida.
Tal como qualquer corpo é atraído, pela força da gravidade, para um buraco negro, a traça dirige-se para a sua perdição. Antes mesmo do buraco negro acabar por destruir o corpo pelo esmagamento, já o desfez vítima do poderoso gradiente da dita força. O corpo acelera em direcção ao buraco negro, completamente dilacerado. E dilacerado se esborrachará, não mais escapando ao poder gravitacional do buraco negro. Se nem a luz lhe escapa...
E perdida e desorientada, choca e afasta-se da luz. Num bailado de perdição e embriaguez inexplicável para quem não sofre a mesma atracção pela luz.
E quando as queimaduras acabam por impedi-la de voar, esvoaça até no chão se estatelar. Retida pela força da gravidade, definitivamente afastada daquela luz que a queimou.
Mas será que a traça, mesmo sabendo que a luz seria a sua perdição, resistiria a aproximar-se tanto da luz que a iluminava?
Tal como qualquer corpo é atraído, pela força da gravidade, para um buraco negro, a traça dirige-se para a sua perdição. Antes mesmo do buraco negro acabar por destruir o corpo pelo esmagamento, já o desfez vítima do poderoso gradiente da dita força. O corpo acelera em direcção ao buraco negro, completamente dilacerado. E dilacerado se esborrachará, não mais escapando ao poder gravitacional do buraco negro. Se nem a luz lhe escapa...
E perdida e desorientada, choca e afasta-se da luz. Num bailado de perdição e embriaguez inexplicável para quem não sofre a mesma atracção pela luz.
E quando as queimaduras acabam por impedi-la de voar, esvoaça até no chão se estatelar. Retida pela força da gravidade, definitivamente afastada daquela luz que a queimou.
Mas será que a traça, mesmo sabendo que a luz seria a sua perdição, resistiria a aproximar-se tanto da luz que a iluminava?
2015-04-21
Somente mais uma vez
Fizeste-me teu sem licença
Cativaste-me com o teu olhar
Anseio pelo teu potente tocar
Eclipsaste a indiferença
Já não mais me toco sem te tocar
Rogo-te mais tempo num abraço
Sinto-me apertado num laço
Donde não consigo desembaraçar
Devolvo-te o sorriso que pregaste
Na minha cara embevecida pela tua
Quando da vida banal me salvaste
Salvas-te a ti mesma com amor
Espero-te ver em breve na Lua
Esqueço-me de um final com dor
Cativaste-me com o teu olhar
Anseio pelo teu potente tocar
Eclipsaste a indiferença
Já não mais me toco sem te tocar
Rogo-te mais tempo num abraço
Sinto-me apertado num laço
Donde não consigo desembaraçar
Devolvo-te o sorriso que pregaste
Na minha cara embevecida pela tua
Quando da vida banal me salvaste
Salvas-te a ti mesma com amor
Espero-te ver em breve na Lua
Esqueço-me de um final com dor
2015-04-16
Querer e poder
Pede-me o que quiseres e dar-te-ei o que puder.
Façamos tudo o que melhor nos aprouver.
Consensualmente unidos pelo prazer.
Ousemos sonhar sem que os transformemos em pesadelos.
De forma controlada, descontrolemo-nos.
2015-04-12
Por ti e/ou por mim
Nem sempre é fácil perceber a causa de um sentimento. Algumas vezes desejamos a uma pessoa especial, algo mais motivado por nós, do que por pensamentos e desejos puros sobre essa pessoa. E nem sempre é fácil descortinar onde começa o nosso desejo egoísta e onde acabam os votos sinceros do melhor para ela.
Dir-se-ia que não é fácil ter uma opinião desinteressada da situação. Esquecermo-nos de nós próprios e pensar exclusivamente no melhor para o(s) outro(s). Somos parte interessada. E desse interesse não nos desprendemos.
Quando alguém nos diz que será de uma maneira e não da que desejamos, muitas vezes, dependendo do tamanho do desejo, acabamos por arranjar interpretações divergentes. Mesmo quando a situação é posta de forma clara e sem ambiguidades, procuramos discursos escondidos que satisfaçam o nosso desejo. Queremos tornear a realidade de maneira a encaixá-la no projecto que a nossa mente projectou, contra a própria realidade. E, por mais forte que o desejo possa ser, nada supera a realidade. Podemos e devemos tentar moldá-la. Mas nada podemos fazer se o desejo do outro entrar em rota de colisão com o nosso. Nada, talvez seja um exagero. Afinal somos livres de projectar a nossa participação, mesmo acabando por não ser convidados para a execução...
2015-04-06
Por fim, enfim, o fim novamente
A inevitabilidade do fim, não deve intrometer-se no desfrutar do presente. Sob pena de antecipar o primeiro, ao destruir o segundo.
Por mais anticorpos que se criem, não podemos permitir-nos a que destruam qualquer possibilidade de novo lampejo de felicidade. Felicidade que por mais efémera que possa ser, tudo merece e tudo faz por merecer.
O(s) outro(s) não podem partir com uma desvantagem tão grande como a que os antecedentes semearam. Devemos ser-lhes leais e permitir-lhes o benefício da dúvida. E ele(s) agradece(m) a todos os precedentes pelo presente que deixaram, ao partirem para o passado.
Um ciclo fecha-se, dando espaço e tempo para que outro se abra. Não interessa com quem. Interessa isso sim que se parta de espírito aberto às novas possibilidades. O quando, o quem, o como, o porquê, o quanto, irão respondidas a pouco e pouco. Ainda que nunca de forma definitiva. Definitiva apenas enquanto durar. E enquanto durar, é o tempo bastante para amar.
E quando o fim chegar, esse marco inevitável, saberemos o que fizemos. E ficaremos tanto mais felizes quanto mais de nós tivermos investido. Pois só o investimento produtivo gera lucro. Lucro que torna o futuro mais auspicioso.
E quando o fim, por fim, for mesmo o último dos finais, é importante que tenhamos vivido o mais felizes possível até aí.
2015-04-05
Páscoa
E se, por capricho de uma sucessão de eventos, formos repentinamente confrontados com uma (boa) parte do nosso passado. Estaremos prontos para com ele fazer as pazes?
A renovação tem que ser compatível com o passado. Apesar da história tender a repetir-se, usualmente não se repete com os mesmos intervenientes. Mas ajuda ao desenvolvimento, perceber quais os erros cometidos e como evitar repeti-los.
Parece ser de implementação fácil, mas na realidade, e em especial no domínio sentimental, a razão pode ficar com uma visão demasiado turva. Especialmente se os eventos forem recentes. E a fulanização em nada ajuda a uma análise correcta.
Quando a relação com o passado está arrumada e em paz, menos perturbações são expectáveis no futuro. Ainda assim alguma atenção deve ser dada à análise dos erros. Em descobrir as suas causas verdadeiras e não se ficar apenas pelas aparentes. As acções preventivas são preferíveis às correctivas. Destas as mais difíceis são as que vão contra o sujeito que as tenta implementar. Seja quais forem as razões, o sujeito tende a agir da mesma forma perante situações semelhantes. Por muito monótono que isso possa parecer, a aleatoriedade não é propriamente uma característica humana. E é o modo de agir que urge alterar. Isto tratando-se de um erro, claro está. No que está certo, muda-se menos.
A Quaresma, como qualquer outro período de preparação, é essencial para melhor preparar a tal passagem necessária.
Aquela que nos salvará dos erros passados. Isto se houver salvação...
2015-03-17
Súbito óbito
As relações não morrem subitamente. Vão morrendo lentamente às mãos dos intervenientes. Tal como os cigarros não matam imediatamente o fumador, são os pensamentos, palavras, actos e omissões dos cúmplices culpados, que o levam à agonia final. E não é preciso que fumem vários maços por dia. Basta-lhes deixar a dose venenosa subir lentamente ao longo do tempo. Não fazendo desintoxicações regulares, o veneno acumula-se e provoca sintomas. Os quais podem ser ignorados ou observados, desde que ao outro imputados.
A não aceitação do outro tal como ele é, é um veneno poderoso. Ainda que administrado em pequenas quantidades, acaba por ter um resultado inexorável, a longo prazo. Ao contrário de uma dose elevada logo no início, que impossibilite sequer o início da ligação.
A culpa arrisca-se a ser a única a não morrer solteira, independentemente da opinião dos participantes tentarem casá-la com o outro. Com o oponente. E essa divergência pode tornar-se central.
No final, alguém tem que atestar o óbito.
2015-03-12
Curioso desinteresse
Ergues-me com o teu pensamento. Prostras-me com o teu desinteresse. O vazio enche-se com a tua ausência. A liberdade da solidão regressa carregada de nada. E isso traz tudo à memória. Esquecendo o mau e recusando lembrar o bom. Assim é o limbo libertador, recusando o passo em frente. Tolhe o movimento da mudança. Mantém a inércia dos sentimentos. A curiosidade espreita o caminho do outro, sabendo que não o partilhará mais. Desejando aquilo que não mais possui, despojando-se de todo o desejo, cai por terra, desinteressado. E na primeira oportunidade, agarra-a com ambas as mãos, e por momentos tudo é só paixão.
2015-02-27
Infantilidade política
Muito se tem falado sobre as declarações do líder da oposição, as quais, como líder da oposição, neste país, só poderiam ser de «denegrição» do trabalho dos governantes. Por outro lado, os apoiantes da governação entoam um coro de gozo com as referidas palavras. E nem os apoiantes do primeiro, nem os apoiantes dos segundos, parecem perceber o ridículo da situação.
A oposição não deve ser feita apenas pela negativa, tentando passar por negativo da governação. E a governação deveria ter mais motivos de regozijo do que apontar aparentes contradições na oposição. Ninguém parece ver que este acentuar da negativa impede qualquer solução razoável para os verdadeiros problemas. E cada vez mais faz ver que não vale a pena haver centenas de deputados se apenas servem como coro dos respectivos líderes, sem qualquer sentido crítico. Para câmaras de ressonância ocas, já bastam os aparelhos dos partidos.
2015-02-18
(Des)amar(rar)
Não consegui libertar-te das amarras.
Provavelmente porque não me desamarrei.
Ou talvez por impossível ser.
As amarras de ti fazem parte.
Cortá-las seria castrar-te.
Pedaços de ti perderias.
Não mais inteira serias.
Mesmo quando te sentes
por elas oprimida,
não poderás ceder.
Ainda que desapoiada,
acabas por prevalecer.
Por o desânimo vencer.
Perdoa por não te ter animado.
Por não estar ao teu lado, amarrado.
Pois por ti e contigo estava amarrado.
E quando me libertei, não te ter levado.
Para onde? Não sei, mas para algum outro lado.
Provavelmente porque não me desamarrei.
Ou talvez por impossível ser.
As amarras de ti fazem parte.
Cortá-las seria castrar-te.
Pedaços de ti perderias.
Não mais inteira serias.
Mesmo quando te sentes
por elas oprimida,
não poderás ceder.
Ainda que desapoiada,
acabas por prevalecer.
Por o desânimo vencer.
Perdoa por não te ter animado.
Por não estar ao teu lado, amarrado.
Pois por ti e contigo estava amarrado.
E quando me libertei, não te ter levado.
Para onde? Não sei, mas para algum outro lado.
2015-02-15
Provicianismo sexual
Com entradas a 14 € (individual) e 24 € (para casal) e num fim de semana de Carnaval e com o dia de S. Valentim a juntar-se à festa, realizou-se mais um festival erótico em Lisboa. Não desejo que tenha sido um fracasso, mas aborrece-me ouvir banalidades provincianas sobre supostos visitantes provincianos.
Não sei se, talvez levados por emoções sadomasoquistas, ouvi numa reportagem tanto expositores/artistas e visitantes a queixarem-se que os portugueses são muito inibidos e têm muitos tabus. Parecem ver muito e comprar pouco. Não têm particular interesse em comprar brinquedos sexuais ou em participar nos espectáculos, nem que seja apenas como público entusiasta.
Pela cabeça destes comentadores parciais não passou que a vida económica não está particularmente fácil. E os preços não parecem ser particularmente acessíveis (a somar ao preço da entrada, há que acrescentar os preços dos espectáculos privados e dos objectos e roupas à venda no certame).
Também não passou que os portugueses não sejam grandes adeptos deste estilo de sexo. Como se ao sexo fossem imprescindíveis o uso de brinquedos e de conjuntos de fantasia. E, talvez acima de tudo, transformar um acto privado numa actividade pública.
Não sei se intoxicados pelas 50 tonalidades cinzentas, vêem a vida sexual portuguesa como pouco colorida. E talvez até seja conservadora, tal como eu. Mas não consigo ver nisso uma vida sexual insatisfatória. Pelo contrário. Até consigo ver na necessidade do uso de brinquedos e conjuntos de fantasia como uma forma de tentar tornar satisfatória uma vida que não o é.
2015-02-14
Nem namorado, nem encalhado
Neste mundo cada vez mais globalizado e, consequentemente, mais massificado, a pressão dos pares sobre os ímpares é grande. E muitos ímpares tentam libertar-se, devolvendo a pressão sobre os pares. Na realidade acabam por pressionar muito mais os seus pares do que os outros. E embarcam em reacções, tais cães de Pavlov, após sentirem o estímulo.
Numa sociedade onde vale cada vez mais o ter do que o ser, o apelo ao consumo é quase esmagador. E qualquer dia pode funcionar como uma boa desculpa para apelar ao consumo, de forma mais ou menos despudorada. E podendo vender aos pares, os apelos valem a dobrar.
Não sendo auto-suficientes, trocamos o nosso pão-por-Deus pela travessura ou gostosura. Curiosamente, até trocamos a própria língua.
Importamos necessidades e esquecemos tradições numa evolução em direcção à alienação.
Compramos o apaziguamento para um dia, esperando que transborde para todos os outros.
E quem a este rebanho não se juntar, mais do que ovelha negra, mais ímpar irá ficar.
2014-11-03
O primeiro bandido
Não me estou a referir (apenas) ao Primeiro-Ministro. Nem a este nem aos precedentes.
O Estado Português, aquela entidade em quem não temos outro remédio a não ser confiar e obedecer, não é uma pessoa de bem. Não sei se com a desculpa de não ser uma pessoa individual, dificultando o apontar de dedo ao culpado mor, usa e abusa da nossa confiança.
Aproveita todos os subterfúgios para subtrair dinheiro aos contribuintes involuntários, ao mesmo tempo que gere de forma (quase) dolosa o tesouro público.
Consegue, recorrendo ao uso de ferramentas informáticas, simultaneamente aumentar a eficiência da máquina fiscal e recusar-se a actualizar avaliações do património imobiliário. Operação que, certamente, qualquer computador conseguiria calcular com facilidade, desde que apetrechado com o programa correcto.
Consegue, ao mesmo tempo que impõe um imposto automóvel exorbitante, calcular um imposto sobre o valor acrescentado que incide também sobre o dito imposto automóvel. Talvez entusiasmado com tamanho valor do primeiro, imputar ao comprador um valor acrescentado que reconhece com o segundo. Malabarismo ao qual recorre noutros impostos. Muitos dos quais que, todos somados, são superiores à outra parcela que paga o produto ou o serviço propriamente dito.
Incumbe outras entidades de cobrar taxas e outras contribuições, algumas aparentemente irrisórias, onde arrecada mais algum valor ao alargar ao máximo a base da contribuição.
Aproveitando o exemplo e para ser compensada por cortes nas transferências da administração central, a local cobra mais uma parafernália de taxas e outras contribuições, nem sempre contribuindo para a percepção do contribuinte que contribui para um bem maior.
Nalguns casos cobra desproporcionadamente por serviços que concessiona a terceiros por valores bem menores, sem apresentar qualquer valor acrescentado pela intermediação efectuada.
Administrativamente, com a cobertura do Estado, cobra tudo o que pode, dando o menos possível como retorno. Imitando perfeitamente o modus operandi do Estado central omnipotente e omnipresente no que toca a extorquir dinheiro aos contribuintes mais desprotegidos, eclipsando-se quando toca a exigir dinheiro aos mais poderosos.
Este estado de coisas envenena a confiança e a economia, acabando por dificultar a execução financeira que tanto presa e pela qual clama, enquanto tenta disfarçar a faceta de bandido agiota.
O Estado Português, aquela entidade em quem não temos outro remédio a não ser confiar e obedecer, não é uma pessoa de bem. Não sei se com a desculpa de não ser uma pessoa individual, dificultando o apontar de dedo ao culpado mor, usa e abusa da nossa confiança.
Aproveita todos os subterfúgios para subtrair dinheiro aos contribuintes involuntários, ao mesmo tempo que gere de forma (quase) dolosa o tesouro público.
Consegue, recorrendo ao uso de ferramentas informáticas, simultaneamente aumentar a eficiência da máquina fiscal e recusar-se a actualizar avaliações do património imobiliário. Operação que, certamente, qualquer computador conseguiria calcular com facilidade, desde que apetrechado com o programa correcto.
Consegue, ao mesmo tempo que impõe um imposto automóvel exorbitante, calcular um imposto sobre o valor acrescentado que incide também sobre o dito imposto automóvel. Talvez entusiasmado com tamanho valor do primeiro, imputar ao comprador um valor acrescentado que reconhece com o segundo. Malabarismo ao qual recorre noutros impostos. Muitos dos quais que, todos somados, são superiores à outra parcela que paga o produto ou o serviço propriamente dito.
Incumbe outras entidades de cobrar taxas e outras contribuições, algumas aparentemente irrisórias, onde arrecada mais algum valor ao alargar ao máximo a base da contribuição.
Aproveitando o exemplo e para ser compensada por cortes nas transferências da administração central, a local cobra mais uma parafernália de taxas e outras contribuições, nem sempre contribuindo para a percepção do contribuinte que contribui para um bem maior.
Nalguns casos cobra desproporcionadamente por serviços que concessiona a terceiros por valores bem menores, sem apresentar qualquer valor acrescentado pela intermediação efectuada.
Administrativamente, com a cobertura do Estado, cobra tudo o que pode, dando o menos possível como retorno. Imitando perfeitamente o modus operandi do Estado central omnipotente e omnipresente no que toca a extorquir dinheiro aos contribuintes mais desprotegidos, eclipsando-se quando toca a exigir dinheiro aos mais poderosos.
Este estado de coisas envenena a confiança e a economia, acabando por dificultar a execução financeira que tanto presa e pela qual clama, enquanto tenta disfarçar a faceta de bandido agiota.
2014-09-28
Fracasso vocabular
Enquanto que para o fracasso alheio há sempre palavras que chegam e sobram para o caracterizar, normalmente para o meu são poucas. Ou nenhumas.
Mesmo que o fracasso não tenha dependido apenas de mim, a minha quota parte da culpa nunca fica solteira. Desculpar o meu fracasso com o fracasso alheio sempre me pareceu fraco. Muito fraco. E atribui-lo ao azar é aselhice.
