2024-02-11

Parceria para sempre

Para que sempre dure, terá que ser na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, no amor e no ódio. O positivo só faz sentido por oposição ao negativo. O sinónimo ajuda a compreender, mas o antónimo define em todo o seu esplendor. Só pode existir um paraíso se existir um inferno. Não admira a procura incessante pelo próximo parceiro. Porque a busca pela perfeição, impede o contentamento com a imperfeição.

2024-01-06

As macacas

As mulheres são como macacos, saltando de ramo em ramo. Ainda não largaram um galho e já sabem qual o galho que irão agarrar de seguida. Já os homens, têm uma esperança média de vida menor...

Porto seguro

Quando não se é bom nadador, convém não se deixar arrastar para fora de pé. Até um bom nadador pode se encontrar perdido, quando a corrente é demasiado forte para os seus membros. Dependendo para onde a corrente puxa, poderá ser uma alegre mudança deixar-se levar. Deixar-se levar pela corrente, mais forte do que o próprio. Deixar-se levar pela onda, maior do que o próprio. E, numa situação mais tempestuosa, ao procurar um porto de abrigo, encontrar apenas uma marina fechada, sabe que, se continuar a tentar, poderá chegar a um porto seguro. E, quem sabe, noutra rota da vida, encontrar uma outra marina pronta a recebê-lo...

2022-08-23

O animal

Era uma vez, um gato maltez, que tocava orgão e jogava xadrez. Com um rating fraquinho, o animal, terá que se aplicar mais. Senão nunca chegará a mestre...

2022-03-20

Ego mor

Numa época em que parece que só eu interesso, depois de uma pandemia que me incomodou mais do que prejudicou, eis que surgiu uma guerra criada por um egoísta maior. Mal disfarçada por desculpas que tentam confundir os interesses do seu senhor, com os do seu país. Este milénio ainda não tinha visto uma guerra desta dimensão, neste continente. Cada um interroga-se sobre as causas que a terão realmente originado. Cada um que conclua a sua análise. Uma coisa é certa: nunca tinha comprado um CD de uma banda ucraniana. Pois no final do ano passado comprei três de uma vez. Pareciam quatro com o que tive de pagar para os desalfandegar. Ainda por cima de uma banda com algumas músicas desafiadoras. Como, por exemplo,
Coincidências?...

2022-01-23

Sábado de eleição

Reflito sobre como será possível que estes, mais de 300 mil, eleitores que votam hoje, antecipadamente, poderão fazê-lo de forma esclarecida. Com a campanha a decorrer ao mesmo tempo que votam e sem terem a possibilidade de reflectir durante um dia inteiro, na véspera de colocarem o seu voto na urna. Reflexão sem qualquer campanha de perturbação. Votação sem ver o fim da campanha. Sem conhecimento da última sondagem, antes da boca da urna se abrir para a contagem final...

2022-01-22

Mão-de-obra barata

Nem sempre temos o que desejamos à mão. Algumas vezes estamos sós, ou mal acompanhados, não tendo parceiro que nos acompanhe. A tarefa urge. O tempo escasseia. Não há quem possa dar uma mãozinha. Sem mão à vista, o melhor será meter mãos à obra e despachar a tarefa premente...

2020-10-15

Uma lógica desmascarada

Esta história de sermos obrigados a usar o cinto de segurança parece muito mal contada. Quem é que ouviu falar de alguém que tivesse morrido num acidente de viação, por ter saído pelo pára-brisas? A mortalidade por não usar cinto de segurança se não é zero, deve estar muito próximo de zero, o que só vem reforçar a ineficácia da sua utilização. Logo, é um abuso o Estado impor o seu uso. Dificulta a respiração ao seu utilizador e é uma forma de restringir a liberdade de movimentos. Assim será mais difícil expelir o anidrido carbónico e inspirar o oxigénio e movimentar-se dentro do habitáculo do veículo. E, em caso de acidente, dificultará a fuga do veículo. Esta lógica de ser obrigatório o uso do cinto de segurança só pode estar errada...

2020-08-23

Ou fazes, ou fases

Muito pior do que uma boa fase, ou até mesmo de uma má fase é a indecisão: ou fazes ou não fazes.

