Damos por falta das coisas, quando mais precisamos delas. E isto não é válido apenas para coisas. Isto vale para tudo na vida...
2026-10-09
Vale para tudo
2026-10-07
Que belo par!
Um grande par de olhos, da cor do mar, onde um homem se poderia perder, apenas a contemplar.
Olhos de uma cor profunda, difíceis de alcançar, carregam o peso da melancolia funda, não conseguem descansar.
Perscrutam, sendo impossíveis de sondar, não descansam, nem deixam descansar.
Capturam a atenção, impedem o baixar do olhar, para outro belo par, tão evidente e tão oculto, do meu olhar...
2026-10-06
Alimento o desejo
More wireless
Cada vez estão mais na moda as coisas wireless. Porque tudo o que não tem fio, provoca menos confusão. Evita-se aquele emaranhado de fios e respectivos nós, quase cegos, de quem não vê como desembaraçá-los. Fazem publicidade à ausência de fios de comunicação. Para a alimentação, continuam a fazer muita falta, apesar do aumento da indução.
Quem prescinde desta ligação invisível com o resto do mundo?
Curiosamente, vendem-se fios para prender os wireless headphones.
E quem nunca usou um telefone fixo, para telefonar para um telemóvel em paradeiro incerto?...
Estórias de embalar
Há muitas estórias que se contam para embalar a consciência. Para adormecê-la, deixando o contador encontrar a paz. São estórias que muita falta fazem a quem tem uma consciência, qual grilo falante, capaz de tirar o sono ao seu portador. E todos sabemos como os grilos sabem ser estridentes.
Para gatunos, há o ditado "a ocasião faz o ladrão". Na realidade o ladrão já está feito. A ocasião apenas o testa. A ocasião apenas lhe dá a oportunidade de roubar, com um risco baixo de ser apanhado. Mas esta parte não adormece a consciência.
Na mesma categoria, existe o ladrão que rouba a outro ladrão, tendo cem anos de perdão. É uma espécie de atenuante que entorpece a consciência. Como se uma coisa errada, feita a um ladrão, pudesse ser justa, só porque ele roubou. Estava mesmo a merecê-las, diria o vingador envergonhado.
Quando alguém se apropria de algo que não devia, desculpa-se sempre que se não fosse ele, outro o faria. Ouve-se muito sobre isso quando se encontram coisas perdidas na rua. Na caça e na pesca, quando se matam espécimes que ainda não atingiram o tamanho adequado. Na agricultura, para se invadir propriedade privada, não cercada. As espécies botânicas nem fogem, nem se defendem.
Quando chega a hora de pagar os devidos impostos, só não lhes foge quem não pode. E quem pode, argumenta que o Estado emprega mal o dinheiro que entregam à sua guarda. Para isso, mais vale guardá-lo, bem guardado. Mais vale nesta gaveta, do que engavetá-lo no (péssimo) Estado.
Quando as notícias não agradam, não se quer ver as notícias porque são só desgraças. Ao contrário da avestruz que encosta a cabeça no solo, para melhor ouvir o que se passa à sua volta. É preferível alhear-se do que se passa à volta, sem nunca perder a oportunidade de lamentar porque as coisas não melhoram, esquecendo a própria ausência de contribuição.
Os infiéis podem contar a si mesmos que a relação já não estava bem, que faltava algo que se tinha perdido, que se tinha sentido que havia alguma coisa por um terceiro. A única coisa que aparentemente ninguém tinha sentido, seria a vontade de falar com o parceiro, terminando a relação, em vez da estocada fatal, à traição.
Actualmente há uma falta de empatia atroz, resultado da demonização do outro, que nem merece viver, quanto mais existir e ter direitos que parecem com os nossos colidir...
2026-09-14
Posse
- O que é que tu queres?
- Quero-te, a ti!
- Mas já me tens...
- Não tenho. Nunca tive e nunca terei...