Faltam-me adjectivos e desculpas. A falha fulanizada aponta imediatamente um culpado. Um culpado que é preciso punir, sem apelo nem agravo. E ao mesmo tempo sem qualquer julgamento justo.
A justiça, apesar de necessitar de rapidez se pretender ser justa, necessita de tempo para que haja distanciamento, uma vez que não se deve ser juiz em causa própria. E na própria causa a culpa ofusca qualquer razão.
Ainda que digam que o silêncio é preferível a proferir palavras sem sentido, mas como armas, para mim o silêncio não é de ouro. Ou ficaria rico após cada fracasso, motivando-me para projectar o próximo.
Entretanto, quando nada mais há para conversar, não há maior, e ao mesmo tempo mais justa, punição do que a ausência e respectivo silêncio.
Mesmo que o fracasso não tenha dependido apenas de mim, a minha quota parte da culpa nunca fica solteira. Desculpar o meu fracasso com o fracasso alheio sempre me pareceu fraco. Muito fraco. E atribui-lo ao azar é aselhice.
Faltam-me adjectivos e desculpas. A falha fulanizada aponta imediatamente um culpado. Um culpado que é preciso punir, sem apelo nem agravo. E ao mesmo tempo sem qualquer julgamento justo.
A justiça, apesar de necessitar de rapidez se pretender ser justa, necessita de tempo para que haja distanciamento, uma vez que não se deve ser juiz em causa própria. E na própria causa a culpa ofusca qualquer razão.
Ainda que digam que o silêncio é preferível a proferir palavras sem sentido, mas como armas, para mim o silêncio não é de ouro. Ou ficaria rico após cada fracasso, motivando-me para projectar o próximo.
Entretanto, quando nada mais há para conversar, não há maior, e ao mesmo tempo mais justa, punição do que a ausência e respectivo silêncio.
2014-09-13
O tempo mortal
O mortal que passa o tempo
A lamentar-se do tempo que faz,
Perde tempo, perde gás.
Esquece que o tempo
Não pára nem volta atrás.
Não quer ver que o tempo
Ignora a sua pequenez.
Ainda que de quando em vez
Lhe faça, por um momento,
Pensar que é grande o seu,
Ainda que por pouco tempo,
Reflexo que mira num espelho.
No mesmo que deforma
A realidade, que só ele vê.
Sempre novo, nunca velho,
O tempo que transforma
O cérebro que, ainda sendo seu,
Não comanda totalmente
E sobre a sua imagem mente.
E quando o seu tempo acabar
Quem perderá tempo a recordar?
A lamentar-se do tempo que faz,
Perde tempo, perde gás.
Esquece que o tempo
Não pára nem volta atrás.
Não quer ver que o tempo
Ignora a sua pequenez.
Ainda que de quando em vez
Lhe faça, por um momento,
Pensar que é grande o seu,
Ainda que por pouco tempo,
Reflexo que mira num espelho.
No mesmo que deforma
A realidade, que só ele vê.
Sempre novo, nunca velho,
O tempo que transforma
O cérebro que, ainda sendo seu,
Não comanda totalmente
E sobre a sua imagem mente.
E quando o seu tempo acabar
Quem perderá tempo a recordar?
2014-07-07
Nem príncipes, nem princesas
O absolutismo tendeu a passar de moda. Há muito que o quero, posso e mando entrou em desuso na relação dos progenitores e respectiva prole. Mas, sub-repticiamente e paulatinamente, começou a instalar-se seguindo o sentido inverso.
Na ânsia de querer tratar os descendentes como se de príncipes e de princesas se tratassem, os reis absolutos do antigamente, raramente contestados, abdicaram.
Talvez por não quererem fazer aos próprios filhos o que os seus próprios pais lhes fizeram, preferiram optar por uma educação mais participada. Compareceram como iguais perante os filhos, e acabaram como subalternos. Abdicaram do trono que sabiam não lhes pertencer e inadvertidamente nele colocaram os seus príncipes e suas princesas.
E ambos perderam a noção de quando os príncipes e as princesas passaram a reis e a rainhas.
Na ânsia de querer tratar os descendentes como se de príncipes e de princesas se tratassem, os reis absolutos do antigamente, raramente contestados, abdicaram.
Talvez por não quererem fazer aos próprios filhos o que os seus próprios pais lhes fizeram, preferiram optar por uma educação mais participada. Compareceram como iguais perante os filhos, e acabaram como subalternos. Abdicaram do trono que sabiam não lhes pertencer e inadvertidamente nele colocaram os seus príncipes e suas princesas.
E ambos perderam a noção de quando os príncipes e as princesas passaram a reis e a rainhas.
2014-01-02
Entro em ti
A novidade provoca excitação e ansiedade. A vontade cresce em cada momento. Motivando a exploração do sentimento. Este floresce sem qualquer consentimento. E quando tomamos conhecimento, tarda o encontro. Tarda o momento. Em que entro em ti, por não mais caber em mim de tanto contentamento. E neste movimento, em que me atiro para dentro, saio de mim e entro em ti, nem que seja por pouco tempo...
2013-05-10
Plena aceleração
À partida agarramo-nos ao que pudermos. Com medo de cair. Alucinados com a vertigem, deliciados com a mudança de velocidade repentina. Esquecendo a inércia que nos mantinha no mesmo lugar. Esquecendo também que essa mesma inércia nos impedirá de parar imediatamente. Ainda que o queiramos. Ainda que nos apercebamos atempadamente que aquela direcção não é a correcta, a desaceleração também não será imediata. Seria quase imediata se encontrássemos na nossa trajectória um corpo com ainda maior inércia.
Esta perda de equilíbrio provoca uma excitação de difícil explicação. Esta mudança de velocidade estimula os sentidos e entorpece o raciocínio. Apenas o treino permite manter os reflexos céleres e eficazes.
Os eventuais acidentes deixam marcas inesquecíveis. Mas esquecemos isso, inebriados pela mudança de velocidade. Pela sensação de desastre eminente, ao mesmo tempo que não nos passa pela cabeça qualquer acidente. Que nos sentimos imortais nestes breves instantes. E acabamos por morrer lentamente, à medida que esta sensação nos abandona. Até à próxima.
Esta perda de equilíbrio provoca uma excitação de difícil explicação. Esta mudança de velocidade estimula os sentidos e entorpece o raciocínio. Apenas o treino permite manter os reflexos céleres e eficazes.
Os eventuais acidentes deixam marcas inesquecíveis. Mas esquecemos isso, inebriados pela mudança de velocidade. Pela sensação de desastre eminente, ao mesmo tempo que não nos passa pela cabeça qualquer acidente. Que nos sentimos imortais nestes breves instantes. E acabamos por morrer lentamente, à medida que esta sensação nos abandona. Até à próxima.
2013-03-12
Que fome!
"Podes vir para o pé de mim, que eu não te mordo" - disse-lhe ela
com um ar sorridente e num tom quase desafiante.
"É precisamente por isso que não me aproximo mais" - retorquiu-lhe ele, encolhendo os ombros, mantendo-se à mesma distância.
Os pensamentos dele afastaram-se daquele espaço e daquele tempo e embrenharam-se noutros. A sua expressão tornou-se sombria, deixando subentender que o mundo onde o seu cérebro estava, para além de distante, não seria muito agradável, nem iluminado.
"É precisamente por isso que não me aproximo mais" - retorquiu-lhe ele, encolhendo os ombros, mantendo-se à mesma distância.
Os pensamentos dele afastaram-se daquele espaço e daquele tempo e embrenharam-se noutros. A sua expressão tornou-se sombria, deixando subentender que o mundo onde o seu cérebro estava, para além de distante, não seria muito agradável, nem iluminado.
Lembrava-se de estar num espaço e num tempo onde o afastamento era nulo. Onde ambos estavam tão próximos que só a pele os mantinha afastados. Onde o toque da boca dela e dos respectivos dentes o tinham surpreendido. Onde as quase dolorosas marcas, sempre por ela negadas, eram exibidas com orgulho.
Num tempo que parecia ao mesmo tempo tão eterno e tão fugaz. Um espaço e um tempo tão afastados de si, cujo afastamento parecia tender para o infinito. Quase tão depressa quanto o seu sentimento. Sentimento que agora se aproximava de zero, contrariando toda a matemática e a lógica. Ou talvez tivesse sido a lógica contrariada desde o início. Desde aquele sistemático contestar e protelar da relação. Relação secreta, escondida. Quase inconfessável. Que muitos adivinhavam e tomavam como certa. E acertaram até certo ponto. Até ao ponto do não retorno. Um ponto que apesar de parecer de fuga apenas à vista, tinha sido de fuga inconsciente, mas definitiva. Onde a plasticidade da relação tinha sido levada longe demais, levada para lá do ponto de ruptura.
Durante meses os palavrões, as dentadas, os movimentos, os gemidos e o desejo não lhe tinham saído da cabeça. Martelavam-lhe o cérebro quase com o mesmo ritmo de passagem daqueles pensamentos recorrentes. Minuto a minuto, hora a hora, massacravam-no quase com a mesma intensidade dos momentos de prazer de que se recordava. E agora, nada.
"Estás cheio de fome?" - insistiu querendo ser agradavelmente simpática, enquanto olhava em redor para as mesas ainda repletas - "Eu tenho bastante".
"Tenho. Muita." - concluiu ele afastando-se para procurar algo onde ferrar os dentes.
Num tempo que parecia ao mesmo tempo tão eterno e tão fugaz. Um espaço e um tempo tão afastados de si, cujo afastamento parecia tender para o infinito. Quase tão depressa quanto o seu sentimento. Sentimento que agora se aproximava de zero, contrariando toda a matemática e a lógica. Ou talvez tivesse sido a lógica contrariada desde o início. Desde aquele sistemático contestar e protelar da relação. Relação secreta, escondida. Quase inconfessável. Que muitos adivinhavam e tomavam como certa. E acertaram até certo ponto. Até ao ponto do não retorno. Um ponto que apesar de parecer de fuga apenas à vista, tinha sido de fuga inconsciente, mas definitiva. Onde a plasticidade da relação tinha sido levada longe demais, levada para lá do ponto de ruptura.
Durante meses os palavrões, as dentadas, os movimentos, os gemidos e o desejo não lhe tinham saído da cabeça. Martelavam-lhe o cérebro quase com o mesmo ritmo de passagem daqueles pensamentos recorrentes. Minuto a minuto, hora a hora, massacravam-no quase com a mesma intensidade dos momentos de prazer de que se recordava. E agora, nada.
"Estás cheio de fome?" - insistiu querendo ser agradavelmente simpática, enquanto olhava em redor para as mesas ainda repletas - "Eu tenho bastante".
"Tenho. Muita." - concluiu ele afastando-se para procurar algo onde ferrar os dentes.
2013-03-03
Mau azeite
É do senso comum que a água e o azeite não se misturam. Já não será tanto desse senso explicar o porquê. Recorrendo à Química, ficamos a saber que as moléculas de água atraem-se umas às outras com mais intensidade do que atraem as moléculas do azeite (ou de outro óleo qualquer). A separação entre estas duas substâncias não ocorre por rejeição entre as moléculas de água e as do azeite. Aliás, as moléculas do azeite até se sentem bastante atraídas pelas da água. Mas só conseguem aproximar-se das que ficam na fronteira entre uma substância e a outra. Na aproximação que as moléculas da água fazem entre si, expulsam todas as moléculas do azeite para fora do seu grupo.
Por causa da densidade do azeite ser menor que a da água, o azeite tende a ficar por cima da água, apresentando duas fases distintas, como quaisquer dois bons líquidos imiscíveis. Este ficar por cima, nada tem a ver com o carácter de uma ou da outra substância. Apenas acontece com naturalidade, pela relação entre esta propriedade intrínseca de uma e de outra substância.
A natureza não faz distinção de modo subjectivo. Objectivamente, a massa da Terra atrai (e é atraída) com mais intensidade pelas substâncias cuja densidade é maior. Neste caso, atrai mais fortemente a água do que o azeite, deixando-o a flutuar sobre a água, que fica no fundo, mais próxima da Terra.
Por muito que o azeite quisesse, a água não admite misturas.
Por causa da densidade do azeite ser menor que a da água, o azeite tende a ficar por cima da água, apresentando duas fases distintas, como quaisquer dois bons líquidos imiscíveis. Este ficar por cima, nada tem a ver com o carácter de uma ou da outra substância. Apenas acontece com naturalidade, pela relação entre esta propriedade intrínseca de uma e de outra substância.
A natureza não faz distinção de modo subjectivo. Objectivamente, a massa da Terra atrai (e é atraída) com mais intensidade pelas substâncias cuja densidade é maior. Neste caso, atrai mais fortemente a água do que o azeite, deixando-o a flutuar sobre a água, que fica no fundo, mais próxima da Terra.
Por muito que o azeite quisesse, a água não admite misturas.
2013-02-13
Difícil conjugação
Eu decepcionei-te
Tu decepcionas-me
Ele decepcionar-te-á
Nós decepcionar-nos-íamos
Vós decepcionaste-vos
Eles decepcionam
Tu decepcionas-me
Ele decepcionar-te-á
Nós decepcionar-nos-íamos
Vós decepcionaste-vos
Eles decepcionam
2013-02-12
Fazes-me falta
Ainda mais neste tempo tão frio e cinzento, faz-me falta o regresso da tua Primavera.
O desassossego que provocavas com a tua presença, contrasta com o desassossego que a tua ausência provoca.
Apesar do que dizem, a necessidade de apaziguamento agudiza-se com o passar do tempo. Dizem que o tempo tudo cura, enquanto eu o vejo passear-se em câmara lenta. Enquanto sinto o meu coração cozer em lume brando.
Não somos estranhos um ao outro. Apenas estranhamos a alteração do sentimento forte que nutríamos um pelo outro.
Agora, fruto do desencanto e do afastamento, encaramo-lo de forma fugidia.
E neste estranho reconhecimento, conhecemos que nada volta atrás. Que nada volta a ser como era. Porque já nem nos lembramos exactamente como era. Apenas recordamos o que imaginamos que foi.
Os apetites outrora insaciáveis, ficaram saciados de um momento para o outro. É possível ver o instante em que a linha quebrou. Em que deixou de ser recta, de declive positivo, para passar a ser quebrada, ziguezagueando sem levar a lado algum.
A paixão ardente não se transformou no amor quente que ambos procurávamos um no outro. No amor quente que todos merecemos e necessitamos. Procuramo-lo e, quiçá, encontramo-lo noutro sujeito. Então tentamos não ser apenas um verbo de encher. Ou talvez sejamos, se ainda não estivermos definitivamente curados deste sentimento que jaz escondido nos nossos peitos. E não o revelamos. Nem o podemos revelar, ou deixaria de ser um segredo bem guardado. E muito menos o podemos confessar um ao outro, para não corrermos o risco de percorrer o mesmo calvário que nos trouxe até aqui.
Anonimamente confesso que o percorreria de bom grado, se caminhasses a meu lado e me ajudasses a levantar de cada vez que caísse. Nunca te empurraria, ainda que fosse capaz.
O desassossego que provocavas com a tua presença, contrasta com o desassossego que a tua ausência provoca.
Apesar do que dizem, a necessidade de apaziguamento agudiza-se com o passar do tempo. Dizem que o tempo tudo cura, enquanto eu o vejo passear-se em câmara lenta. Enquanto sinto o meu coração cozer em lume brando.
Não somos estranhos um ao outro. Apenas estranhamos a alteração do sentimento forte que nutríamos um pelo outro.
Agora, fruto do desencanto e do afastamento, encaramo-lo de forma fugidia.
E neste estranho reconhecimento, conhecemos que nada volta atrás. Que nada volta a ser como era. Porque já nem nos lembramos exactamente como era. Apenas recordamos o que imaginamos que foi.
Os apetites outrora insaciáveis, ficaram saciados de um momento para o outro. É possível ver o instante em que a linha quebrou. Em que deixou de ser recta, de declive positivo, para passar a ser quebrada, ziguezagueando sem levar a lado algum.
A paixão ardente não se transformou no amor quente que ambos procurávamos um no outro. No amor quente que todos merecemos e necessitamos. Procuramo-lo e, quiçá, encontramo-lo noutro sujeito. Então tentamos não ser apenas um verbo de encher. Ou talvez sejamos, se ainda não estivermos definitivamente curados deste sentimento que jaz escondido nos nossos peitos. E não o revelamos. Nem o podemos revelar, ou deixaria de ser um segredo bem guardado. E muito menos o podemos confessar um ao outro, para não corrermos o risco de percorrer o mesmo calvário que nos trouxe até aqui.
Anonimamente confesso que o percorreria de bom grado, se caminhasses a meu lado e me ajudasses a levantar de cada vez que caísse. Nunca te empurraria, ainda que fosse capaz.
2013-02-04
Poemão
Uma mulher com tesão,
Oferece tesão, até mais não.
Nessa fixação, havendo fricção,
Haverá um crescendo na excitação.
Quando a mulher abusa do palavrão,
Puxa ainda mais pelo desejo de acção.
Nos preliminares aumenta a provocação,
Olhares, sabores, cheiros, sôfrega apalpação.
A pureza do instinto animal eleva a dominação,
Sobre o seu instinto racional apelando à contenção.
Os corpos desenfreados aumentam a rápida circulação
Do sangue que parece ferver, ameaçando entrar em ebulição.
Sem dúvida, a natureza segue o seu curso propiciando prazer e satisfação.
Ambos ficam extasiados, embrenhados, perdidos e esgotados nesta situação.
Sabendo isto e se, porventura, te vires sem companhia para tamanha exploração,
Põe a mão...
Oferece tesão, até mais não.
Nessa fixação, havendo fricção,
Haverá um crescendo na excitação.
Quando a mulher abusa do palavrão,
Puxa ainda mais pelo desejo de acção.
Nos preliminares aumenta a provocação,
Olhares, sabores, cheiros, sôfrega apalpação.
A pureza do instinto animal eleva a dominação,
Sobre o seu instinto racional apelando à contenção.
Os corpos desenfreados aumentam a rápida circulação
Do sangue que parece ferver, ameaçando entrar em ebulição.
Sem dúvida, a natureza segue o seu curso propiciando prazer e satisfação.
Ambos ficam extasiados, embrenhados, perdidos e esgotados nesta situação.
Sabendo isto e se, porventura, te vires sem companhia para tamanha exploração,
Põe a mão...
2013-02-01
A moral da maçã
Dizem as más línguas, e todos nós sabemos como estas nos podem deixar tristes ou frustrados, que a cassete de vídeo betamax perdeu a guerra contra a VHS devido à pornografia. Poderão os leitores mais velhos perguntar o que é isso do betamax? E os mais novos perguntar, além disso, o que é isso da cassete? Aconselho a ambos que procurem. Nem que seja na famigerada Wikipedia.
O betamax apresentava um tamanho menor, maior qualidade de imagem, maior rapidez na utilização e um licenciamento muito limitado. Praticamente só a Sony vendia leitores. O VHS apresentava maior duração e uma maior liberdade de fabrico e venda.
