2007-05-27

Pausa rotineira

Ou como certos prazeres se transformam em certos hábitos...

E quando se transformam em hábitos, reduz-se o prazer. Mas há que manter a atenção dos leitores. Há uma obrigação a cumprir. Há que escrever ainda que nada haja para escrever. Ainda que apenas se escreva que nada se escreve. Uma afirmação algo ridícula que esconde a necessidade de escrever e a simultânea falta de inspiração.

A inspiração não aparece todos os dias. Muitas vezes disfarça-se mostrando atalhos ou referências para a inspiração de outros. Não se pode interromper a rotina. Não se pode correr o risco de perder a atenção dos leitores. Nem que seja necessário recorrer a imagens. De vez em quando recorre-se a uma simples afirmação de que hoje nada se escreve.

É um esforço vão pois é inevitável a falta de inspiração. A inspiração diária é um luxo de alguns iluminados e de muitos com tempo para a sustentar. É necessária muita atenção e muito tempo. E algum trabalho. E poucos são pagos para tal trabalho...

Fonte de onde não sai água é fonte seca. É fonte que não serve para matar a sede. É fonte que os necessitados não procuram. É fonte abandonada.

E quem quer ser abandonado?

4 comentários:

a menina que mora num impasse e é a menina do clube de video, que morava num impasse e é frustrada. disse...

"Fonte de onde não sai água é fonte seca. É fonte que não serve para matar a sede. É fonte que os necessitados não procuram. É fonte abandonada.

E quem quer ser abandonado?"

O pérfido anda poeta! Mas gostei. Gostei mesmo.

A arte de ler
e gostar de poesia, é
seguir cada estrofe
respeitando apenas e somente
a pontuação.
Não é parar na frase
que não tem ponto
nem ponto e vilgula,
só porque há um parágrafo
que obriga o sensível
a separar-se da linha em que está
e saltar para o próximo corrimão.
E é sem dúvida,
ter também imaginação.

E isso acontece a todos, caro pérfido. Aos que gostam de escrever... por vezes há a vontade... não há é a inspiração.

SOD, o Pérfido disse...

Peço desculpa se pareci poeta.

Não seria melhor que, não havendo inspiração, houvesse alguma contenção?
Ou será que há uma obrigação?

Escaldada Friorenta disse...

Penso que não. A contenção, só inspira a mais «desinspiração». Há que libertar. (Salvo seja) Se há uma obrigação, são os seus leitores pérfidos que contribuem para tal... transmitindo-lhe expectativa. E espera pela resposta. Por falar nisso... ,ou escrever sobre... reparo que, tem tido (ou arranjado) algum tempo para dar respostas aos leitores assíduos do seu blog. Isso é bom. Descontrai. Mas de facto, voltando ao seu comentário, talvez haja mesmo é uma obrigação, por parte do pérfido, em conter-se...

SOD, o Pérfido disse...

Cara menina, eu não pretendo ser diferente de todos, nem igual a todos. Isso seria demasiado limitativo. E para limitações, já me bastam as minhas...