2020-04-18

Amor & sexo

Enquanto o amor anda lá longe, difícil de alcançar, o sexo está perto, mesmo à mão de semear.

2020-03-13

Pan

Assim como com o fecho dos ginásios alguns redescobriram o prazer do exercício ao ar livre, também as restrições nos acessos às praias farão outros redescobrir o campo.
As crianças podem ser o melhor do mundo, mas levem-nos para as escolas e creches porque já ninguém as quer aturar...
É evidente que os pássaros cantam mais alto em tempo de confinamento. Cantam os pássaros, as motas, os vizinhos...
Infelizmente, nem todos os políticos em morte cerebral têm a decência de permanecer calados.
E quando o barulho da vizinhança confinada é inconfinável?...
Não sejam insensíveis. Os deputados apenas querem passar o feriado junto dos respectivos familiares e amigos...
As manifestações contra as comemorações do 25 de Abril no parlamento são por razões de saúde pública ou por ressabiamento? Quem as apoia até queria que os políticos todos desaparecessem. Todos menos um...
E se, depois da infecção, o nosso corpo ficar tão imune ao coronavírus como fica ao vírus do herpes?
Qual é a previsão da altura do pico, uma semana depois da Páscoa?...
Para além do ardor nos olhos, que nada deve ter a ver com mais tempo passado a ver ecrãs e com desinfectantes, tenho a audição mais apurada. Oiço melhor o ruído da vizinhança...
Nada como uma pandemia para reduzir o número de outras urgências...
Basta uma chuvinha para se perceber para quem é essencial o exercício ao ar livre...
Com esta doença cada vez mais vulgar, quase todos se esqueceram das doenças raras.
Que os pais que aturam os próprios filhos não se esqueçam de quem os educou para serem assim...
Os modelos com os quais perdemos mais tempo agora são mais matemáticos do que fotográficos...
A História dirá qual o peso que a aversão portuguesa ao trabalho, e ao estudo, teve no controlo da epidemia. Isto se houver quem trabalhe os números e estude a evolução da doença...
Os animais estranham agora e ainda estranharão mais, quando regressarmos à normalidade.
E quem nunca tinha tempo para fazer certas tarefas, agora que continua a não fazê-las, é apenas porque não se consegue concentrar para realizá-las por culpa do coronavírus.
Estamos a semanas do Estado decidir quem nos hospitais morre e a meses do Estado decidir quais as empresas que não têm viabilidade económica...
Agora que sabemos que as respostas das uniões é cada um por si, veremos quantas uniões sobram depois do coronavírus assentar...
É nas subidas mais íngremes que se testam os nervos.
A frustração irá aumentar exponencialmente à medida que formos percebendo que a mortalidade atinge demasiadas pessoas que gostamos e não aquelas que dispensamos...
Todos os que estão sedentos por AVentura, deveriam pôr os olhos nos EUA e apreciar como funciona bem ter um tretas como líder...
As limpezas de casa nesta Primavera vão definir um padrão difícil de atingir nos anos vindouros.
Agora é que vamos ver quão larga é a tal banda larga...
Os alunos de Matemática A do 12º ano, deste ano lectivo, irão prestar uma atenção especial aos modelos exponenciais...
Não vos irriteis tanto com os açambarcadores de supermercado. Alguns podem estar a aproveitar o último ordenado decente dos próximos meses...
Que preocupação é esta com a ausência de controlos ao coronavírus nos nossos aeroportos? Estando os restantes a fazer correctamente o seu trabalho, não precisamos de fazer o nosso...
O reverso da medalha de ter de se manter afastado dos mais afastados, é ter de passar muito mais tempo mais próximo dos que lhe estão próximos...
Quem queria saber como seria a reacção dos portugueses numa crise a sério já estará satisfeito?
Tantas discussões sobre eutanásia e agora quase que bastam uns abraços e uns beijos piedosos para arrumar o assunto...
Esta irá revelar-se uma má época para alergias, constipações e gripes...
Agora é a altura certa para os defensores do movimento anti-vacinas manterem-se firmes, agarrados às suas convicções. É preciso uma boa dose de autismo...
Qual é o tempo necessário para que um coronavírus passe de novo a velho conhecido?...

2020-02-16

Planeamento?