Depois dos esclarecimentos providenciados pela pesquisa, os leitores poderão voltar à carga. E onde aparece a pornografia? Espero que uma questão colocada sem um ar demasiado sôfrego, ou alguém poderá ser levado a pensar que isso é o que realmente lhes importa.
É que a Sony, nunca quis licenciar o formato para a produção de filmes pornográficos. Logo, enquanto que no início num clube de vídeo (sim, porque antigamente não estavam dentro das caixas ligadas às televisões), aparecia a pergunta para os outros filmes se preferia em formato beta ou VHS. Essa questão nunca se colocou para os filmes guardados naquela zona mais recatada do clube. Onde até as capas eram apenas «discretamente» coloridas. Desprovidas das imagens dos filmes, as quais estavam censuradamente guardadas no interior da caixa da cassete.
O erro não se repetiu com o formato blu-ray. A Sony possui uma editora, enfiou discretamente leitores blu-ray em casa dos jogadores das consolas Playstation 3, permite que outros fabricantes vendam leitores e já licenciou o formato para editoras de filmes para adultos.
Aparentemente a empresa da maçã mordida, parece querer manter fora da sua store o fruto proibido da pornografia. Quer um paraíso inocente em cada iJesus que vende a preços elevados, enquanto a serpente tenta os utilizadores com promessas de boas imagens naqueles grandes e belos ecrãs. Obviamente, fora da tal store.
No entanto poderá apenas ser uma ilusão, dada a potencial disponibilidade de pornografia em cada página de exibição de imagens paradas ou em movimento. E se esta sabe ser um móbil poderoso, dado que cavalga em cima do sexo...
O betamax apresentava um tamanho menor, maior qualidade de imagem, maior rapidez na utilização e um licenciamento muito limitado. Praticamente só a Sony vendia leitores. O VHS apresentava maior duração e uma maior liberdade de fabrico e venda.
Depois dos esclarecimentos providenciados pela pesquisa, os leitores poderão voltar à carga. E onde aparece a pornografia? Espero que uma questão colocada sem um ar demasiado sôfrego, ou alguém poderá ser levado a pensar que isso é o que realmente lhes importa.
É que a Sony, nunca quis licenciar o formato para a produção de filmes pornográficos. Logo, enquanto que no início num clube de vídeo (sim, porque antigamente não estavam dentro das caixas ligadas às televisões), aparecia a pergunta para os outros filmes se preferia em formato beta ou VHS. Essa questão nunca se colocou para os filmes guardados naquela zona mais recatada do clube. Onde até as capas eram apenas «discretamente» coloridas. Desprovidas das imagens dos filmes, as quais estavam censuradamente guardadas no interior da caixa da cassete.
O erro não se repetiu com o formato blu-ray. A Sony possui uma editora, enfiou discretamente leitores blu-ray em casa dos jogadores das consolas Playstation 3, permite que outros fabricantes vendam leitores e já licenciou o formato para editoras de filmes para adultos.
Aparentemente a empresa da maçã mordida, parece querer manter fora da sua store o fruto proibido da pornografia. Quer um paraíso inocente em cada iJesus que vende a preços elevados, enquanto a serpente tenta os utilizadores com promessas de boas imagens naqueles grandes e belos ecrãs. Obviamente, fora da tal store.
No entanto poderá apenas ser uma ilusão, dada a potencial disponibilidade de pornografia em cada página de exibição de imagens paradas ou em movimento. E se esta sabe ser um móbil poderoso, dado que cavalga em cima do sexo...
2013-01-28
Saúdo os saudáveis
Querer pôr-se saudável pode dar merda. Digo isto com toda a convicção que o saber de experiência feito nos pode dar. Um tipo prepara-se. Equipa-se. Veste uns calções pipis, uma sweat laroca e uns ténis tecnicamente capazes. Aquece vagamente (ou vagarosamente) e parte para uma corrida. À partida escorrega em algo, mas não cai. Corre ao ritmo que pode, ainda sem o odómetro (ou será pedómetro) preso a uma qualquer parte do corpo, o qual lhe poderá dar uma contagem dos kilometros percorridos e das kilocalorias gastas. Presumo que, após a instalação de pilha nova e encontrando algum manual, ainda tenha que calibrar a passada.
E o ritmo que pode, podendo não ser muito elevado, é forte para este tipo. Do tipo de ter dificuldades em manter o ritmo das pernas certo, com a respiração ofegante. Mas lá vai ele, certo de estar a cuidar da sua boa forma física. E, melhor que fica parado, é pôr-se a mexer. Acelera o coração e melhora a circulação. Desde que a malta não se ponha a chocar uns contra os outros.
Como é habitual em quem ainda não se habituou a este ritmo de treino, a corrida acaba rapidamente. O regresso faz-se a passo, ainda que acelerado, bem mais devagar que à partida. Pouco depois de entrar em casa, ainda a tentar recuperar o fôlego, sente-se um aroma diferente do perfume habitual da casa. Senta-se para se descalçar e observa o inevitável. A escorregadela inicial foi desmistificada. Há algo de terrivelmente mal cheiroso agarrado à sola do pé esquerdo. Isto é que foi uma entrada com o pé esquerdo.
E o ritmo que pode, podendo não ser muito elevado, é forte para este tipo. Do tipo de ter dificuldades em manter o ritmo das pernas certo, com a respiração ofegante. Mas lá vai ele, certo de estar a cuidar da sua boa forma física. E, melhor que fica parado, é pôr-se a mexer. Acelera o coração e melhora a circulação. Desde que a malta não se ponha a chocar uns contra os outros.
Como é habitual em quem ainda não se habituou a este ritmo de treino, a corrida acaba rapidamente. O regresso faz-se a passo, ainda que acelerado, bem mais devagar que à partida. Pouco depois de entrar em casa, ainda a tentar recuperar o fôlego, sente-se um aroma diferente do perfume habitual da casa. Senta-se para se descalçar e observa o inevitável. A escorregadela inicial foi desmistificada. Há algo de terrivelmente mal cheiroso agarrado à sola do pé esquerdo. Isto é que foi uma entrada com o pé esquerdo.
2013-01-18
Erica vai às fontes
E não irá partir a cantarinha. Foi o que me lembrei a propósito do prémio que tão justamente Erica Fontes terá recebido pelo seu talento representativo. Prevendo tratar-se de um trabalho muito excitante, meti mão à obra e fui investigar.
Entre os trabalhos onde se viu metida e lhe vieram a meter, virei a destacar alguns. Obviamente isto obrigou-me a intensa pesquisa e a alguns momentos de visionamento duro.
No sítio BangBros aparece num episódio de Monsters of Cock, vestida (pouco mais tarde despida) de cor-de-rosa, com um colar onde se pode ler Barbie. Vê-se negra para conseguir engolir um trabalho daquele tamanho. Tem talento para dizer baby em português e para uns quantos esgares que simulam a dor de não conseguir engolir mais. Cavalga confiante a tarefa, mostrando que independentemente do seu tamanho, tem muita arrumação.
Em Culioneros mostra-se em Ready for Public Action, onde é filmada em vários actos em locais supostamente públicos. Numa das posições mostra tanto prazer que a camisinha parece mudar de cor. Destaque no, obviamente exíguo, guarda-roupa para as botas estilo esquimó, com uns pompons. No mesmo sítio, fez um episódio da série Take In the Ass Like That, onde não me parece que seja necessárias grandes explicações.
Em PornPros, com uns óculos em forma de um par de corações exibe orgulhosamente uma camisola verde, com Portugal escrito em vermelho, e explica que tudo o que fez pela primeira vez, foi com 14 anos (um ano muito preenchido, certamente). As pestanas postiças e as raízes pintadas de escuro dão-lhe um visual mais próximo de um hambúrguer do MacDonalds do que de um bitoque com ovo a cavalo (sim, porque também posso fazer uma crítica a tamanho trabalho artístico). É que Deep Throat Love não dá espaço para que muitas palavras lhe saiam da garganta, após o início da verdadeira acção. Ainda que a acção não se fique por ali e se venha por outros caminhos. Destaque para as cenas em pé: de levantar o público. E um final com um pedido muito especial na língua de Camões e mais uns quantos palavrões.
Em Brazzers, começa por ser uma sluty honey beaver, seja lá o que isso for, mas corre pelo bosque em biquini e acaba por ser uma teen que Likes It Big ou é chegado o tempo da época de acasalamento.
Em Eye Fucked Them All, entra numa acção com pouca história e muito molho dela e do colega com quem contracena. O peito parece maior que nas outras cenas, talvez revelando tratar-se de um trabalho mais recente.
Em FuckedHard18, o que começa como uma massagem, acaba como em todos os outros filmes, mas em cima de uma marquesa.
Nada do que referi aqui, aparece no seu sítio oficial, mostrando que apenas arranhei a superfície do seu trabalho.
Por este «pequeno» apanhado, podemos imaginar como tem sido produtiva a sua carreira, mostrando que os portugueses quando saem para fora, rendem tanto ou mais que os estrangeiros.
Entre os trabalhos onde se viu metida e lhe vieram a meter, virei a destacar alguns. Obviamente isto obrigou-me a intensa pesquisa e a alguns momentos de visionamento duro.
No sítio BangBros aparece num episódio de Monsters of Cock, vestida (pouco mais tarde despida) de cor-de-rosa, com um colar onde se pode ler Barbie. Vê-se negra para conseguir engolir um trabalho daquele tamanho. Tem talento para dizer baby em português e para uns quantos esgares que simulam a dor de não conseguir engolir mais. Cavalga confiante a tarefa, mostrando que independentemente do seu tamanho, tem muita arrumação.
Em Culioneros mostra-se em Ready for Public Action, onde é filmada em vários actos em locais supostamente públicos. Numa das posições mostra tanto prazer que a camisinha parece mudar de cor. Destaque no, obviamente exíguo, guarda-roupa para as botas estilo esquimó, com uns pompons. No mesmo sítio, fez um episódio da série Take In the Ass Like That, onde não me parece que seja necessárias grandes explicações.
Em PornPros, com uns óculos em forma de um par de corações exibe orgulhosamente uma camisola verde, com Portugal escrito em vermelho, e explica que tudo o que fez pela primeira vez, foi com 14 anos (um ano muito preenchido, certamente). As pestanas postiças e as raízes pintadas de escuro dão-lhe um visual mais próximo de um hambúrguer do MacDonalds do que de um bitoque com ovo a cavalo (sim, porque também posso fazer uma crítica a tamanho trabalho artístico). É que Deep Throat Love não dá espaço para que muitas palavras lhe saiam da garganta, após o início da verdadeira acção. Ainda que a acção não se fique por ali e se venha por outros caminhos. Destaque para as cenas em pé: de levantar o público. E um final com um pedido muito especial na língua de Camões e mais uns quantos palavrões.
Em Brazzers, começa por ser uma sluty honey beaver, seja lá o que isso for, mas corre pelo bosque em biquini e acaba por ser uma teen que Likes It Big ou é chegado o tempo da época de acasalamento.
Em Eye Fucked Them All, entra numa acção com pouca história e muito molho dela e do colega com quem contracena. O peito parece maior que nas outras cenas, talvez revelando tratar-se de um trabalho mais recente.
Em FuckedHard18, o que começa como uma massagem, acaba como em todos os outros filmes, mas em cima de uma marquesa.
Nada do que referi aqui, aparece no seu sítio oficial, mostrando que apenas arranhei a superfície do seu trabalho.
Por este «pequeno» apanhado, podemos imaginar como tem sido produtiva a sua carreira, mostrando que os portugueses quando saem para fora, rendem tanto ou mais que os estrangeiros.
2013-01-02
Os mais (des)afortunados
Contrastando com o fatalismo que parece ser apanágio dos portugueses, reconheço um optimismo desproporcionado perante a adversidade. Basta atentar em qualquer observação sobre um acidente ou sobre uma doença grave onde alguém conhecido se vê envolvido (idem para situações menos graves).
Imaginem que alguém decide ir cortar lenha com uma rebarbadora. É obviamente uma má decisão utilizar uma ferramenta inadequada. E piora bastante, dado tratar-se de uma tarefa potencialmente perigosa. Colocada a ferramenta errada nas mãos erradas, os dados estão lançados.
Tudo corre mal quando o disco prende na madeira, fazendo saltar a máquina em funcionamento das mãos que a seguram, enterrando uma parte do disco num dos gémeos de uma das pernas. O sangue jorra e a capacidade motora fica dramaticamente diminuída. Estando o indivíduo num local mais ou menos ermo onde não consegue chamar por auxílio, resta-lhe arrastar-se até à estrada onde alguém que passa lhe acaba por acudir.
É fácil imaginar comentários do género: "ele ainda teve sorte por alguém ter passado" ou "felizmente não se feriu com mais gravidade" ou ainda "o disco da rebarbadora estava gasto. Se estivesse mais afiado cortava-lhe a perna".
E o que parecia não passar de aselhice, transformou-se apenas num azar. O qual nem sequer foi maior, por ter havido sorte à mistura. Um fado que, embora tristonho, tem uma reviravolta final animadora. E tudo acabou bem.
Imaginemos agora que, apesar do socorro, a perna ficou perdida. "Felizmente não morreu". "Perdeu a perna mas salvaram-lhe a vida".
E se tivesse morrido? "Esvair-se em sangue atenuou bastante as dores iniciais que deve ter sentido. No fim, nem terá sofrido muito"...
Imaginem que alguém decide ir cortar lenha com uma rebarbadora. É obviamente uma má decisão utilizar uma ferramenta inadequada. E piora bastante, dado tratar-se de uma tarefa potencialmente perigosa. Colocada a ferramenta errada nas mãos erradas, os dados estão lançados.
Tudo corre mal quando o disco prende na madeira, fazendo saltar a máquina em funcionamento das mãos que a seguram, enterrando uma parte do disco num dos gémeos de uma das pernas. O sangue jorra e a capacidade motora fica dramaticamente diminuída. Estando o indivíduo num local mais ou menos ermo onde não consegue chamar por auxílio, resta-lhe arrastar-se até à estrada onde alguém que passa lhe acaba por acudir.
É fácil imaginar comentários do género: "ele ainda teve sorte por alguém ter passado" ou "felizmente não se feriu com mais gravidade" ou ainda "o disco da rebarbadora estava gasto. Se estivesse mais afiado cortava-lhe a perna".
E o que parecia não passar de aselhice, transformou-se apenas num azar. O qual nem sequer foi maior, por ter havido sorte à mistura. Um fado que, embora tristonho, tem uma reviravolta final animadora. E tudo acabou bem.
Imaginemos agora que, apesar do socorro, a perna ficou perdida. "Felizmente não morreu". "Perdeu a perna mas salvaram-lhe a vida".
E se tivesse morrido? "Esvair-se em sangue atenuou bastante as dores iniciais que deve ter sentido. No fim, nem terá sofrido muito"...
2012-12-25
Toma e embrulha
Não sei se por diversão, se por maldade, este ano adoptei uma técnica bastante ecológica. Em vez de embrulhar as prendas e entregá-las em mãos aos destinatários, optei por usar a técnica do toma e embrulha. Na realidade, o toma foi bastante subtil. E o embrulha ficou ao critério de cada destinatário.
Antes que os leitores comecem a pensar em perfídias, explico que consistia apenas em colocar as prendas discretamente no meio dos pertences do aniversariante ou do destinatário natalino. Sem aviso, coube ao receptor detectar a novidade e concluir que se tratava de uma oferta presente. E é delicioso reparar quando não se repara na novidade. Quando é preciso ajudar a detectar o presente.
Obviamente esta técnica deve ser executada com supervisão do oferente. E o oferente necessita de ter acesso com permissão aos bens do ofertado. Ninguém quereria que a prenda fosse desviada por outrem ou danificada pelo próprio apenas porque não detectada...
Antes que os leitores comecem a pensar em perfídias, explico que consistia apenas em colocar as prendas discretamente no meio dos pertences do aniversariante ou do destinatário natalino. Sem aviso, coube ao receptor detectar a novidade e concluir que se tratava de uma oferta presente. E é delicioso reparar quando não se repara na novidade. Quando é preciso ajudar a detectar o presente.
Obviamente esta técnica deve ser executada com supervisão do oferente. E o oferente necessita de ter acesso com permissão aos bens do ofertado. Ninguém quereria que a prenda fosse desviada por outrem ou danificada pelo próprio apenas porque não detectada...
2012-12-16
Dobrar ou virar a esquina?
Perdemos a conta a quantas esquinas passamos ao longo da nossa vida. Isto apesar de algumas terem deixado marcas indeléveis.
Mas não ficámos agarrados a elas. Ainda que a vontade fosse muita e, numa fase inicial, até marcas de unhas tenhamos lá deixado.
Seguimos o nosso caminho sem as esquecermos, sem as ignorarmos.
E quando encontramos uma nova, não pensamos no que ficou para trás. Tentamos imaginar o que poderá estar à nossa frente. O que poderá estar para além dela. O que poderá acontecer se a dobrarmos. E essa expectativa tem tanto de atractiva como de assustadora. A esquina desconhecida exerce fascínio especialmente por isso. Pela dualidade. E quando a encaramos de frente e vemos os dois lados ao mesmo tempo, percebemos se chegámos à esquina certa.
Chegar à esquina certa, não é o mesmo que chegar à esquina definitiva. Todas tendem a ser provisórias, até prova em contrário. E essa prova cabe ao tempo. E é preciso tanto tempo, quanto o tempo que nos for concedido, a partir do momento em que lá chegamos.
De frente para a esquina, conseguimos rever o percurso passado e tentamos antever o futuro. Após dobrá-la, não ficamos com o dom da clarividência. Não ficamos cheios de certezas. As dúvidas são suficientemente inquietantes para que não nos acomodemos, não devendo impossibilitar-nos de pararmos ou avançarmos, consoante nos aprouver.
É entre esquinas que mais claramente podemos reflectir. Não estando à sombra de uma delas, podemos melhor avaliar as que dobrámos e virámos. Poderá provocar algum desconforto, mas essa mesma sensação acaba por funcionar como motivação. Para avançar.
Após dobrá-la, podemos olhar para trás e verificar que, por mais marcas que lá possamos ter deixado, ela mantém a sua forma. E não adianta tentar lá voltar e bater-lhe com a cabeça. Acabaríamos ainda mais magoados.
Mas não ficámos agarrados a elas. Ainda que a vontade fosse muita e, numa fase inicial, até marcas de unhas tenhamos lá deixado.
Seguimos o nosso caminho sem as esquecermos, sem as ignorarmos.
E quando encontramos uma nova, não pensamos no que ficou para trás. Tentamos imaginar o que poderá estar à nossa frente. O que poderá estar para além dela. O que poderá acontecer se a dobrarmos. E essa expectativa tem tanto de atractiva como de assustadora. A esquina desconhecida exerce fascínio especialmente por isso. Pela dualidade. E quando a encaramos de frente e vemos os dois lados ao mesmo tempo, percebemos se chegámos à esquina certa.
