2012-12-16

Dobrar ou virar a esquina?

Perdemos a conta a quantas esquinas passamos ao longo da nossa vida. Isto apesar de algumas terem deixado marcas indeléveis.
Mas não ficámos agarrados a elas. Ainda que a vontade fosse muita e, numa fase inicial, até marcas de unhas tenhamos lá deixado.
Seguimos o nosso caminho sem as esquecermos, sem as ignorarmos.
E quando encontramos uma nova, não pensamos no que ficou para trás. Tentamos imaginar o que poderá estar à nossa frente. O que poderá estar para além dela. O que poderá acontecer se a dobrarmos. E essa expectativa tem tanto de atractiva como de assustadora. A esquina desconhecida exerce fascínio especialmente por isso. Pela dualidade. E quando a encaramos de frente e vemos os dois lados ao mesmo tempo, percebemos se chegámos à esquina certa.
Chegar à esquina certa, não é o mesmo que chegar à esquina definitiva. Todas tendem a ser provisórias, até prova em contrário. E essa prova cabe ao tempo. E é preciso tanto tempo, quanto o tempo que nos for concedido, a partir do momento em que lá chegamos.
De frente para a esquina, conseguimos rever o percurso passado e tentamos antever o futuro. Após dobrá-la, não ficamos com o dom da clarividência. Não ficamos cheios de certezas. As dúvidas são suficientemente inquietantes para que não nos acomodemos, não devendo impossibilitar-nos de pararmos ou avançarmos, consoante nos aprouver.
É entre esquinas que mais claramente podemos reflectir. Não estando à sombra de uma delas, podemos melhor avaliar as que dobrámos e virámos. Poderá provocar algum desconforto, mas essa mesma sensação acaba por funcionar como motivação. Para avançar.
Após dobrá-la, podemos olhar para trás e verificar que, por mais marcas que lá possamos ter deixado, ela mantém a sua forma. E não adianta tentar lá voltar e bater-lhe com a cabeça. Acabaríamos ainda mais magoados.

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