Há pouco, uma cegonha fez um voo quase rasante a mim. Num local onde não me costumo encontrar com cegonhas. Rasante, atendendo à estatura dela e à minha. Espero que tenha sido planeado...

2019-11-26

Armados em destruição maciça

A massificação da informação leva à massificação dos desejos. Desejamos o que há de melhor. E o que há de melhor é cada vez mais o mesmo para cada um. E para todos. Todos querem ir aos mesmos locais, nem que seja apenas para marcar território, qual cão. Captam e mostram a foto que serve de prova, quase sem prestarem atenção onde estão, talvez pensando imediatamente onde gostariam de estar. Nesta feira de vaidades, os locais mais conhecidos são sobrecarregados. São espezinhados. Os locais que partam se não suportarem o preço e o custo de servirem de adorno supérfluo para o cenário. Todos querem degustar a melhor iguaria, a todo o preço e a todo o custo. Não importa se isso levar ao seu desaparecimento para todo o sempre. O que importa é, mais uma vez, apresentar uma prova da degustação. Que cada vez mais se parece com uma prova de destruição, nesta fruição desmesurada. Importa mais viver para comer do que comer para viver. Por outro lado, cada vez mais se ambiciona um super-alimento que tudo resolva. Incluindo a péssima alimentação causadora de múltiplas perturbações de saúde. Não importa se isso custar o desaparecimento de todos os restantes alimentos. E com eles, as respectivas benesses para uma alimentação variada, base de uma alimentação saudável. Pobre animal que caia nas garras da «medicina» tradicional chinesa ou de qualquer outro país populoso. Será ameaçado de extinção, como se para isso não bastasse a usurpação do seu habitat e destruição dos seus meios de subsistência. A escassez de um recurso leva ao aumento da compensação pela sua exploração até ao seu desaparecimento. Que o digam os verdadeiros pinguins do hemisfério norte… A massificação leva ao desdém pelo que fica nas margens, apenas dando valor à corrente principal. Corrente onde cada vez há mais gente presa, incapaz de apreciar e celebrar o que é próprio da sua região. O comércio local desaparece ao mesmo ritmo que a voracidade de um punhado de multinacionais tudo devora. Idem para os recursos naturais necessários para sustentar esta vida cada vez mais artificial. Longa vida para os eucaliptos de curta duração e morte para os carvalhos que empatam o investimento com a sua longa vida e lento desenvolvimento. Felizmente vem aí mais uma sexta-feira negra, daquelas que em nada se compara com a quinta-feira negra que a antecedeu. Seria como comparar o dia com a noite. Nós deliramos com coisas brilhantes…

2018-12-20

Incapacidade indiscutível

A comunicação entre humanos nunca foi simples. E nem estou a considerar as dificuldades impostas pela ausência de tecnologia capaz de desafiar o tempo e o espaço. Curiosamente a sensação que tenho é que, apesar dos meios de comunicação se terem tornado mais omnipresentes e acessíveis, a comunicação não se simplificou. Cada vez é mais difícil transmitir a mensagem. Cada vez mais os interlocutores estão indisponíveis para receber a mensagem alheia. Quanto mais pensar sobre ela. E ainda menos assimilá-la. Em especial se a mensagem aparentar ser contra as respectivas ideias. Os interlocutores esforçam-se por salientar as divergências em vez de aproveitar as convergências para um diálogo significativo. Este duelo de egos, leva à tentativa de vitória a todo o custo, não olhando a meios. Leva ao arremesso de argumentos que nem deviam ser chamados ao palco, quanto mais transformarem-se em actores principais. Leva ao eclipse da verdade, em vez de lançar luz sobre a mesma. Há uma irritação associada ao pensamento diferente. Uma irritação que se cola ao emissor da mensagem e não à mensagem propriamente dita. Às próximas transmissões, a memória busca as sensações desagradáveis e amplifica-as. Pouco parece importar se a mensagem é mais ou menos agradável. O asco surge muito mais rapidamente do que os lampejos do pensamento racional. O animal racional parece cada vez mais toldado por impulsos primários e pouco racionais. E isso transmite-se à sociedade onde cada indivíduo contribui para a tendência geral. E a tendência geral é de desprezo pelo outro e de tentativa de apagar a respectiva mensagem. Houvesse um botão para «desamigar» ou «des-seguir» o outro no mundo real... E não me venham dizer que estou errado...