Chegar à esquina certa, não é o mesmo que chegar à esquina definitiva. Todas tendem a ser provisórias, até prova em contrário. E essa prova cabe ao tempo. E é preciso tanto tempo, quanto o tempo que nos for concedido, a partir do momento em que lá chegamos.
De frente para a esquina, conseguimos rever o percurso passado e tentamos antever o futuro. Após dobrá-la, não ficamos com o dom da clarividência. Não ficamos cheios de certezas. As dúvidas são suficientemente inquietantes para que não nos acomodemos, não devendo impossibilitar-nos de pararmos ou avançarmos, consoante nos aprouver.
É entre esquinas que mais claramente podemos reflectir. Não estando à sombra de uma delas, podemos melhor avaliar as que dobrámos e virámos. Poderá provocar algum desconforto, mas essa mesma sensação acaba por funcionar como motivação. Para avançar.
Após dobrá-la, podemos olhar para trás e verificar que, por mais marcas que lá possamos ter deixado, ela mantém a sua forma. E não adianta tentar lá voltar e bater-lhe com a cabeça. Acabaríamos ainda mais magoados.
2012-11-19
O amor é tramado e parte
Tece uma trama que nos enreda, quase sem darmos por isso. Sabemos que algo nos começa a toldar os movimentos e a razão. A embaraçar os momentos e o coração. A entrelaçar os sentimentos e a emoção. Só nos apercebemos quando é tarde. Quando estamos enredados. E nunca entediados.
Por mais experientes que sejamos, somos surpreendidos pelo poder deste atropelamento. Que nos assalta. Que nos esmaga. Que nos arrebata. Por mais que tentemos manter os pés no chão. Por mais que queiramos resistir. Por mais que a razão nos tente dizer que não. Que não vai dar. Que não vai resultar. Que dá demasiado que pensar.
Pensamos ter o controlo. Pensamos conseguir superar. Pensamos que sim. Que já passou. Que já lá vai. Que o amor partiu. Para não voltar, não voltamos. Voltamos as costas. Voltamos a mudar de rumo. Rumamos a outro porto. Partimos, enquanto o próprio amor parte, deixando cacos à sua partida.
No entanto, parece que todos os caminhos vão dar a Roma. Num ou noutro sentido...
Por mais experientes que sejamos, somos surpreendidos pelo poder deste atropelamento. Que nos assalta. Que nos esmaga. Que nos arrebata. Por mais que tentemos manter os pés no chão. Por mais que queiramos resistir. Por mais que a razão nos tente dizer que não. Que não vai dar. Que não vai resultar. Que dá demasiado que pensar.
Pensamos ter o controlo. Pensamos conseguir superar. Pensamos que sim. Que já passou. Que já lá vai. Que o amor partiu. Para não voltar, não voltamos. Voltamos as costas. Voltamos a mudar de rumo. Rumamos a outro porto. Partimos, enquanto o próprio amor parte, deixando cacos à sua partida.
No entanto, parece que todos os caminhos vão dar a Roma. Num ou noutro sentido...
2012-11-09
País de ofendidozinhos
Vivemos num país de pessoas que anseiam por uma desculpa para se exaltarem. Para deixarem de fazer bem, por uma razão qualquer, por mais pequena que seja. Somos pequeninos e invejosos. Quando cheira a sangue, precipitamo-nos para dar mais um pontapé no indivíduo que sangra. Antes, gritamos "quem nos agarrar?", enquanto o dito ainda está de pé. Depois de caído, carregamos. Queremos carregar com o dedo na ferida, mas só se nos sentirmos seguros de não levar uma resposta. Gostamos de protagonismo, ainda que seja à custa do esforço alheio e nunca do nosso.
Gostamos de tomar uma parte por um todo. Como se algo ou alguém ficasse definido apenas por uma faceta. Como se a nossa tacanhez quisesse mostrar à tacanhez de outrem que é maior e mais poderosa.
As redes sociais assentam que nem uma luva a este nosso desejo pequenino de sermos pequeninos. De sermos mesquinhos. De ignorarmos tudo o que de bem possa ter sido feito até ali, se tivermos uma oportunidade de crítica destrutiva. Ignoramos a construtiva, principalmente se nos for dirigida.
Somos pequenos selvagens que não toleram um dedo acusador. Uma tendência de ordem. Um diminuir dos direitos perante a exigência dos deveres.
É tão simples partilhar vídeos, fotos, textos e pensamentos de outros. Fazer um gosto (seja lá o que isso for) independentemente de ser apropriado ou nem por isso. Mais complicado é pensar pela própria cabeça e não incorporar alegremente o rebanho da carneirada.
E se querem ignorar o sábio conselho de não comer bife a todas as refeições por meras razões de saúde, mostrem que comem porque têm dinheiro para isso. E o que sobrar, doem para o Banco Alimentar.
Gostamos de tomar uma parte por um todo. Como se algo ou alguém ficasse definido apenas por uma faceta. Como se a nossa tacanhez quisesse mostrar à tacanhez de outrem que é maior e mais poderosa.
As redes sociais assentam que nem uma luva a este nosso desejo pequenino de sermos pequeninos. De sermos mesquinhos. De ignorarmos tudo o que de bem possa ter sido feito até ali, se tivermos uma oportunidade de crítica destrutiva. Ignoramos a construtiva, principalmente se nos for dirigida.
Somos pequenos selvagens que não toleram um dedo acusador. Uma tendência de ordem. Um diminuir dos direitos perante a exigência dos deveres.
É tão simples partilhar vídeos, fotos, textos e pensamentos de outros. Fazer um gosto (seja lá o que isso for) independentemente de ser apropriado ou nem por isso. Mais complicado é pensar pela própria cabeça e não incorporar alegremente o rebanho da carneirada.
E se querem ignorar o sábio conselho de não comer bife a todas as refeições por meras razões de saúde, mostrem que comem porque têm dinheiro para isso. E o que sobrar, doem para o Banco Alimentar.
2012-10-19
Pretensiosamente bom
Aquilo que eu gosto é que é bom. Aquilo que não gosto não tem
qualidade. Quem não gosta daquilo que eu gosto, não sabe o que é bom.
Não sabe como eu sei. Como eu julgo saber. E julgo bastante.
Normalmente, juiz em causa própria, julgo como bom ou mau o que despertar o meu interesse. Ignoro tudo o resto. O resto não me interessa. Logo, também não interessa. Nem como nota de rodapé.
Atiro as propostas desinteressantes para longe daquilo que gosto.
O que não seria bom, seria gostarmos todos exactamente das mesmas coisas. A pluralidade tem destas coisas. Aumenta o interesse ao mesmo tempo que aumenta o conflito. Como a maioria não gosta de permanente conflito, rodeia-se de quem gosta do mesmo, ainda que com diferenças subtis.
Normalmente, juiz em causa própria, julgo como bom ou mau o que despertar o meu interesse. Ignoro tudo o resto. O resto não me interessa. Logo, também não interessa. Nem como nota de rodapé.
Atiro as propostas desinteressantes para longe daquilo que gosto.
O que não seria bom, seria gostarmos todos exactamente das mesmas coisas. A pluralidade tem destas coisas. Aumenta o interesse ao mesmo tempo que aumenta o conflito. Como a maioria não gosta de permanente conflito, rodeia-se de quem gosta do mesmo, ainda que com diferenças subtis.
2012-09-26
Espírito de contradição
Quando me perguntam se tenho fome, pergunto quase imediatamente o que há para eu comer (não que tenha má boca).
Se me querem inquirir sobre o tipo de utilizador que sou, vejo o utilizador doméstico e procuro a opção utilizador selvagem (ainda que sem sucesso).
Na opção sobre o sexo, quero escolher que gosto muito e não o género (o qual tem obviamente muita influência no que eu gosto).
Quando me ordenam para algo fazer, sou mais rápido a contrariar a ordem do que a justificar a acção (e tantas vezes a ordem ainda que correcta, não me satisfaz).
Se me dizem para algo (não) fazer, pretendendo com isso dizer precisamente o contrário, arriscam a que (nada) faça (se me disserem directamente o que pretendem, arriscam a cair numa ordem directa).
E neste espírito me mantenho preso a ser livre.
Se me querem inquirir sobre o tipo de utilizador que sou, vejo o utilizador doméstico e procuro a opção utilizador selvagem (ainda que sem sucesso).
Na opção sobre o sexo, quero escolher que gosto muito e não o género (o qual tem obviamente muita influência no que eu gosto).
Quando me ordenam para algo fazer, sou mais rápido a contrariar a ordem do que a justificar a acção (e tantas vezes a ordem ainda que correcta, não me satisfaz).
Se me dizem para algo (não) fazer, pretendendo com isso dizer precisamente o contrário, arriscam a que (nada) faça (se me disserem directamente o que pretendem, arriscam a cair numa ordem directa).
E neste espírito me mantenho preso a ser livre.
2012-06-21
Só à palmada
Ela exagerou no seu esforço. Tentou ir além do que as suas forças permitiam. O exercício físico deixava-a louca. E não era coisa pouca.
O corpo sempre a esforçar, sem lhe permitir descansar. Sem lhe dar descanso. "Quem corre por gosto não cansa", dizem, sem afirmarem que uma tal corredora nunca descansa.
Há quem tenha tanta energia que parece inesgotável. E nesse erro caiu ela própria. Em cima da passadeira rolante corria, indiferente aos pedidos do seu próprio corpo para parar. Ou até mesmo para abrandar. O objectivo era ir mais longe. Estar durante mais tempo. Gastar o maior número de calorias. Derreter a maior quantidade de gordura.
E quando, embriagada pelo prazer que o exercício lhe proporcionava, o seu próprio corpo desfaleceu, ela tombou sobre a consola de comando da passadeira, ficando pendurada com o tronco para um dos lados e as pernas para o outro lado.
O alvoroço foi muito e vários acorreram em seu auxílio. E, lá chegados, próximos, rapidamente concluíram que o melhor seria darem-lhe umas palmadas nas bochechas. Até que estas ganhassem cor e ela reanimasse, voltando a si.
O corpo sempre a esforçar, sem lhe permitir descansar. Sem lhe dar descanso. "Quem corre por gosto não cansa", dizem, sem afirmarem que uma tal corredora nunca descansa.
Há quem tenha tanta energia que parece inesgotável. E nesse erro caiu ela própria. Em cima da passadeira rolante corria, indiferente aos pedidos do seu próprio corpo para parar. Ou até mesmo para abrandar. O objectivo era ir mais longe. Estar durante mais tempo. Gastar o maior número de calorias. Derreter a maior quantidade de gordura.
E quando, embriagada pelo prazer que o exercício lhe proporcionava, o seu próprio corpo desfaleceu, ela tombou sobre a consola de comando da passadeira, ficando pendurada com o tronco para um dos lados e as pernas para o outro lado.
O alvoroço foi muito e vários acorreram em seu auxílio. E, lá chegados, próximos, rapidamente concluíram que o melhor seria darem-lhe umas palmadas nas bochechas. Até que estas ganhassem cor e ela reanimasse, voltando a si.
2012-06-08
A manada
Não vi um finlandês preocupado com os gastos exorbitantes dos
portugueses em telemóveis. Não vi um alemão preocupado com o excessivo
crédito assumido por portugueses para adquirir carros, novos e usados,
de marcas alemãs. Muito menos com a aquisição de submarinos pelo Estado
Português.
Aparentemente há vários preocupados com as dívidas excessivas contraídas pelos portugueses.
Aparentemente, conseguem ver a Europa como um somatório de compartimentos estanques. Como se a situação de uns, não pudesse vir a influenciar a situação dos outros. Pensam que a Europa poderá ser vista como uma manada, onde os mais lentos e mais fracos poderão ser sacrificados, salvando os mais velozes e mais valentes dos predadores.
Apesar de terem razão na metáfora, esquecem-se da totalidade. Que os predadores são mais que muitos. E depois de tratarem dos mais pequenos, que mal dão para lhes saciar o apetite, virar-se-ão para os maiores.
Curiosamente os predadores, quais animais irracionais, ainda não se aperceberam que, à medida que as vítimas caírem, também eles ficarão em vias de extinção.
Aparentemente há vários preocupados com as dívidas excessivas contraídas pelos portugueses.
Aparentemente, conseguem ver a Europa como um somatório de compartimentos estanques. Como se a situação de uns, não pudesse vir a influenciar a situação dos outros. Pensam que a Europa poderá ser vista como uma manada, onde os mais lentos e mais fracos poderão ser sacrificados, salvando os mais velozes e mais valentes dos predadores.
Apesar de terem razão na metáfora, esquecem-se da totalidade. Que os predadores são mais que muitos. E depois de tratarem dos mais pequenos, que mal dão para lhes saciar o apetite, virar-se-ão para os maiores.
Curiosamente os predadores, quais animais irracionais, ainda não se aperceberam que, à medida que as vítimas caírem, também eles ficarão em vias de extinção.
2012-06-06
Uma pequena parte
Há sempre uma ponta de egoísmo no sentimento que acompanha um ente querido que parte, que se afasta e/ou que termina uma relação connosco. Por muito que desejemos a felicidade do ausente, ficamos infelizes no presente. Infelizes por essa felicidade deixar de passar por nós no futuro.
E não deveria ser assim. Não deveríamos ficar agarrados ao passado, não libertando os nossos sentimentos completamente. A frustração das falhas que cometemos ainda é compreensível. Mas por terem sido falhas. E só por isso. Pois devemos lembrá-las apenas para não voltarmos a repeti-las.
As desculpas são mais que muitas. Por isto, por aquilo, por aquele outro, há sempre razões para os nossos falhanços. E até há para os falhanços dos outros. Mesmo que não os consigamos ver com a mesma nitidez. Com a mesma clareza com que desculpamos os nossos.
O importante é que, ainda que uma pequena parte de nós fique a remoer, a nossa maior parte avance para o futuro com isto presente: os erros são inevitáveis.
Mas serão tão mais indesculpáveis quanto mais repetentes e persistentes forem.
E não deveria ser assim. Não deveríamos ficar agarrados ao passado, não libertando os nossos sentimentos completamente. A frustração das falhas que cometemos ainda é compreensível. Mas por terem sido falhas. E só por isso. Pois devemos lembrá-las apenas para não voltarmos a repeti-las.
As desculpas são mais que muitas. Por isto, por aquilo, por aquele outro, há sempre razões para os nossos falhanços. E até há para os falhanços dos outros. Mesmo que não os consigamos ver com a mesma nitidez. Com a mesma clareza com que desculpamos os nossos.
O importante é que, ainda que uma pequena parte de nós fique a remoer, a nossa maior parte avance para o futuro com isto presente: os erros são inevitáveis.
Mas serão tão mais indesculpáveis quanto mais repetentes e persistentes forem.
2012-05-15
Incendiário
Gostaria de partilhar convosco (três coisas raríssimas, só por si, quanto mais pelo conjunto), coisas interessantes que se podem ler numa embalagem de um isqueiro doméstico. Não confundir com isqueiros selvagens, os quais não costumam obedecer à norma ISO 22702, nem costumam deixar-se embalar facilmente.
"Acender isqueiro multi-usos longe da cara e das roupas" - eu acrescentaria que longe de seja o que for que não se queira ver queimado nem a arder. A cara e as roupas serão apenas uma pequena parte do nosso corpo e das nossas posses que queremos manter longe de uma chama.
Talvez por isso o aviso de manter afastado do alcance das crianças.
"PERIGO
Contém gás Butano sob pressão" - e ainda bem ou teria que ser recarregado caso o pretendêssemos usar. O que não raras vezes acontece quando adquirimos algo.
"Extremamente inflamável" - o isqueiro ou o gás butano? Espero que seja o gás, ou seria perigoso tentar acender um isqueiro extremamente inflamável. Estou ansioso por ler as instruções da recarga.
"Não usar perto de fogo, chama ou faíscas" - ora se tivéssemos uma destas coisas, necessitaríamos dele?
"Assegurar-se que a chama fica completamente apagada após cada utilização" - para além de ser um conselho eminentemente económico, acaba por ser prático não ter o esquecimento de o guardar ainda com a chama a arder.
"Não usar para acender cigarros, charutos ou cachimbos" - esta parece-me a recomendação mais surpreendente. Principalmente quando não acompanhada de uma pequena explicação. Não é que esteja a pensar manter aceso um daqueles vícios. Surpreende-me que um isqueiro não possa ser usado como isqueiro para toxicodependentes. Mas nem uma palavra sobre o seu uso para aquecer colheres de chá ou de sopa...
"Não manter aceso durante mais de 30 segundos" - que fraquinho...
Será que posso acender uma churrasqueira ou uma lareira? E incendiar um chouriço banhado em álcool?
Obviamente afastado da cara e das roupas.
"Acender isqueiro multi-usos longe da cara e das roupas" - eu acrescentaria que longe de seja o que for que não se queira ver queimado nem a arder. A cara e as roupas serão apenas uma pequena parte do nosso corpo e das nossas posses que queremos manter longe de uma chama.
Talvez por isso o aviso de manter afastado do alcance das crianças.
"PERIGO
Contém gás Butano sob pressão" - e ainda bem ou teria que ser recarregado caso o pretendêssemos usar. O que não raras vezes acontece quando adquirimos algo.
"Extremamente inflamável" - o isqueiro ou o gás butano? Espero que seja o gás, ou seria perigoso tentar acender um isqueiro extremamente inflamável. Estou ansioso por ler as instruções da recarga.
"Não usar perto de fogo, chama ou faíscas" - ora se tivéssemos uma destas coisas, necessitaríamos dele?
"Assegurar-se que a chama fica completamente apagada após cada utilização" - para além de ser um conselho eminentemente económico, acaba por ser prático não ter o esquecimento de o guardar ainda com a chama a arder.
"Não usar para acender cigarros, charutos ou cachimbos" - esta parece-me a recomendação mais surpreendente. Principalmente quando não acompanhada de uma pequena explicação. Não é que esteja a pensar manter aceso um daqueles vícios. Surpreende-me que um isqueiro não possa ser usado como isqueiro para toxicodependentes. Mas nem uma palavra sobre o seu uso para aquecer colheres de chá ou de sopa...
"Não manter aceso durante mais de 30 segundos" - que fraquinho...
Será que posso acender uma churrasqueira ou uma lareira? E incendiar um chouriço banhado em álcool?
Obviamente afastado da cara e das roupas.
2012-04-23
Prazer de condução
Tirei a carta tarde. Isso traduziu-se naturalmente em alguma dificuldade na aprendizagem. Apesar de após encartado ter começado a conduzir, a condução era de fraca qualidade. Cheia de hesitações e erros.
Nada de muito grave, mas com prejuízo evidente na suavidade da condução. E até alguns pequenos acidentes. Digamos que não deixava saudades e que só por parcialidade seria possível apreciá-la.
O tempo foi passando, o número de kilómetros aumentando e a facilidade e qualidade melhorando. A isto junta-se o facto do número de veículos conduzidos ter igualmente aumentado. A habilitação e habilidade foi-se tornando cada vez mais abrangente.
Vendo bem as coisas, os princípios que estão por detrás da condução de cada veículo são semelhantes, com as devidas adaptações. Os comandos poderão ter configurações e tamanhos diferentes, mas nunca são totalmente diversos que não permitam o seu reconhecimento. Poderá demorar a dominar a máquina. No fundo é apenas uma questão de dedicação e de tempo. Também sensibilidade é necessária para reconhecer a resposta e o que faz melhorar essa resposta.
Muitas vezes há o desejo de conduzir máquinas cada vez mais potentes. Há no entanto um preço a pagar. Ou vários. A condução terá que ser efectuada com mais atenção. Não há tanta margem para erros. A manutenção além de cara poderá complicada. E nada disto refreia o desejo. Por vezes apenas o aumenta.
Independentemente do interesse que os veículos alheios possam inspirar, não há nada como conduzir o nosso. Aquele a quem já estamos habituados. Conhecemos o seu corpo quase como o nosso. Sabemos interpretar a sua resposta em cada contexto. No início é uma verdadeira aventura. Com o passar do tempo e aumento da prática, o que nos faltar em aventura, sobrar-nos-á em prazer.
Nada de muito grave, mas com prejuízo evidente na suavidade da condução. E até alguns pequenos acidentes. Digamos que não deixava saudades e que só por parcialidade seria possível apreciá-la.
O tempo foi passando, o número de kilómetros aumentando e a facilidade e qualidade melhorando. A isto junta-se o facto do número de veículos conduzidos ter igualmente aumentado. A habilitação e habilidade foi-se tornando cada vez mais abrangente.
Vendo bem as coisas, os princípios que estão por detrás da condução de cada veículo são semelhantes, com as devidas adaptações. Os comandos poderão ter configurações e tamanhos diferentes, mas nunca são totalmente diversos que não permitam o seu reconhecimento. Poderá demorar a dominar a máquina. No fundo é apenas uma questão de dedicação e de tempo. Também sensibilidade é necessária para reconhecer a resposta e o que faz melhorar essa resposta.
Muitas vezes há o desejo de conduzir máquinas cada vez mais potentes. Há no entanto um preço a pagar. Ou vários. A condução terá que ser efectuada com mais atenção. Não há tanta margem para erros. A manutenção além de cara poderá complicada. E nada disto refreia o desejo. Por vezes apenas o aumenta.
Independentemente do interesse que os veículos alheios possam inspirar, não há nada como conduzir o nosso. Aquele a quem já estamos habituados. Conhecemos o seu corpo quase como o nosso. Sabemos interpretar a sua resposta em cada contexto. No início é uma verdadeira aventura. Com o passar do tempo e aumento da prática, o que nos faltar em aventura, sobrar-nos-á em prazer.
2012-04-11
Metal da pesada
O José Luís Peixoto afirmou numa entrevista há dias, a propósito dos seus gostos musicais, qualquer coisa do estilo: que já não tem 17 anos. Tem 37 anos e por isso ouve vários estilos de música.
Eu não tenho nem uma nem outra idade, apesar de já ter tido ambas, e oiço de tudo. Porque não sou surdo.
Apesar de não gostar de formatações redutoras de músicas ou de artistas, confesso que gosto particularmente de músicas associadas ao estilo Heavy Metal, seja lá o que isso for. E dentro disso, encontro uma variedade tão grande, que não preciso de procurar satisfação noutros estilos.
De vez em quando dou uma espreitadela naquelas músicas boas de se ver. Porque os olhos também comem, ainda que não saboreiem.
Isto é bem capaz de ser básico. Mas, basicamente, é disto que gosto, ainda que nem tudo o que encaixe neste estilo me satisfaça.
Eu não tenho nem uma nem outra idade, apesar de já ter tido ambas, e oiço de tudo. Porque não sou surdo.
Apesar de não gostar de formatações redutoras de músicas ou de artistas, confesso que gosto particularmente de músicas associadas ao estilo Heavy Metal, seja lá o que isso for. E dentro disso, encontro uma variedade tão grande, que não preciso de procurar satisfação noutros estilos.
De vez em quando dou uma espreitadela naquelas músicas boas de se ver. Porque os olhos também comem, ainda que não saboreiem.
Isto é bem capaz de ser básico. Mas, basicamente, é disto que gosto, ainda que nem tudo o que encaixe neste estilo me satisfaça.
2012-03-31
Reflexo
Qualquer forma de comunicação revela muito do seu emissor. E uma das que mais reflectem a verdadeira imagem do seu autor será a escrita.
Não é a mais fácil de descodificar. Talvez por não ser fácil de codificar. Ao leitor exige que leia. Que se esforce. Que compreenda. Não sei qual das premissas anteriores terá caído mais em desuso. Sei que todas elas parecem ter embarcado na barca da crise. Talvez empurradas pela exiguidade do tempo, que parece ter acelerado o passo.
Quem fica para trás, agarrado a livros em papel e máquinas de escrever, ainda que electrónicas, parece condenado ao ostracismo. Condenado a ter que abraçar novas formas de comunicação, para ter receptores da respectiva mensagem.
Curiosamente, reflectindo em todas as novas oportunidades que as novas tecnologias, algumas já não tão novas assim, oferecem, chego à conclusão que a mensagem, longe de estar refinada, cada vez mais parece estar mais esvaziada.
O conteúdo, talvez ofuscado pelas luzes brilhantes dos novos canais de comunicação, parece paulatinamente ter-se evaporado. Está cada vez mais leve, menos satisfatório. Porque nem sempre é o que tem melhor aspecto o que mais nos cativa. O que mais nos satisfaz.
E tudo o que escrevemos, quer seja formalmente quer informalmente, reflecte o que somos. O que pretendemos transmitir. E tal como na comunicação presencial, é quando nos apresentamos informalmente que mais mostramos aquilo que realmente somos.
Não é a mais fácil de descodificar. Talvez por não ser fácil de codificar. Ao leitor exige que leia. Que se esforce. Que compreenda. Não sei qual das premissas anteriores terá caído mais em desuso. Sei que todas elas parecem ter embarcado na barca da crise. Talvez empurradas pela exiguidade do tempo, que parece ter acelerado o passo.
Quem fica para trás, agarrado a livros em papel e máquinas de escrever, ainda que electrónicas, parece condenado ao ostracismo. Condenado a ter que abraçar novas formas de comunicação, para ter receptores da respectiva mensagem.
Curiosamente, reflectindo em todas as novas oportunidades que as novas tecnologias, algumas já não tão novas assim, oferecem, chego à conclusão que a mensagem, longe de estar refinada, cada vez mais parece estar mais esvaziada.
O conteúdo, talvez ofuscado pelas luzes brilhantes dos novos canais de comunicação, parece paulatinamente ter-se evaporado. Está cada vez mais leve, menos satisfatório. Porque nem sempre é o que tem melhor aspecto o que mais nos cativa. O que mais nos satisfaz.
E tudo o que escrevemos, quer seja formalmente quer informalmente, reflecte o que somos. O que pretendemos transmitir. E tal como na comunicação presencial, é quando nos apresentamos informalmente que mais mostramos aquilo que realmente somos.
2012-02-18
Lançamento
Para os leitores menos informados, informo que lancei um novo blog e não sei onde foi parar. Poderão tentar encontrá-lo em Notícias pérfidas, onde, talvez, também haja fogo.
Não pretendo com isto dar-vos muita informação. Pretendo que os menos informados fiquem um bocadinho mais informados. E os mais informados fiquem um bocadinho mais divertidos. Se conseguirem, no meio de tanta perfídia. E o pérfido sou eu...
Não pretendo com isto dar-vos muita informação. Pretendo que os menos informados fiquem um bocadinho mais informados. E os mais informados fiquem um bocadinho mais divertidos. Se conseguirem, no meio de tanta perfídia. E o pérfido sou eu...
2012-02-15
Hierarquias amistosas
Nunca gostei de classificações sobre gostos. A perda de tempo em ordenar aquilo que gosto mais agrava-se com o carácter efémero desta ordenação. Não quero com isto afirmar que, entre duas situações, eu não saiba de qual gosto mais. Normalmente sei. Mas as vezes que não sei, não me provocam insónias.
À mutabilidade da hierarquia junta-se o facto da maioria das coisas nem serem comparáveis. São, na maioria das vezes, apenas diferentes.
Uma eventual ordenação, ainda que fosse perene, nenhum valor acrescentaria ao sentimento. E o que se sente, não se submete a ordens.
À mutabilidade da hierarquia junta-se o facto da maioria das coisas nem serem comparáveis. São, na maioria das vezes, apenas diferentes.
Uma eventual ordenação, ainda que fosse perene, nenhum valor acrescentaria ao sentimento. E o que se sente, não se submete a ordens.
2012-01-19
Uno
Por momentos fomos um. O mundo tinha sido expulso para além das nossas fronteiras unificadas. Nem sequer reparámos se nos observava, com a inveja de quem é forçado a ficar ver, sem poder participar.
Foram momentos efémeros que deixaram memórias perenes. Que ajudaram a fortalecer a união. A preterir os outros, preferindo-nos.
Mas o mundo acaba por regressar. Talvez movido pela tal inveja, fazendo questão de se intrometer. Fazendo questão de desgastar. Forjando desculpas para faltas de comunhão. Parecendo gozar à medida que a erosão deixava marcas profundas. Sentindo que cada dia era dado mais um passo em direcção ao fim. Fim que paulatinamente se aproximava, gelando à sua passagem, qual Inverno enregelador.
E quando o fim, que se adivinhava, finalmente chegou, o mundo nem se dignou festejar. Pareceu ter reduzido a sua importância a uma insignificância. E quando um, chegando ao limite, gritou uno, o único prémio que recebeu foram as suas próprias lágrimas amargas.
Foram momentos efémeros que deixaram memórias perenes. Que ajudaram a fortalecer a união. A preterir os outros, preferindo-nos.
Mas o mundo acaba por regressar. Talvez movido pela tal inveja, fazendo questão de se intrometer. Fazendo questão de desgastar. Forjando desculpas para faltas de comunhão. Parecendo gozar à medida que a erosão deixava marcas profundas. Sentindo que cada dia era dado mais um passo em direcção ao fim. Fim que paulatinamente se aproximava, gelando à sua passagem, qual Inverno enregelador.
E quando o fim, que se adivinhava, finalmente chegou, o mundo nem se dignou festejar. Pareceu ter reduzido a sua importância a uma insignificância. E quando um, chegando ao limite, gritou uno, o único prémio que recebeu foram as suas próprias lágrimas amargas.
2012-01-03
A vaca fria
Não percebo a fixação que algumas pessoas têm pela neve. Percebo que a achem linda. Mas isso não me chega. Ela pode ser linda mas é gelada. Como se isso não bastasse, derrete-se logo mal se lhe põe as mãos em cima.
Depois tem aquela maneira de viver das aparências. Parece toda branquinha e, ao aproximar-mo-nos mais, começamos a ver a porcaria. Começamos a perceber que aquilo que parecia ser de um branco imaculado, está cheio de manchas acinzentadas. Isto se não estiver com umas muito suspeitas cores mais garridas...
Apesar de se derreter com facilidade, pode ocultar o seu escorregadio amigo gelo. Aliás, basta pressioná-la para ele aparecer logo. Primeiro é só negações, ninguém escorrega, ninguém cai. Mas por debaixo dela, ele se esconde. À espera de trair mais alguém.
No entanto, espero que, o facto de nunca a ter conhecido pessoalmente, não me tenha prejudicado o julgamento...
Depois tem aquela maneira de viver das aparências. Parece toda branquinha e, ao aproximar-mo-nos mais, começamos a ver a porcaria. Começamos a perceber que aquilo que parecia ser de um branco imaculado, está cheio de manchas acinzentadas. Isto se não estiver com umas muito suspeitas cores mais garridas...
Apesar de se derreter com facilidade, pode ocultar o seu escorregadio amigo gelo. Aliás, basta pressioná-la para ele aparecer logo. Primeiro é só negações, ninguém escorrega, ninguém cai. Mas por debaixo dela, ele se esconde. À espera de trair mais alguém.
No entanto, espero que, o facto de nunca a ter conhecido pessoalmente, não me tenha prejudicado o julgamento...
2011-12-12
O regresso em força
Finalmente voltei para cima da minha menina. Quatro voltas num dia, para iniciar bem a semana. Tantas saudades!
Sei que foram rapidinhas, mas não houve tempo para mais. Talvez no próximo fim de semana dê para duas maiorzinhas.
Ela até ronronou debaixo de mim, o que me fez apertar com ela ainda mais. E quanto mais apertava, mais forte e agudo o som se tornava. E mais me agarrei a ela.
O melhor a fazer, quando se arranca com força, é não se deixar ficar para trás...
Sei que foram rapidinhas, mas não houve tempo para mais. Talvez no próximo fim de semana dê para duas maiorzinhas.
Ela até ronronou debaixo de mim, o que me fez apertar com ela ainda mais. E quanto mais apertava, mais forte e agudo o som se tornava. E mais me agarrei a ela.
O melhor a fazer, quando se arranca com força, é não se deixar ficar para trás...
2011-12-06
Ineficiência consumidora
Já devíamos estar habituados a estar
em locais com pouca gente a atender e muita gente para ser atendida.
Obviamente não nos cabe a nós decidir quantas pessoas deveriam
estar a atender, mas podemos facilitar a vida a toda a gente. A quem
quer ser atendido rapidamente e a quem quer poupar em quem atende.
As senhas de vez, as filas de espera e
os pagamentos com cartão ou com dinheiro já não deveriam ter
segredos para ninguém. Até compreendo que pessoas com mais idade
tenham alguma inabilidade quer física quer mental para se
desembaraçarem na execução de algumas tarefas. Mas a maioria
deveria estar mais atenta e mais preparada para lidar com a tarefa
quando chega a sua vez. Não deveria custar muito a preparação do
pagamento, da reunião de todos os documentos e informações
necessárias. Encurta-se o tempo de espera e de atendimento, o que
melhora o serviço para todos.
2011-12-04
(Im)perfeição
À primeira vista poderá parecer
ridículo, mas não acontecerá assim com tão pouca frequência como
se poderá pensar. Muitas vezes ficamos presos à imagem de um
objecto. Pelos olhos, ficamos presos, imaginando-a como perfeita.
Como perfeita imagem do objecto. Chegamos mesmo a confundir a imagem
com o próprio objecto. Envoltos nesta ilusão, nem imaginamos o
quanto o objecto pode diferir daquela imagem. Afinal a imagem
representa apenas uma face do objecto e não a sua totalidade. Para
isso temos que estar na sua presença. Curiosamente, ainda que na sua
presença, o objecto ilude-nos apresentando várias facetas.
Escapando à captura da sua totalidade, a qual por sua vez também
escapa ao próprio objecto.
Mais dramática que a incapacidade da
captura do objecto na sua totalidade, será quando na presença de
ambos, preferirmos a imagem. Ficarmos reféns daquela imagem de
perfeição que captámos, a qual não conseguimos actualizar em
conformidade com a totalidade do objecto. Como pode um objecto,
naturalmente imperfeito, suportar tamanha comparação com qualquer
imagem de perfeição que se possa ter dele?
2011-11-25
A dobrar
Fiquei estupefacto com tamanha bizarria! Após já me ter habituado que, no Odisseia (Odiseia), tudo é dobrado, é com espanto que sigo o documentário Sex Mundi. Não que seja o primeiro que não oiço dobrado, mas porque está dobrado em castelhano.
Se me desgosto muito por ter de me resignar a assistir a um documentário, dobrado em português, pior fico quando tenho que assistir a um dobrado em castelhano. As dobragens além de adulterarem o original, apagam quase por completo qualquer resquício deste, deixando apenas a imagem à vista. E a imagem raramente chega para apreciar um programa de televisão (que me perdoem os cegos e os surdos).
A razão desta dobragem escapa à minha razão. Como tal, posso conjecturar (eu não acordei nada) que tal se deva ao facto da língua portuguesa não ser digna de tocar sequer nalgumas zonas (preferiam um trocadilho com roupa formal?). Dizer-se-ia que um pénis não poderia sair de uma boca portuguesa. Ou que uns lábios portugueses não poderiam aflorar uma vagina que fosse.
Aparentemente, nada disso, segundo este Odisseia (Odiseia), se passará com outra qualquer, espanhola.
Se me desgosto muito por ter de me resignar a assistir a um documentário, dobrado em português, pior fico quando tenho que assistir a um dobrado em castelhano. As dobragens além de adulterarem o original, apagam quase por completo qualquer resquício deste, deixando apenas a imagem à vista. E a imagem raramente chega para apreciar um programa de televisão (que me perdoem os cegos e os surdos).
A razão desta dobragem escapa à minha razão. Como tal, posso conjecturar (eu não acordei nada) que tal se deva ao facto da língua portuguesa não ser digna de tocar sequer nalgumas zonas (preferiam um trocadilho com roupa formal?). Dizer-se-ia que um pénis não poderia sair de uma boca portuguesa. Ou que uns lábios portugueses não poderiam aflorar uma vagina que fosse.
Aparentemente, nada disso, segundo este Odisseia (Odiseia), se passará com outra qualquer, espanhola.
2011-10-21
De acordo?
O p abre o e no meio da recepção. O c abre o a no início da acção. Depois abre o a num facto concreto. O hífen liga o guarda à chuva. O h ainda voa com o helicóptero, tal como o p que se aguentou bem.
Digo-lhes e não digo a vocês nem digo a eles que nunca foi fácil ficar de acordo. Só se estiverem a gozar comigo...
2011-09-30
A justiça dos homens
Numa semana alucinante, um condenado de crimes praticados nos EUA é preso, graças aos esforços dos investigadores norte-americanos. Após 41 anos de fuga, as autoridades norte-americanas não se pouparam a esforços e mantiveram-se à coca e à escuta. E o esforço foi recompensado.
Por cá, um autarca condenado a cumprir pena há cerca de dois anos, só agora é preso e de forma que alguns clamam ser ilegal.
A loucura do enriquecimento ilícito continua, e só poderá resultar em mais leis que ninguém conseguirá aplicar. Quando alguém tentar aplicá-la, ver-se-á embrulhado em tamanho embrulho jurídico, que demorará tantos anos para desembrulhar como qualquer outro crime económico demora para condenar alguém.
Quando após esses anos todos, a esbanjar recursos, que poderiam ser canalizados para a aplicação de leis mais meritórias, todos forem absolvidos, além das indemnizações que o Estado tentará esquivar-se a pagar, a única coisa que a opinião pública se irá lembrar será que, fulano tal, após ter sido condenado claramente pela comunicação social, saiu em liberdade e que ninguém é alguma vez condenado, por ter mais bens, como se eles não fossem todos de holdings e de parentes próximos, do que aqueles que os seus rendimentos declarados, permitiriam adquirir.
Obviamente os criminosos mais esbanjadores, teriam enriquecido ilicitamente, menos que os criminosos mais poupadinhos. O que fará deles menos culpados...