2018-08-23

Com sentimento e sem leitura

Se o demónio existisse, certamente já teria arranjado maneira de sacar umas almas, com o consentimento do respectivo proprietário, utilizando aqueles acordos de licença de utilização pelo utilizador final, ou EULA em inglês. Aqueles termos e condições que ninguém lê até ao fim, mas consente certamente. Ou não quereria utilizar aquela aplicação informática. Este consentimento sem leitura não é novo. É apenas mais desmaterializado. Não nos obriga a guardar um molho de folhas, ou até mesmo um livro, de um qualquer contrato que assinámos sem ler, mas que esperamos que corra a nosso contento. Ou não fosse a outra parte uma pessoa/entidade de bem. Ora disfarces que não faltariam ao demónio seriam de pessoas de bem. Ou não precisasse ele de passar despercebido. Desde que não fossem de tanto bem que fizessem desconfiar... Escrevo eu, partindo do princípio que ele nem existe, nem usufrui já dalgum daqueles termos e condições para nos sacar a alma, depois da morte. No entanto, há muito que entregamos de boa vontade a nossa alma, a poderes obscuros, ainda em vida...

2018-02-26

Um murro no estômago

Não parece tão romântico como o coração, mas é o estômago o órgão mais ligado aos sentimentos. Logo, o mais sensível. Indo além da paixão e do próprio amor (quem nunca sentiu borboletas no estômago?), sente o medo e o nojo em cada aperto e náusea. Eleva a insegurança e a preocupação a uma forte sensação física. Consegue transformar dores psíquicas em mal-estar físico. Não são apenas as borboletas que nele batem, quando lhes dão a oportunidade. Também sentimos socos que nos suspendem a respiração. Que nos surpreendem pelo impacto. Sem dúvida que pensamos com o cérebro e, no entanto, o estômago é capaz de dominá-lo e enchê-lo de dores. Às quais o cérebro poderá retribuir provocando-lhe náuseas. Ou enchendo-o até o dilatar. Ou, até mesmo, obrigando-o a digerir-se a si próprio, no meio de tanto remoer. E tanta ruminação provoca azia. É com acidez que lida com os sentimentos, talvez tentando limitar tamanha sensibilidade. Seguimos os sentimentos das entranhas como sendo os mais honestos e mais extraordinários e deixamos para a razão a banal gestão do dia-a-dia.

2017-12-16

Mais activo

A entrada numa actividade física organizada melhora a circulação sanguínea e aumenta o apetite. O homem é estimulado não só pela melhoria do seu próprio corpo, mas também pela melhoria na forma dos corpos alheios. E mesmo em actividades mais ou menos organizadas notam-se melhorias. Talvez pelo incentivo de, objectivamente, perseguir objectivos, as actividades melhoram substancialmente. Para as restantes poderá haver um incentivo extraordinário de fuga e de manutenção da boa forma. E na hora de regressar a casa, alguém terá que pagar com o corpo...

2017-10-30

Falo de sexo

Pela escrita, e também pela conversa, se nota quem escreve mais do que aquilo que pratica. Não pela ausência ou fartura da sua prática, mas mais pela desfasagem entre o desejo e o acto consumado. A verborreia alimenta-se da necessidade de preencher o vazio que só quem escreve sente, lá bem no fundo. Este desejo profundo que cria prosadores e poetas, quer sempre mais. Numa insatisfação permanente, qual musa, usa e abusa das palavras como escape para o acto que não lhe enche as medidas. Que fica sempre aquém do desejado. Que se desculpa com a ausência, com a distância, com a correspondência, com o desencontro. E por isso fala com o resto do corpo... A satisfação contenta, coarcta, colmata, faz perigar o desejo. A insatisfação não consegue, mas tenta. Não acalma, mas perturba. Não conserva, mas corrói. Não assimila, mas chupa do corpo, intumescendo a vontade...

2017-10-27

Hora extra

Neste fim de semana não vos esqueceis de aproveitar a hora a mais de sábado para domingo. Tendo a consciência de que aquilo que vos derem terá sempre um preço...