Por outro lado, só se admite tal lei, quando todas as outras falham e deixam a justiça impotente. Cá em Portugal, a senhora justiça teria uma venda não por questões de imparcialidade, mas para não ver um palmo à frente do nariz. Idem para os deputados, os quais parecem querer fazer o mesmo aos restantes cidadãos.
Por cá, um autarca condenado a cumprir pena há cerca de dois anos, só agora é preso e de forma que alguns clamam ser ilegal.
A loucura do enriquecimento ilícito continua, e só poderá resultar em mais leis que ninguém conseguirá aplicar. Quando alguém tentar aplicá-la, ver-se-á embrulhado em tamanho embrulho jurídico, que demorará tantos anos para desembrulhar como qualquer outro crime económico demora para condenar alguém.
Quando após esses anos todos, a esbanjar recursos, que poderiam ser canalizados para a aplicação de leis mais meritórias, todos forem absolvidos, além das indemnizações que o Estado tentará esquivar-se a pagar, a única coisa que a opinião pública se irá lembrar será que, fulano tal, após ter sido condenado claramente pela comunicação social, saiu em liberdade e que ninguém é alguma vez condenado, por ter mais bens, como se eles não fossem todos de holdings e de parentes próximos, do que aqueles que os seus rendimentos declarados, permitiriam adquirir.
Obviamente os criminosos mais esbanjadores, teriam enriquecido ilicitamente, menos que os criminosos mais poupadinhos. O que fará deles menos culpados...
Por outro lado, só se admite tal lei, quando todas as outras falham e deixam a justiça impotente. Cá em Portugal, a senhora justiça teria uma venda não por questões de imparcialidade, mas para não ver um palmo à frente do nariz. Idem para os deputados, os quais parecem querer fazer o mesmo aos restantes cidadãos.
2011-08-30
Tudo o que desejo
Se, por absurdo, atingisse tudo o que desejo, que me restaria desejar? Por cada etapa vencida, novos desafios se erguem para derrotar ou serem derrotados.
Se, quando digo, vou por aqui e não vou por ali, de que dificuldades me esgueirei para cair nos braços que me prendem? Nos braços que me desviam do meu caminho.
Quando, desejando o que é melhor para outrem, poderei ter a certeza de ir ao encontro dos seus desejos? Certamente que nunca. Cabe a cada qual descortinar o seu caminho e desbravá-lo. Custe o que custar.
Por mais domesticado que algumas vezes possa parecer, o Homem é o animal mais indomável que existe neste planeta. O seu corpo pode ser dominado e domado, mas vergar o seu espírito será bem mais difícil. Mesmo quando se entrega, apenas apazigua a chama que arde no seu interior.
Como posso abrir mão do que não compreendo, libertando quem julgava estar preso? Cedendo ao meu desejo?
Como posso libertar-me do que me prende? Cerceando o meu desejo?
Se, quando digo, vou por aqui e não vou por ali, de que dificuldades me esgueirei para cair nos braços que me prendem? Nos braços que me desviam do meu caminho.
Quando, desejando o que é melhor para outrem, poderei ter a certeza de ir ao encontro dos seus desejos? Certamente que nunca. Cabe a cada qual descortinar o seu caminho e desbravá-lo. Custe o que custar.
Por mais domesticado que algumas vezes possa parecer, o Homem é o animal mais indomável que existe neste planeta. O seu corpo pode ser dominado e domado, mas vergar o seu espírito será bem mais difícil. Mesmo quando se entrega, apenas apazigua a chama que arde no seu interior.
Como posso abrir mão do que não compreendo, libertando quem julgava estar preso? Cedendo ao meu desejo?
Como posso libertar-me do que me prende? Cerceando o meu desejo?
2011-08-21
Dois dedos não se negam
Será possível iniciar uma relação sem dar dois dedos de conversa? Definitivamente não.
E não pode ser uma conversa rude e apressada. Até poderá tornar-se rude, mas só ao aproximar-se do final. Inicialmente deve ser calma, pausada, cheia de atenção. Mas firme, sem hesitações. Cheia de interesse por ela. Muita atenção deve ser dada aos lábios e às expressões.
Só assim ela se deixará conquistar e falará abertamente. E revelará através dos seus lábios os seus desejos mais íntimos. Aqueles que não revela a qualquer um, mas guarda para mostrar apenas ao conquistador.
Conquista que, não a sendo verdadeiramente, dado não ser tomada à força, é simulada para prazer mútuo. Prazer quer do conquistador, quer da conquistada.
Sem os tais dedos de conversa iniciais, não há quem se renda às investidas do pretendente a conquistador.
E não pode ser uma conversa rude e apressada. Até poderá tornar-se rude, mas só ao aproximar-se do final. Inicialmente deve ser calma, pausada, cheia de atenção. Mas firme, sem hesitações. Cheia de interesse por ela. Muita atenção deve ser dada aos lábios e às expressões.
Só assim ela se deixará conquistar e falará abertamente. E revelará através dos seus lábios os seus desejos mais íntimos. Aqueles que não revela a qualquer um, mas guarda para mostrar apenas ao conquistador.
Conquista que, não a sendo verdadeiramente, dado não ser tomada à força, é simulada para prazer mútuo. Prazer quer do conquistador, quer da conquistada.
Sem os tais dedos de conversa iniciais, não há quem se renda às investidas do pretendente a conquistador.
2011-07-26
Cem importâncias
Provoca-me urticária sempre que oiço ou leio que determinada medida é simbólica porque permite poupar pouco dinheiro. Obviamente essas mentes iluminadas falam sobre o dinheiro alheio (ou julgado alheio). Porque se fosse directamente do próprio, teriam menos objecções. E gostariam que tal medida poupasse ainda mais alguns cêntimos.
Nunca ouvi falar de alguém que tivesse amealhado fortuna desperdiçando uns cêntimos aqui e mais uns cêntimos acolá (ou centavos). Mas já ouvi falar de quem, tendo a fortuna vindo parar-lhe ao colo, a tenha esbanjado por não olhar às despesas. Gente que não poupou no desperdício, poupando pensamentos sobre como, cêntimo a cêntimo, a fortuna lhe escapava. Nem sequer por entre os dedos, dado que nada tentavam agarrar.
Talvez falte a certa gente a perspectiva que o acumular de riqueza é o somatório de muitos cêntimos (a Matemática nesta terra é muitas vezes desprezada).
É claro que não basta ser sovina para se ficar rico. Será necessário mas não suficiente, que os cêntimos acumulados se multipliquem de forma quase bíblica. Mas qualquer indivíduo ou corporação que tenha enriquecido, sabe que é preciso estancar a fuga dos cêntimos para situações de desperdício ou para os bolsos dos adversários.
Tal como uma torneira que pinga parece não desperdiçar muito, acumulando metros cúbicos ao longo do tempo, os nossos governantes acharam sempre que poupar cêntimos (ou centavos) seria desprestigiantes. E nunca se aperceberam das piscinas que poderiam ter enchido (excluindo as deles e dos amigos). Poderia assim o povo banhar-se ao invés de permitir que alguns aspirantes a Tio Patinhas tivessem enchido as suas caixas-forte...
Nunca ouvi falar de alguém que tivesse amealhado fortuna desperdiçando uns cêntimos aqui e mais uns cêntimos acolá (ou centavos). Mas já ouvi falar de quem, tendo a fortuna vindo parar-lhe ao colo, a tenha esbanjado por não olhar às despesas. Gente que não poupou no desperdício, poupando pensamentos sobre como, cêntimo a cêntimo, a fortuna lhe escapava. Nem sequer por entre os dedos, dado que nada tentavam agarrar.
Talvez falte a certa gente a perspectiva que o acumular de riqueza é o somatório de muitos cêntimos (a Matemática nesta terra é muitas vezes desprezada).
É claro que não basta ser sovina para se ficar rico. Será necessário mas não suficiente, que os cêntimos acumulados se multipliquem de forma quase bíblica. Mas qualquer indivíduo ou corporação que tenha enriquecido, sabe que é preciso estancar a fuga dos cêntimos para situações de desperdício ou para os bolsos dos adversários.
Tal como uma torneira que pinga parece não desperdiçar muito, acumulando metros cúbicos ao longo do tempo, os nossos governantes acharam sempre que poupar cêntimos (ou centavos) seria desprestigiantes. E nunca se aperceberam das piscinas que poderiam ter enchido (excluindo as deles e dos amigos). Poderia assim o povo banhar-se ao invés de permitir que alguns aspirantes a Tio Patinhas tivessem enchido as suas caixas-forte...
2011-06-27
Mudanças
Aparentemente o SEF precisou de mudar de instalações. Uma situação obviamente inadiável.
Depois de devidamente ponderadas todas as soluções (ninguém muda de casa sem pensar seriamente nas vantagens e desvantagens da mudança), optou-se por vender por 6 milhões de euros o edifício onde o SEF morava e alugar nova casa.
Poderá parecer estranha a situação de vender uma casa para alugar outra na mesma localidade. Certamente houve razões fortes para isso.
A solução passou por alugar uma casa mais pequena por 1 milhão de euros por ano.
Talvez até uma criança formada no atual ensino básico saiba calcular ao fim de quantos anos se fica a gastar mais que tendo ficado no edifício original.
Como se não bastasse, foi necessário recorrer a obras de adaptação do novo edifício alugado. Mais 2 milhões para as adaptações,
mais outro milhão para arranjos na zona envolvente. A conta foi subindo. Depois de tantas obras e tantas mudanças, chegou-se à conclusão que não havia espaço para a informática. A solução é diabolicamente estúpida. Alugaram-se dois pisos no edifício original do SEF pela módica quantia de 1 milhão de euros por ano (mais o milhão do edifício novo, a conta passou para dois milhões por ano).
Valerá a pena perguntar a uma criança se a solução acabou em prejuízo para o prestígio e para os cofres do Estado?
Parece que continuam a aparecer alguns privilegiados que fazem bons negócios ao mesmo tempo que o Estado faz negócios ruinosos. Curiosamente são os mesmos negócios.
Também parece que ninguém será responsabilizado pela situação. Ninguém irá parar à cadeia e, caso seja despedido, provavelmente ainda levará alguma indemnização e irá trabalhar para os tais que fazem tão bons negócios com o Estado.
Se podíamos mudar? Poder podíamos, mas não seria a mesma coisa...
Depois de devidamente ponderadas todas as soluções (ninguém muda de casa sem pensar seriamente nas vantagens e desvantagens da mudança), optou-se por vender por 6 milhões de euros o edifício onde o SEF morava e alugar nova casa.
Poderá parecer estranha a situação de vender uma casa para alugar outra na mesma localidade. Certamente houve razões fortes para isso.
A solução passou por alugar uma casa mais pequena por 1 milhão de euros por ano.
Talvez até uma criança formada no atual ensino básico saiba calcular ao fim de quantos anos se fica a gastar mais que tendo ficado no edifício original.
Como se não bastasse, foi necessário recorrer a obras de adaptação do novo edifício alugado. Mais 2 milhões para as adaptações,
mais outro milhão para arranjos na zona envolvente. A conta foi subindo. Depois de tantas obras e tantas mudanças, chegou-se à conclusão que não havia espaço para a informática. A solução é diabolicamente estúpida. Alugaram-se dois pisos no edifício original do SEF pela módica quantia de 1 milhão de euros por ano (mais o milhão do edifício novo, a conta passou para dois milhões por ano).
Valerá a pena perguntar a uma criança se a solução acabou em prejuízo para o prestígio e para os cofres do Estado?
Parece que continuam a aparecer alguns privilegiados que fazem bons negócios ao mesmo tempo que o Estado faz negócios ruinosos. Curiosamente são os mesmos negócios.
Também parece que ninguém será responsabilizado pela situação. Ninguém irá parar à cadeia e, caso seja despedido, provavelmente ainda levará alguma indemnização e irá trabalhar para os tais que fazem tão bons negócios com o Estado.
Se podíamos mudar? Poder podíamos, mas não seria a mesma coisa...
2011-06-07
Pepinos, nabos e outros vegetais
Compreendendo que alguns pepinos, nabos e outros vegetais tenham entrado em paranoia, principalmente se estiverem nas proximidades geográficas. Custa-me a compreender que tantos tenham sido levados ao pânico, estando tão longe e tão afastados da realidade.
Ao ver a rama dos outros a arder, é natural que ponham as suas de molho.
No entanto, atendendo às notícias que circulam céleres, não parece haver causa para alarme, atendendo ao reduzido número de óbitos e até de diarreias explosivas. Sem qualquer desconsideração pelos desafortunados que acertaram em todos os números desta lotaria.
Não vejo tanta preocupação com a redução do consumo de gordura, açúcar, sal, cafeína, tabaco, perante a pandemias da obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, acidentes vasculares, doenças pulmonares, etc.
Parece que umas dezenas de casos por centenas de milhões de habitantes é motivo de grande preocupação, contrariando a falta de preocupação generalizada por outras pandemias mais palpáveis. É motivo para o gordo dedo alemão apontar para os mirrados pepinos e tomates latinos. Provavelmente ainda apontará para alguns hábitos de higiene menos cuidados de alguns turcos (os tais dos banhos).
Parece que os pepinos, os nabos e os outros vegetais não fazem o paralelo entre as notícias dos jornais e as conferências dos responsáveis pela saúde há pouco tempo atrás...
Ao ver a rama dos outros a arder, é natural que ponham as suas de molho.
No entanto, atendendo às notícias que circulam céleres, não parece haver causa para alarme, atendendo ao reduzido número de óbitos e até de diarreias explosivas. Sem qualquer desconsideração pelos desafortunados que acertaram em todos os números desta lotaria.
Não vejo tanta preocupação com a redução do consumo de gordura, açúcar, sal, cafeína, tabaco, perante a pandemias da obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, acidentes vasculares, doenças pulmonares, etc.
Parece que umas dezenas de casos por centenas de milhões de habitantes é motivo de grande preocupação, contrariando a falta de preocupação generalizada por outras pandemias mais palpáveis. É motivo para o gordo dedo alemão apontar para os mirrados pepinos e tomates latinos. Provavelmente ainda apontará para alguns hábitos de higiene menos cuidados de alguns turcos (os tais dos banhos).
Parece que os pepinos, os nabos e os outros vegetais não fazem o paralelo entre as notícias dos jornais e as conferências dos responsáveis pela saúde há pouco tempo atrás...
2011-05-31
Tacada anal
Num assunto tão sério e pertinente, nem as miúdas conseguem ficar sérias.
One more time...
2011-05-26
Provocação por vocação
Apesar de muitas vezes nos contentarmos com as coisas mais fáceis, costumamos admirar as que dão luta. As que, a cada acção, reagem. Ainda que a imprevisibilidade não seja garantida, a reacção garante a satisfação.
Quanto maior a reacção, mais gozo nos trará a acção. Desde os impulsos patológicos, até ao sentimento de dever cumprido, muitas cores tem esta paleta resultante do antagonismo. A confrontação é inerente à condição humana. Seja de forma subtil, ou até mesmo, violenta, é uma pulsão à qual não podemos resistir. Provavelmente com raízes no pecado original, acompanhou a evolução da vida. E está presente mesmo nas mais simples formas de vida.
O Homem tem refinado, muitas vezes com requintes de malvadez, esta necessidade de tentar vergar o outro à sua vontade. E quando mais o outro resiste, maior é o prazer de o ver vergado. Se vergar não bastar, vergasta-se.
Mesmo apenas com as palavras a tentação de tentar vencer uma argumentação é esmagadora.
Correndo o risco de abusar do adjectivo, perfidamente, gosto de provocar. Não apenas com o objectivo de vergar os outros, obrigando-os a partilhar a mesma visão, mas tentando dar-lhes a conhecer outro ponto de vista. E cada vez que conseguir alargar os horizontes, mesmo sem o meu conhecimento, terei cumprido o meu objectivo.
Apesar de detestar a advocacia, sentir-me-ei sempre confortável com a beca de advogado do diabo. Ou não fosse ele a dominar e o principal responsável por este estado de ansiedade, esta pressa de vergar, de fugir à verdade...
Quanto maior a reacção, mais gozo nos trará a acção. Desde os impulsos patológicos, até ao sentimento de dever cumprido, muitas cores tem esta paleta resultante do antagonismo. A confrontação é inerente à condição humana. Seja de forma subtil, ou até mesmo, violenta, é uma pulsão à qual não podemos resistir. Provavelmente com raízes no pecado original, acompanhou a evolução da vida. E está presente mesmo nas mais simples formas de vida.
O Homem tem refinado, muitas vezes com requintes de malvadez, esta necessidade de tentar vergar o outro à sua vontade. E quando mais o outro resiste, maior é o prazer de o ver vergado. Se vergar não bastar, vergasta-se.
Mesmo apenas com as palavras a tentação de tentar vencer uma argumentação é esmagadora.
Correndo o risco de abusar do adjectivo, perfidamente, gosto de provocar. Não apenas com o objectivo de vergar os outros, obrigando-os a partilhar a mesma visão, mas tentando dar-lhes a conhecer outro ponto de vista. E cada vez que conseguir alargar os horizontes, mesmo sem o meu conhecimento, terei cumprido o meu objectivo.
Apesar de detestar a advocacia, sentir-me-ei sempre confortável com a beca de advogado do diabo. Ou não fosse ele a dominar e o principal responsável por este estado de ansiedade, esta pressa de vergar, de fugir à verdade...
2011-05-19
O desmame
Que não haja qualquer dúvida. Largar a teta custa muito. Sabe bem melhor beber o leite, que nem exige mastigar, que comer coisas sólidas e secas. Isto para nem sequer chegar a lamber o pacote...
Regressando à vaca fria, que é como ela fica depois de ficar sem leite, o chupista continua a chupar. Continua a chupar sem qualquer preocupação com a teta seca. Sem sequer reparar que de tanto chupar, está a maltratar a teta que tão bem o alimentou.
O medo apodera-se do mamão. Ele teme aquilo que parece ser o início de ter que se tornar independente. O desconhecido retira-o da sua zona de conforto. O conforto é ficar agarrado à mama, chupando na teta.
Não adivinha que tudo aquilo que conquistar sozinho, terá mais valor, mesmo que se trate de uma pequena conquista. Qualquer passo sem apoio toma dimensão de conquista espacial. O maior problema de quem está agarrado à mama é não ganhar a noção do que está para além. A falta de visão da realidade.
O desmamado resiste à mudança. Procura loucamente regressar à familiar mama. Mesmo que a realidade da teta seca seja inegável, ele persiste em tentar manter o status quo contra tudo e contra todos. E se alguém lhe disser que poderá continuar a mamar como sempre fez, terá ganhado um cego seguidor. E ai de quem lhe disser que chegou a altura de largar a teta e desenrascar-se sozinho...
Regressando à vaca fria, que é como ela fica depois de ficar sem leite, o chupista continua a chupar. Continua a chupar sem qualquer preocupação com a teta seca. Sem sequer reparar que de tanto chupar, está a maltratar a teta que tão bem o alimentou.
O medo apodera-se do mamão. Ele teme aquilo que parece ser o início de ter que se tornar independente. O desconhecido retira-o da sua zona de conforto. O conforto é ficar agarrado à mama, chupando na teta.
Não adivinha que tudo aquilo que conquistar sozinho, terá mais valor, mesmo que se trate de uma pequena conquista. Qualquer passo sem apoio toma dimensão de conquista espacial. O maior problema de quem está agarrado à mama é não ganhar a noção do que está para além. A falta de visão da realidade.
O desmamado resiste à mudança. Procura loucamente regressar à familiar mama. Mesmo que a realidade da teta seca seja inegável, ele persiste em tentar manter o status quo contra tudo e contra todos. E se alguém lhe disser que poderá continuar a mamar como sempre fez, terá ganhado um cego seguidor. E ai de quem lhe disser que chegou a altura de largar a teta e desenrascar-se sozinho...
2011-04-15
O descanso da crise
Tanta crise, tantas intervenções externas e internas.
Tantos maus augúrios, tantos sacrifícios prometidos.
Numa época em que muitos dizem que o trabalho nos libertará e salvará deste infortúnio em que caímos, muitos ficam saturados e assoberbados. A época é de grande gravidade. O momento deve ser de poupança e contenção.
Vamos de férias que os miúdos já lá estão...
Tantos maus augúrios, tantos sacrifícios prometidos.
Numa época em que muitos dizem que o trabalho nos libertará e salvará deste infortúnio em que caímos, muitos ficam saturados e assoberbados. A época é de grande gravidade. O momento deve ser de poupança e contenção.
Vamos de férias que os miúdos já lá estão...
2011-04-06
Rectângulo pedinchão
Finalmente o rectangulozinho cá veio pedir ajuda. E veio prevenido? Trouxe alguma coisa para levar a ajuda? Trouxe algum saco? Não?!
Então lá terá que levá-la no pacote!
Então lá terá que levá-la no pacote!
2011-04-05
Fisga Pobres Padrão & Humores
A agência de anotações Fisga Pobres Padrão & Humores, alterou a nota da República dos Bananas para B A BÁ, que é como quem diz, não se gasta mais dinheiro do que aquele que se tem ou se prevê, num intervalo razoável de tempo, vir a ter.
Em resposta, os habitantes desta República dos Bananas alteraram o seu comportamento. Passaram a pagar os seus compromissos a tempo. Quem tinha um dinheiro de parte efectuou amortizações extraordinárias.
O recurso à Justiça foi reduzido, permitindo libertar recursos para actividades mais rentáveis.
Muitos advogados, legisladores e outros bichos do papel foram dispensados e tiveram que se dedicar a outras actividades mais produtivas.
Os Bananas passaram a utilizar mais os transportes públicos tanto por razões ambientais como por terem percebido que os chamados combustíveis fósseis, serão cada vez mais escassos face ao aumento da procura mundial, e o seu preço continuará naturalmente a subir.
Todos passaram a chegar a horas aos seus compromissos e a serem de tal modo sintéticos que a duração destes compromissos reduziu-se drasticamente, permitindo ganhar tempo. E todos sabemos que tempo é dinheiro...
O governo demitiu-se, permitindo que esta República possa demonstrar que o seu lema, "Não nos governamos nem nos deixamos governar", está ultrapassado e a precisar de ser substituído...
Em resposta, os habitantes desta República dos Bananas alteraram o seu comportamento. Passaram a pagar os seus compromissos a tempo. Quem tinha um dinheiro de parte efectuou amortizações extraordinárias.
O recurso à Justiça foi reduzido, permitindo libertar recursos para actividades mais rentáveis.
Muitos advogados, legisladores e outros bichos do papel foram dispensados e tiveram que se dedicar a outras actividades mais produtivas.
Os Bananas passaram a utilizar mais os transportes públicos tanto por razões ambientais como por terem percebido que os chamados combustíveis fósseis, serão cada vez mais escassos face ao aumento da procura mundial, e o seu preço continuará naturalmente a subir.
Todos passaram a chegar a horas aos seus compromissos e a serem de tal modo sintéticos que a duração destes compromissos reduziu-se drasticamente, permitindo ganhar tempo. E todos sabemos que tempo é dinheiro...
O governo demitiu-se, permitindo que esta República possa demonstrar que o seu lema, "Não nos governamos nem nos deixamos governar", está ultrapassado e a precisar de ser substituído...
2011-03-20
Emplastros do nosso descontentamento
Cada vez mais me convenço que os Homens da luta estão para as manifestações como o Emplastro está para uma entrevista na rua (na zona do grande Porto).
Parece que, qual abelhas atraídas pela doçura de um néctar, também estes homens são atraídos pelo aroma do descontentamento. Caricaturas anacrónicas, popularizadas ao fim de algum tempo de destilação no alambique que é a SIC Radical. Saltaram para o estrelato recentemente, colando-se ao descontentamento legítimo, ajudaram a inebriar os descontentes. Ao mesmo tempo servem de distracção de qualidade duvidosa que a malta mais nova aprendeu a apreciar. Tal como um qualquer Zé Cabra numa qualquer semana académica suscitasse animação e alegria, estes Homens da luta terão os seus meses de glória. Depois serão remetidos para um recanto escondido da nossa memória colectiva.
O descontentamento poderá ser bom se provocar uma onda de regeneração do nosso país. Enquanto for semelhante a uma birra de um qualquer miúdo mimado perante algo que contraria a sua vontade, não chega.
Fiquei com os ouvidos cheios de tantos jovens qualificados que se encontram à mercê de exploradores, porque não foram capazes de resolver o problema da criação do seu próprio posto de trabalho. Não souberam capitalizar o seu lado artístico num qualquer programa de apanhados mal amanhados e ressurgirem como ícones do protesto social.
Talvez porque as gerações imediatamente anteriores, fartas de trabalhar por vidas melhores, resolveram oferecer a esta tudo numa bandeja de prata, ocultando que só o trabalho é fonte de progresso. E quanto mais organizado e focalizado for, mais produtivo se tornará e mais postos de trabalho e riqueza gerará.
Mas não há dúvida que também temos que destruir e reconstruir este monstro estatal que nos suga de todas as maneiras e feitios...
Parece que, qual abelhas atraídas pela doçura de um néctar, também estes homens são atraídos pelo aroma do descontentamento. Caricaturas anacrónicas, popularizadas ao fim de algum tempo de destilação no alambique que é a SIC Radical. Saltaram para o estrelato recentemente, colando-se ao descontentamento legítimo, ajudaram a inebriar os descontentes. Ao mesmo tempo servem de distracção de qualidade duvidosa que a malta mais nova aprendeu a apreciar. Tal como um qualquer Zé Cabra numa qualquer semana académica suscitasse animação e alegria, estes Homens da luta terão os seus meses de glória. Depois serão remetidos para um recanto escondido da nossa memória colectiva.
O descontentamento poderá ser bom se provocar uma onda de regeneração do nosso país. Enquanto for semelhante a uma birra de um qualquer miúdo mimado perante algo que contraria a sua vontade, não chega.
Fiquei com os ouvidos cheios de tantos jovens qualificados que se encontram à mercê de exploradores, porque não foram capazes de resolver o problema da criação do seu próprio posto de trabalho. Não souberam capitalizar o seu lado artístico num qualquer programa de apanhados mal amanhados e ressurgirem como ícones do protesto social.
Talvez porque as gerações imediatamente anteriores, fartas de trabalhar por vidas melhores, resolveram oferecer a esta tudo numa bandeja de prata, ocultando que só o trabalho é fonte de progresso. E quanto mais organizado e focalizado for, mais produtivo se tornará e mais postos de trabalho e riqueza gerará.
Mas não há dúvida que também temos que destruir e reconstruir este monstro estatal que nos suga de todas as maneiras e feitios...
2011-03-08
Com a miséria dos outros podemos nós bem
Vivemos bem porque pertencemos a uma minoria da população mundial. Uma minoria bem sucedida que nem imagina como a maioria (sobre)vive.
Numa época em que a pressão sobre os recursos mundiais ainda é, para nós, suportável, choramingamos quando nos falta dinheiro para comprarmos mais umas coisas. Muitas das quais perfeitamente dispensáveis, tal como o são as coisas supérfluas.
Uma crise aqui, uma guerra ali, um furacão acolá, um terramoto além. São as desculpas para um facto indesmentível: os recursos mundiais não chegam para todos. Não chegam para todos viverem como nós.
E nem sequer é necessário que entre na equação as chamadas alterações climáticas.
Basta ver o desenvolvimento rápido que se vai sucedendo nalguns países do globo. As populações exigem e pagam para viver como a nossa minoria. E esse desejo, que não podemos, independentemente da nossa vontade, cercear, aumentará ainda mais a pressão sobre os recursos. E se a nossa minoria é tão pouco eficiente sobre os mais diversos aspectos, como vamos obrigar a maioria a não cometer os mesmos erros? Impedir que se tornem tão esbanjadores como nós?
A maioria não vai aceitar por muito mais tempo que uma minoria viva bem, enquanto ela vive na miséria...
Numa época em que a pressão sobre os recursos mundiais ainda é, para nós, suportável, choramingamos quando nos falta dinheiro para comprarmos mais umas coisas. Muitas das quais perfeitamente dispensáveis, tal como o são as coisas supérfluas.
Uma crise aqui, uma guerra ali, um furacão acolá, um terramoto além. São as desculpas para um facto indesmentível: os recursos mundiais não chegam para todos. Não chegam para todos viverem como nós.
E nem sequer é necessário que entre na equação as chamadas alterações climáticas.
Basta ver o desenvolvimento rápido que se vai sucedendo nalguns países do globo. As populações exigem e pagam para viver como a nossa minoria. E esse desejo, que não podemos, independentemente da nossa vontade, cercear, aumentará ainda mais a pressão sobre os recursos. E se a nossa minoria é tão pouco eficiente sobre os mais diversos aspectos, como vamos obrigar a maioria a não cometer os mesmos erros? Impedir que se tornem tão esbanjadores como nós?
A maioria não vai aceitar por muito mais tempo que uma minoria viva bem, enquanto ela vive na miséria...
2011-02-13
Podridão mumificada
O cheiro da podridão alerta. Desperta a atenção e aguça a repulsa.
Independentemente do sentimento de que algo não está bem, a ausência não acalma nem conforta. Para se realizar uma autópsia é necessário um cadáver e para se fugir da podridão é necessário que haja odor.
Se em vez de apodrecer, ainda que lentamente, mumificar, os sinais de alerta serão menos óbvios. Sente-se que algo não está bem, mas, sem um faro apurado, falta um mau cheiro pujante que salte ao nariz. Que obrigue a dar um murro na mesa. Que inequivocamente assinale o fim. Que marque o início do luto. Que obrigue à realização do funeral. Para que a vida possa continuar. Para que a análise se faça e a reflexão produza frutos.
O que esteve mal, não deve repetir.
A vida é demasiado importante para que os mesmos erros sejam cometidos com outras pessoas. Não importa se se trata de nove anos ou de nove meses...
Independentemente do sentimento de que algo não está bem, a ausência não acalma nem conforta. Para se realizar uma autópsia é necessário um cadáver e para se fugir da podridão é necessário que haja odor.
Se em vez de apodrecer, ainda que lentamente, mumificar, os sinais de alerta serão menos óbvios. Sente-se que algo não está bem, mas, sem um faro apurado, falta um mau cheiro pujante que salte ao nariz. Que obrigue a dar um murro na mesa. Que inequivocamente assinale o fim. Que marque o início do luto. Que obrigue à realização do funeral. Para que a vida possa continuar. Para que a análise se faça e a reflexão produza frutos.
O que esteve mal, não deve repetir.
A vida é demasiado importante para que os mesmos erros sejam cometidos com outras pessoas. Não importa se se trata de nove anos ou de nove meses...
2011-01-23
A responsabilidade das responsabilidades
Sou tão responsável que tento não assumir responsabilidades. Com cada nova responsabilidade, vem um peso que tende a arrastar a vida para o fundo.
As responsabilidades pesam nos ombros, carregam os sobrolhos, entristecem as expressões.
Obviamente a recusa de todas as responsabilidades é uma irresponsabilidade. Elas aparecem, mesmo sem serem por nós chamadas. E não lhes podemos virar as costas, por mais que nos sintamos tentados. Outros, e nós próprios, dependemos da forma como elas são tratadas.
Devem ser colocadas por ordem de prioridade e mais não devem entrar após a lotação estar completa.
Só assim responsavelmente se poderá viver feliz, no meio das responsabilidades.
As responsabilidades pesam nos ombros, carregam os sobrolhos, entristecem as expressões.
Obviamente a recusa de todas as responsabilidades é uma irresponsabilidade. Elas aparecem, mesmo sem serem por nós chamadas. E não lhes podemos virar as costas, por mais que nos sintamos tentados. Outros, e nós próprios, dependemos da forma como elas são tratadas.
Devem ser colocadas por ordem de prioridade e mais não devem entrar após a lotação estar completa.
Só assim responsavelmente se poderá viver feliz, no meio das responsabilidades.
2011-01-07
Donzelas muito puras
Desconfio sempre das donzelas que se dizem tão puras, tão puras, tão puras, que mais nenhuma atinge o mesmo grau de pureza.
Não é natural, nem digno que alguém sinta necessidade de se adjectivar com tanta veemência.
E reparem como basta um pequeno deslize do dedo para que se passe de muito pura, para outra coisa menos digna...
Não é natural, nem digno que alguém sinta necessidade de se adjectivar com tanta veemência.
E reparem como basta um pequeno deslize do dedo para que se passe de muito pura, para outra coisa menos digna...
2010-12-08
Muito amado
"Right now, it would be to our advantage to stroke him a lot." - in Wikileaks.
Coleccionadores recolectores exibicionistas
Os meios de comunicação estão cada vez mais ao nosso dispor e não é por isso que são melhor utilizados. A comunicação entre as pessoas tornou-se ubíqua, não se tornando melhor e mais fácil.
Com as chamadas redes sociais juntou-se a fome com a vontade de comer. Juntou-se quem quer ver, com quem quer ser visto. Anonimamente ou explicitamente, vê-se, analisa-se, avalia-se, mostra-se. Ser bem visto é mais importante que ver.
Vê-se o amigo do amigo do amigo. Aparentemente, nosso amigo é. Mesmo que cara a cara não houvesse diálogo ou um simples cumprimento, naquele tipo de rede, todos são peixe. E o cabaz vai enchendo de caras, caretas e caraças.
Opina-se sobre tudo e sobre nada. Jogam-se jogos onde mais que a destreza, a assiduidade é compensada. E tipicamente assinala-se que gostamos disto ou daquilo. Mesmo que seja um marco de má memória, ou gostamos ou não nos pronunciamos.
Coleccionam-se perfis. Recolhem-se comentários vazios. Exibem-se facetas das nossas vidas.
Com as chamadas redes sociais juntou-se a fome com a vontade de comer. Juntou-se quem quer ver, com quem quer ser visto. Anonimamente ou explicitamente, vê-se, analisa-se, avalia-se, mostra-se. Ser bem visto é mais importante que ver.
Vê-se o amigo do amigo do amigo. Aparentemente, nosso amigo é. Mesmo que cara a cara não houvesse diálogo ou um simples cumprimento, naquele tipo de rede, todos são peixe. E o cabaz vai enchendo de caras, caretas e caraças.
Opina-se sobre tudo e sobre nada. Jogam-se jogos onde mais que a destreza, a assiduidade é compensada. E tipicamente assinala-se que gostamos disto ou daquilo. Mesmo que seja um marco de má memória, ou gostamos ou não nos pronunciamos.
Coleccionam-se perfis. Recolhem-se comentários vazios. Exibem-se facetas das nossas vidas.
2010-11-21
Sabedoria popular?
Como devagar se vai ao longe e quanto mais depressa, mais devagar, quanto mais depressa mais ao longe se chega.
E está a andar de mota...
E está a andar de mota...
2010-11-17
Desta para melhor
Nem os velórios, nem os funerais, na nossa cultura, são momentos de alegria. Quer seja porque simplesmente o nosso sentido de humor não abrange uma coisa tão natural como a morte, quer seja pelo nosso egoísmo em não querermos deixar partir o defunto porque nos faz falta, quer seja porque não acreditamos verdadeiramente que se foi desta para melhor.
No fim de semana passado lembrei-me do tio António. Lembrei-me em particular da forma respeitosa e ao mesmo tempo divertida com que ía a um velório. Sabendo de antemão as horas em que as pessoas começam a dispersar, chegava sempre mais tarde que a maioria. Prevenido para a chuva ou para o frio, acompanhava os familiares durante a noite. E tinha sempre alguma anedota para aliviar o ambiente.
A vida terminada após ter sido longa e frutuosa. Três gerações de descendentes. Alguns bens materiais para ajudar os descendentes. Do que mais me lembrei foi que, tal como na vida, ninguém o substituiu no seu velório...
No fim de semana passado lembrei-me do tio António. Lembrei-me em particular da forma respeitosa e ao mesmo tempo divertida com que ía a um velório. Sabendo de antemão as horas em que as pessoas começam a dispersar, chegava sempre mais tarde que a maioria. Prevenido para a chuva ou para o frio, acompanhava os familiares durante a noite. E tinha sempre alguma anedota para aliviar o ambiente.
A vida terminada após ter sido longa e frutuosa. Três gerações de descendentes. Alguns bens materiais para ajudar os descendentes. Do que mais me lembrei foi que, tal como na vida, ninguém o substituiu no seu velório...
2010-10-15
Penetras
Aparentemente, Portugal tem uma fraca penetração doméstica na Internet.
Mas passa a mensagem que Portugal tem muitos utilizadores da Internet.
Até por questões de necessidade, somos empurrados para uma utilização cada vez maior.
Ou, apesar de maior, não é suficientemente grande, ou a maior parte da penetração acontece fora de casa.
Há uma cambada de penetras que utilizam o horário de trabalho. Talvez não apenas para penetrações laborais. Talvez para penetrações lúdicas.
A promessa das larguras cada vez maiores da banda, não convencem a maior parte da população, que navega para outras bandas menos cibernáuticas. Em compensação, os convencidos são tantos e muito laboriosos. É um fartar de penetração, o destes penetras, quer na sua casa, quer na dos outros...
Mas passa a mensagem que Portugal tem muitos utilizadores da Internet.
Até por questões de necessidade, somos empurrados para uma utilização cada vez maior.
Ou, apesar de maior, não é suficientemente grande, ou a maior parte da penetração acontece fora de casa.
Há uma cambada de penetras que utilizam o horário de trabalho. Talvez não apenas para penetrações laborais. Talvez para penetrações lúdicas.
A promessa das larguras cada vez maiores da banda, não convencem a maior parte da população, que navega para outras bandas menos cibernáuticas. Em compensação, os convencidos são tantos e muito laboriosos. É um fartar de penetração, o destes penetras, quer na sua casa, quer na dos outros...
2010-10-13
Adolescentes
No Verão passado reparei em duas coisas que acabam por ser a mesma.
O que é melhor nas adolescentes magras?
O que é pior nas adolescentes gordas?
O que é melhor nas adolescentes magras?
O que é pior nas adolescentes gordas?
2010-08-11
Inteligência mecânica
Ultimamente a indústria automóvel tem feito algum esforço para introduzir inteligência nos carros que produz. Um dos esforços dá pelo nome de pára-arranca (stop-start or whatever). Nos carros novos, poucos são os que se dão ao luxo de deixar esta inteligência de fora. Reduz o consumo e as emissões poluentes.
Cá em Portugal, nos carros mais ou menos velhos, cada vez vejo mais exemplos da falta dessa inteligência, independentemente da idade. Nem para os próprios bolsos sabem ser bons, quanto mais para o ambiente.
Decididamente, uma mecânica inteligente não é para todos...
Cá em Portugal, nos carros mais ou menos velhos, cada vez vejo mais exemplos da falta dessa inteligência, independentemente da idade. Nem para os próprios bolsos sabem ser bons, quanto mais para o ambiente.
Decididamente, uma mecânica inteligente não é para todos...
2010-07-02
A loucura do futebol
A primeira coisa que estes loucos esquecem é que o futebol é um jogo. E como qualquer jogo, também depende da sorte e não apenas do engenho. Como até os loucos sabem, mas muitas vezes esquecem, nem sempre a melhor equipa ganha.
A loucura pega-se e chega aos líderes políticos que exigem inquéritos e castigos.
A turba enfurecida insulta os protagonistas vencidos, ignorando que são os ditos protagonistas quem mais trabalha e deseja a vitória e tudo o que ela traz por acréscimo.
Alguns loucos exageram de tal forma nas suas ilusões que imaginam a vitória da equipa apoiada, contra o bom senso e contra todas as probabilidades. Quando acabam por ser naturalmente contrariados, revoltam-se. A loucura impede-os de ver a realidade. Impede-os de compreender o óbvio. Procuram-se bodes expiatórios e desculpas de mau pagador.
A loucura mais estranha e ao mesmo tempo mais natural, é a de alguns dos protagonistas. Esquecem a hierarquia e a disciplina.
Praticamente todos esquecem as regras da boa educação. Até os mais cultos são contagiados. Os mais intelectuais tornam-se animais. Os mais animais...
O futebol é loucura!!!
A loucura pega-se e chega aos líderes políticos que exigem inquéritos e castigos.
A turba enfurecida insulta os protagonistas vencidos, ignorando que são os ditos protagonistas quem mais trabalha e deseja a vitória e tudo o que ela traz por acréscimo.
Alguns loucos exageram de tal forma nas suas ilusões que imaginam a vitória da equipa apoiada, contra o bom senso e contra todas as probabilidades. Quando acabam por ser naturalmente contrariados, revoltam-se. A loucura impede-os de ver a realidade. Impede-os de compreender o óbvio. Procuram-se bodes expiatórios e desculpas de mau pagador.
A loucura mais estranha e ao mesmo tempo mais natural, é a de alguns dos protagonistas. Esquecem a hierarquia e a disciplina.
Praticamente todos esquecem as regras da boa educação. Até os mais cultos são contagiados. Os mais intelectuais tornam-se animais. Os mais animais...
O futebol é loucura!!!
2010-06-15
O homem-bomba
Espero que as autoridades sul-africanas estejam atentas e tomem as medidas necessárias para impedir uma tragédia.
Anda por lá um rapazinho a ameaçar explodir durante este mundial...
Anda por lá um rapazinho a ameaçar explodir durante este mundial...
2010-05-12
Escaravelhos do futuro
De mochilas às costas, agarrando sofregamente com as duas mãos e mexendo freneticamente os dedos, curvam-se para melhor observar os pequenos ecrãs.
Vistos de longe, parecem enormes escaravelhos, preparando-se para comer.
O futuro será dos insectos!...
Vistos de longe, parecem enormes escaravelhos, preparando-se para comer.
O futuro será dos insectos!...
2010-05-08
No gastar é que está o ganho?
Talvez, desde que não se esteja a hipotecar os ganhos vindouros. Sempre me fez confusão o gastar tudo o que se tem e ainda o que se irá ter, antes e o ter. Talvez por ser um leigo em matéria económica. Talvez por isso não tenha compreendido um artigo apresentado no Oje, o qual não consigo encontrar (milagre da procura cibernáutica versus leitura em formato analógico).
Escreveu-se que o investimento em tempo de crise é bom, independentemente da capacidade financeira. Que o EUA são grandes e poderosos graças a massivos investimentos para saírem das crises. Curiosamente nem uma palavra sobre as origens dessas mesmas crises...
Deu-se exemplos futebolísticos, como se o futebol se submetesse sempre à lógica económica, sublinhando o grande investimento do SLB e o pequeno investimento do SCP e correspondente reflexo no sucesso desportivo. Nem uma palavra sobre o pequeno investimento do SCB e o grande investimento do FCP. Aparentemente é o tamanho do orçamento que define a classificação final de um campeonato de futebol...
Concordo que os investimentos devem ser feitos, mas sempre com a ponderação sobre o futuro. Sobre como e quando o investimento trará retorno suficiente para cobrir o custo e ainda gerar lucro.
Talvez por isso não compreenda esta necessidade imperiosa de esbanjar dinheiro que não temos, nem poderemos vir a ter se continuarmos no mesmo caminho. Talvez por isso não compreenda que se atire dinheiro para cima dos problemas, esperando que estes desapareçam. Talvez por isso não compreenda que não há dinheiro que substitua a capacidade de organização e gestão.
Se o Estado gastar toda a riqueza do país e ainda houver quem lucre, muitos irão perder o pouco que lhes restar.
Será que ninguém sabe que nem todos os incêndios podem ser extintos atirando-lhes água para cima? E, ainda que a água o extinga, ela fará falta para matar a sede?...
Escreveu-se que o investimento em tempo de crise é bom, independentemente da capacidade financeira. Que o EUA são grandes e poderosos graças a massivos investimentos para saírem das crises. Curiosamente nem uma palavra sobre as origens dessas mesmas crises...
Deu-se exemplos futebolísticos, como se o futebol se submetesse sempre à lógica económica, sublinhando o grande investimento do SLB e o pequeno investimento do SCP e correspondente reflexo no sucesso desportivo. Nem uma palavra sobre o pequeno investimento do SCB e o grande investimento do FCP. Aparentemente é o tamanho do orçamento que define a classificação final de um campeonato de futebol...
Concordo que os investimentos devem ser feitos, mas sempre com a ponderação sobre o futuro. Sobre como e quando o investimento trará retorno suficiente para cobrir o custo e ainda gerar lucro.
Talvez por isso não compreenda esta necessidade imperiosa de esbanjar dinheiro que não temos, nem poderemos vir a ter se continuarmos no mesmo caminho. Talvez por isso não compreenda que se atire dinheiro para cima dos problemas, esperando que estes desapareçam. Talvez por isso não compreenda que não há dinheiro que substitua a capacidade de organização e gestão.
Se o Estado gastar toda a riqueza do país e ainda houver quem lucre, muitos irão perder o pouco que lhes restar.
Será que ninguém sabe que nem todos os incêndios podem ser extintos atirando-lhes água para cima? E, ainda que a água o extinga, ela fará falta para matar a sede?...
Porcas asseadas
Hoje é o dia de eleição desses seres meio humanos. Tipicamente do sexo feminino, vão para as janelas e varandas sacudir o lixo que têm em casa. Numa espécie de passa a outro e não ao mesmo, sacodem tudo o que querem: tapetes, toalhas, panos, etc. Basicamente sacodem trapos, retirando de suas casa o lixo que não querem, oferecendo-o a quem passa na rua ou mora nas proximidades.
Atirando o lixo pela janela, julgam que este desaparece.
Fora da vista, fora do coração. Nem se apercebem que o algum do lixo que lhes entra em casa, vem da casa doutra porca asseada.
Atirando o lixo pela janela, julgam que este desaparece.
Fora da vista, fora do coração. Nem se apercebem que o algum do lixo que lhes entra em casa, vem da casa doutra porca asseada.
2010-04-25
Ele que teme o sol
Ele, que teme o sol, ainda que para isso tenha que estacionar numa das faixas de uma rotunda, com duas faixas, à sombra da árvore, prejudicando a circulação, tinha um centro comercial do outro lado da rotunda. Com parque de estacionamento subterrâneo. Gratuito. Com muitos lugares vagos de estacionamento.
Atendendo à ausência de outras construções nas imediações, salvo alguém ter ido cagar à mata, estaria à espera de alguém que tenha ido ao centro comercial. E também não se paga por cada utilização da casa de banho...
Alguém imagina o que ele é capaz de fazer quando chegar o Verão, com o calor e o sol associados?
Atendendo à ausência de outras construções nas imediações, salvo alguém ter ido cagar à mata, estaria à espera de alguém que tenha ido ao centro comercial. E também não se paga por cada utilização da casa de banho...
Alguém imagina o que ele é capaz de fazer quando chegar o Verão, com o calor e o sol associados?
Eles brilhantes
Tento não escrever sobre mim.
Espero não escrever sobre vós.
Tento sempre escrever sobre eles.
Sobre seres brilhantes que iluminam a vida em sociedade. Ao mesmo tempo fruto e semente do nosso progresso.
Eles que não pensam como eu, e espero que não pensem como vós.
A todos eles, a minha vã tentativa de os melhorar.
Será que bastaria que eles lessem e pensassem?...
Espero não escrever sobre vós.
Tento sempre escrever sobre eles.
Sobre seres brilhantes que iluminam a vida em sociedade. Ao mesmo tempo fruto e semente do nosso progresso.
Eles que não pensam como eu, e espero que não pensem como vós.
A todos eles, a minha vã tentativa de os melhorar.
Será que bastaria que eles lessem e pensassem?...
2010-03-26
Sinalização pérfida
É este o sinal que mais aprecio. Arrisco a dizer que a maioria dos seus destinatários estão longe de o compreender. Os que o compreendem, nem sempre são os destinatários. Felizmente vêem-se poucos. E os que se vêem estão em locais que não convidam à transgressão.Espero que a educação rodoviária esteja melhor por estes dias, que nos meus dias de aluno. Dias de estudante, seria um abuso, com muita pena minha.
Agora, dou a minha contribuição: os sinais circulares, com uma lista vermelha no limite, são de proibição. Resta olhar com atenção para a imagem no seu interior para saber a que respeita a proibição...
2010-03-20
Em gripado
Houve duas coisas que aprendemos, se não sabíamos já, com a gripe A:
- Não podemos confiar em grandes grupos económicos, particularmente nos ligados às farmacêuticas;
- Aprendemos a lavar as mãos.
As primeiras querem nos tratar da saúde, independentemente da nossa necessidade. As segundas são tantas vezes desprezadas, mas merecem a nossa atenção.
- Não podemos confiar em grandes grupos económicos, particularmente nos ligados às farmacêuticas;
- Aprendemos a lavar as mãos.
As primeiras querem nos tratar da saúde, independentemente da nossa necessidade. As segundas são tantas vezes desprezadas, mas merecem a nossa atenção.
2010-01-22
Os Burros
Aparentemente, quem escreve os títulos na Fox, não sabe como fazer artigos e nomes, ou apelidos, concordarem em número. E a tradução do título The Simpsons parece tão simples e directa...
Claramente, Os Simpson parece ser um gozo a quem não domina a língua portuguesa. Será que se o apelido fosse Burro, o título na Fox ficaria Os Burro?...
Claramente, Os Simpson parece ser um gozo a quem não domina a língua portuguesa. Será que se o apelido fosse Burro, o título na Fox ficaria Os Burro?...
2009-12-12
Passarinhos
Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! Piu! A partir daqui cortavam-me o piu...
2009-12-07
Ineficiência gráfica
Gosto de ver o Plano Inclinado. Gosto de ver que tudo está mal e é ineficiente.
Sinto-me melhor com os meus erros e a minha ineficiência. Como eu gosto de apontar o dedo acusador aos outros, desviando as atenções de mim...
Nesta época de omnipresença de parafernálias informáticas, onde qualquer pessoa cria gráficos, mais ou menos esclarecedores, parece-me incompreensível que cada vez que um convidado ou comentador residente de um programa pretenda mostrar um gráfico, a mostra seja feita à objectiva da câmara. Será assim tão complicado inserir o gráfico na imagem transmitida pela estação?
Pelo menos em minha casa, o que vejo no meu computador posso ver na minha televisão...
Sinto-me melhor com os meus erros e a minha ineficiência. Como eu gosto de apontar o dedo acusador aos outros, desviando as atenções de mim...
Nesta época de omnipresença de parafernálias informáticas, onde qualquer pessoa cria gráficos, mais ou menos esclarecedores, parece-me incompreensível que cada vez que um convidado ou comentador residente de um programa pretenda mostrar um gráfico, a mostra seja feita à objectiva da câmara. Será assim tão complicado inserir o gráfico na imagem transmitida pela estação?
Pelo menos em minha casa, o que vejo no meu computador posso ver na minha televisão...
2009-11-19
O playboy
Parece que há accionistas do BCP incomodados. Outros irritados. A alguns até lhes caiu mal a entrevista de Joe Berardo à Playboy.
A mim preocupa-me que só agora sintam desconforto com a postura de Joe Berardo. Principalmente porque não li em lado algum que ele tenha sido mal-educado nessa entrevista. E se tivesse sido, os leitores que o aturassem.
E quem está preocupado com as leituras e opiniões dos accionistas do BCP?
Não deveriam preocupar-se com outros acontecimentos da actualidade?
A mim preocupa-me que só agora sintam desconforto com a postura de Joe Berardo. Principalmente porque não li em lado algum que ele tenha sido mal-educado nessa entrevista. E se tivesse sido, os leitores que o aturassem.
E quem está preocupado com as leituras e opiniões dos accionistas do BCP?
Não deveriam preocupar-se com outros acontecimentos da actualidade?
2009-10-27
Caim
Faz o cão, magoado, solitário, em busca de atenção.
2009-10-06
Involução e devolução
Não posso deixar de saborear comentários deliciosos sobre a raça humana. O último que engoli, referia-se ao mal que a raça humana fez e continua a fazer ao planeta Terra. Parece ser um dado adquirido que a fatalidade está a varrer a Terra. De tal forma fatal, que nada haverá a fazer.
Tal como as novelas, os jornais e os programas reais de espectáculos banais varreram os canais gerais, sem que nada os telespectadores possam fazer, também o mal gerado pela raça humana varre o planeta. Sabendo que a natureza vencerá, quer estejamos ou não cá, para assistir à vitória, saboreei deliciado o comentário sobre o Homem destruindo a Terra de tal forma que até os terramotos e tsunamis varrem a Ásia e o Pacífico sul. Logo secundado e rematado por "o que é preciso é curtir a vida e não nos preocuparmos porque não sabemos quanto mais tempo cá estaremos"...
(D)evolução
Tal como as novelas, os jornais e os programas reais de espectáculos banais varreram os canais gerais, sem que nada os telespectadores possam fazer, também o mal gerado pela raça humana varre o planeta. Sabendo que a natureza vencerá, quer estejamos ou não cá, para assistir à vitória, saboreei deliciado o comentário sobre o Homem destruindo a Terra de tal forma que até os terramotos e tsunamis varrem a Ásia e o Pacífico sul. Logo secundado e rematado por "o que é preciso é curtir a vida e não nos preocuparmos porque não sabemos quanto mais tempo cá estaremos"...
(D)evolução
2009-09-20
Bandeirada
Nesta época de tantas bandeiras no ar, não é mau repensar o uso que damos à bandeira mor. Desde que nos levaram a acreditar que o apoio às nossas equipas pode ser expresso pela exibição da bandeira nacional, muitas bandeiras foram abandonadas aos elementos até se decomporem.
Provavelmente a maioria dos exibicionistas patriotas não se apercebeu da necessidade de tratar bem este símbolo nacional, ainda que seja fabricada na China (made in PRC). Mesmo que não seja por uma questão de patriotismo, que seja por razões legais. Os mais distraídos deverão consultar a legislação.
A ignorância não serve como desculpa.
Provavelmente a maioria dos exibicionistas patriotas não se apercebeu da necessidade de tratar bem este símbolo nacional, ainda que seja fabricada na China (made in PRC). Mesmo que não seja por uma questão de patriotismo, que seja por razões legais. Os mais distraídos deverão consultar a legislação.
A ignorância não serve como desculpa.
2009-08-26
CPV – Cabo Verde?
Fica sempre bem nos jogos da lusofonia indicar, na televisão, que a selecção de Cabo Verde tem a sigla CPV. Não sei bem o que significará, mas em português, o cabo não será…
2009-08-05
Charutada?
Depois da notícia na TVI que mostrava as duas jovens jornalistas libertadas a entrarem para o avião, acompanhadas pelo Bill, onde referiam que seria uma imagem a ficar no imaginário dos americanos, não pude deixar de me interrogar:
será que ele teve a gentileza de lhes oferecer um charuto?
será que ele teve a gentileza de lhes oferecer um charuto?
2009-06-02
A banca não é de fiar
Atenção caros clientes da banca do Sr. João!
Um portal para muro das vossas lamentações:
Portal do cliente bancário.
E uma legislação que já deveria estar bem interiorizada por todos...
Decreto-Lei n.º 171/2008!
Um portal para muro das vossas lamentações:
Portal do cliente bancário.
E uma legislação que já deveria estar bem interiorizada por todos...
Decreto-Lei n.º 171/2008!
2009-05-20
Muita educação
Chamar educação sexual à distribuição de preservativos pelos alunos é quase o mesmo que chamar educação à distribuição de lápis pelos alunos.
Ou entregar busca-pólos a aspirantes a electricistas...
Ou entregar busca-pólos a aspirantes a electricistas...
2009-05-10
Jogador de selecção
É natural que continue a ser um dos escolhidos. Enquadra-se perfeitamente no espírito da nossa selecção. E nem é preciso entrar noutros comportamentos dignos dos nossos estágios, sobre os quais nada sei.
Desde jogadores que querem mostrar fortes argumentos na cara de seleccionadores, até seleccionadores que querem proteger os meninos jogadores com gestos patéticos.
Houve e há simulações de faltas, faltas mal escondidas e muitos encontrões. Muito teatro, nunca crime e nem sempre castigo.
Até já houve um árbitro que sentiu um forte aperto no estômago, durante um jogo da nossa selecção...
É esta a nossa selecção.
Desde jogadores que querem mostrar fortes argumentos na cara de seleccionadores, até seleccionadores que querem proteger os meninos jogadores com gestos patéticos.
Houve e há simulações de faltas, faltas mal escondidas e muitos encontrões. Muito teatro, nunca crime e nem sempre castigo.
Até já houve um árbitro que sentiu um forte aperto no estômago, durante um jogo da nossa selecção...
É esta a nossa selecção.
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